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Gabriel Ranyer, o potiguar de 21 anos que conquistou a avenida Paulista

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Menos de seis anos separam o adolescente curioso, louco por música e videogame, do executivo que mira do alto de um dos prédios da tradicional Avenida Paulista, a meca dos negócios no País, os mais de 2.400 funcionários monitorados nas 53 empresas situadas em 15 estados brasileiros, todos atendidos pela sua startup – de acordo com a métrica da segunda semana de setembro.

Aos 21 anos, o natalense Gabriel Ranyer, que comanda, com outros dois sócios também potiguares, a FindMe, uma plataforma de gestão online de segurança patrimonial, não somente encarna o perfil típico do mercado de trabalho moderno, como defende que, em muitos casos, iniciativas empreendedoras como a sua, focadas na transformação digital, costumam ser mais importantes e úteis na carreira do que o conhecimento teórico obtido nos bancos universitários.

Gabriel Ranyer descobriu isso por conta própria e longe dos debates sobre as mudanças na legislação trabalhista brasileira. A questão, para ele, é bem mais ampla e envolve uma mudança cultural – e global – que já há alguns anos vem se fortalecendo mesmo nas economias mais consolidadas. E que, entende ele, mais cedo ou mais tarde precisará ser enfrentada de verdade pelas universidades brasileiras.

“Algumas universidades já vêm se ajustando, atentando para a necessidade de se adequarem de modo a oferecer aos seus alunos uma realidade mais aproximada do mercado e desse processo todo de transformação, mas muitas ainda estão com aquela rotina que remete, ainda, ao período da revolução industrial, sem envolver ou mobilizar os estudantes e sem criar outros estímulos extra-classe”, compara.

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Grandes empresas, como Apple e Amazon, têm dispensado a exigência de diplomas universitários na hora de contratar. Em vez disso, vêm optando por quem possui as habilidades de que necessitam, independente da trajetória acadêmica ou do curso que frequentam.

É um tipo de realidade cada vez mais comum, sobretudo para jovens como Gabriel, mas não somente para eles. Algumas empresas nacionais que investem no processo de inovação, observa o empresário, já começam a pensar e agir igual às gigantes multinacionais, exigindo, para atrair talentos, um único requisito: ser maior de 18 anos.

A experiência no Ensino Médio realizado no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), em Natal, foi fundamental para forjar o caráter empreendedor de Gabriel. Foi lá que aos 15 anos, adolescente louco por futebol, música e videogame e vindo uma escola particular, em Nova Parnamirim, ele ingressou no curso técnico em Administração. “O ambiente no IFRN, mesmo para os estudantes do Ensino Médio, era completamente diferente de qualquer outra escola porque era focado na liberdade do aluno, quase como uma universidade”.

Foi lá, também, que no segundo ano conheceu, entre uma aula e outra, a Junior Achievement, uma organização internacional focada no empreendedorismo juvenil. Pelo programa, em três meses os alunos participantes tinham que estudar, desenvolver e criar um produto. “Opa, aquilo mexeu muito comigo, gostei demais”, lembra.

Palestra sobre empreendedorismo na casa do pianista João Carlos Martins

Gabriel começou a ser fisgado pela cultura dos negócios quando se viu, em seguida, à frente de outra iniciativa. Depois da Junior Achievement, ele descobriu a Nexa, um núcleo de ex-participantes da Achievement que estava parado. Era uma extensão da primeira etapa do programa. Ainda hoje, Gabriel mantém contato com a Junior Achievement, para a qual é uma espécie de “case”. Há pouco tempo, em razão disso, foi convidado para fazer uma palestra na casa do pianista João Carlos Martins sobre empreendedorismo e inovação.

Como voluntário da Nexa, passou a organizar os eventos e a promover encontros e palestras com especialistas em gestão e executivos ligados à atividade empreendedora. Logo assumiu a gerência do Nexa – até a unidade potiguar tornar-se uma das mais ativas do País. O engajamento levou-o a conhecer outros jovens que pensavam como ele e, mais do que isso, empreendedores que já desenvolviam projetos de startups no IFRN.

Assim, foi convidado, ainda moleque, para se associar a uma startup que andava parada, a Blue Eye, um plataforma que tinha como objetivo identificar, a partir do rastreamento facial, o perfil dos clientes em pontos físicos de estabelecimentos comerciais. Por essa época, 17 anos, também começou a estagiar na reitoria do IFRN. Assim, passou a conciliar os estudos, o trabalho na Nexa, o comando de uma startup, a Blue Eye, e o estágio.

Gabriel Ranyer mergulhou no empreendedorismo aos 17 anos, quando foi convidado para trabalhar na plataforma Blue Eye

Com a Blue Eye, mergulhou de vez no empreendedorismo. Passou a buscar conteúdos na internet e a estudar de forma mais profunda, conhecendo mais projetos, mentores, modelos de negócios e estratégias comerciais.

Chegou a ser convidado para se transferir para Belo Horizonte, a fim de acompanhar a aceleração da startup. “A gente foi selecionado por uma aceleradora, mas não dava para eu viajar”. Ele lembra sorrindo a reação do sócio: “como vou mudar de estado e receber investimentos de R$ 200 mil com um menino de 17 anos à frente?”. O sócio ainda trouxe um amigo que estava nos EUA para a função de CEO, mas com o tempo e apesar da aceleração, a empresa acabou não seguindo adiante.

“Tudo isso ocorreu enquanto eu estava cursando administração, mas a partir do terceiro ano, mais ou menos, o conteúdo teórico em sala de aula já não era novidade para mim porque eu já estava praticando”, recorda. “Eu já estava lidando direto com a gestão de uma empresa, conversando com os professores como parceiros enquanto, em sala de aula, as turmas ainda trabalhavam os livros, envolvidos com a teoria”.

O negócio com a Blue Eye acabou não evoluindo, mas logo Gabriel, que já se tornara conhecido no segmento, foi chamado para trabalhar com os atuais sócios, Diogo Vinícius e Reginaldo Silva, bem mais experientes que ele – hoje com 36 e 39 anos. “Meu negócio sempre foi fazer acontecer, botar prá funcionar”, diz o natalense. “E nisso nós três somos muito parecidos”. Assim, entrou a FindMe em sua vida.

“O que aprendi, vale qualquer pós ou MBA”

De Natal para o coração do mercado brasileiro em 6 anos

A FindMe surgiu em 2014 como startup voltada para o monitoramento de crianças, idosos e pets por meio de um botton com bluetooth, mas durante o processo de validação os sócios perceberam um mercado bem mais amplo na área da segurança patrimonial. Fizeram, então, de 2015 para 2016, quando Gabriel ingressou, o que se chama de pivotagem do projeto, ou seja, mudaram a ideia inicial. Isso é comum quando se descobre uma nova oportunidade.

Há dois anos e meio, quando foi selecionada para ser acelerada pela ACE Startups, eleita por três vezes a melhor empresa de aceleração de startups da América Latina, e recebeu aportes de investidores-anjos, a FindMe se transferiu para São Paulo, mais precisamente para a Avenida Paulista, onde ocupa um escritório dentro da Campus Inc, um ambiente de coworking e de aluguel de escritórios virtuais e onde a própria ACE mantém um moderno espaço.

Ao longo do tempo em que foi “acelerada”, cerca de um ano até o início de 2017, a FindMe obteve, além de aportes em torno de R$ 120 mil, orientação e mentoria sobre mercado, plataformas, modelos e negócios digitais. “Posso dizer, sem medo de errar, que o ano que eu passei dentro da aceleração aprendi mais do que em qualquer pós ou MBA”.

O papel de uma aceleradora é alavancar uma startup. Para isso, atua, em geral, sob quatro pilares: investimento (aportando dinheiro ou descobrindo parceiros), network (trazendo o máximo de empresas e de empresários para ajudar nos negócios), metodologia (oferecendo cursos diversos, como os da área de gestão e de vendas, além de mentorias), e acompanhamento (quinzenalmente, as startups têm de fazer a prestação de contas para saber se estão batendo as metas).

Na aceleração da FindMe, foram quatro meses para validar o produto, conhecendo de perto o mercado de segurança, analisando os números, as “dores” do setor e as perspectivas de negócios. E outros seis meses dedicados à viabilização do projeto e ao que se chama de máquina de vendas. Após o fim da aceleração, as startups rodam por conta própria.

Gabriel se diz impressionado com o que aprendeu: “Eu passei a conviver com os caras que eu estudava lá atrás, ainda na época do IFRN, vendo vídeos e buscando conteúdo, mas hoje, depois do susto inicial, eu encontro com eles, troco ideias, almoço junto; isso não tem preço”.

Como COO da FindMe, 14 horas de trabalho por dia

A transferência para São Paulo sepultou de vez o interesse acadêmico do natalense. Por essa época, aos 19 anos, Gabriel já havia concluído o curso técnico de administração no IFRN e estava terminando o primeiro semestre de TI na UFRN, para o qual havia sido aprovado. Mas não pensou duas vezes antes de trocar a terra do sol pela da garoa. “Era uma oportunidade única e eu não tinha muito o que perder: se não desse certo, eu voltava e retomava tudo”.

Na FindMe, ele é o COO, na linguagem das corporações Chief Operating Officer, o diretor de operações responsável por cuidar diretamente dos negócios. Gabriel controla o setor de vendas e operações. “Sou responsável por tudo o que está relacionado ao produto, lido diretamente com as empresas de segurança com as quais negociamos a utilização de nossa plataforma, faço os acompanhamentos e ainda a ponte entre as demandas e as necessidades dos clientes com a nossa solução”.

Os sócios dele são Diogo Vinícius, CEO, e Reginaldo Silva, CTO, responsável pelo tecnologia e desenvolvimento. “Para mim, foi uma aposta, para eles não, que já eram casados e tinham mais idade”.

A FindMe conta hoje com 9 funcionários, todos com carteira assinada

A FindMe hoje tem valor de mercado calculado em R$ 6 milhões. Esse valor é estimado a partir do potencial de crescimento, do faturamento, dos processos de inovação que utiliza e do interesse de investidores. Desde que foi criada, passou por quatro rodadas de investimento e ao todo já recebeu aportes em torno dos R$ 700 mil. O faturamento anual é, em média, de R$ 620 mil.

Apesar disso, segundo Gabriel, a startup ainda não se paga. A FindMe atingiu o break-even, como nos negócios é chamado o equilíbrio, no segundo trimestre deste ano, mas precisou ampliar a equipe em razão dos novos negócios e foi obrigada, segundo o empresário, a “cavar mais um pouquinho”.

O MRR, que nos negócios tem por base a oferta de serviços por software significa receita recorrente mensal, é de quase R$ 52 mil na FindMe. Esse valor, diz Gabriel, vem aumentando mês a mês. A meta da empresa é chegar ao final do ano com R$ 80 mil a R$ 100 mil de faturamento mensal.

Hoje a startup tem 12 pessoas – os três sócios e nove funcionários, todos, aliás, com carteira assinada. “Fizemos há pouco tempo um esforço para aumentar a equipe e chegar ao final do ano com o crescimento maior do que a gente estava prevendo antes”. Ainda segundo as perspectiva do empresário, o negócio está perto de se pagar para então começar a gerar lucros.

Mesmo com o fim da aceleração, a empresa decidiu permanecer no mesmo endereço, a Avenida Paulista, na Campus Inc, pela excelente localização, agora alugando um espaço, uma sala cercada de vidros e sem divisórias. “Tudo aqui é muito transparente, literalmente, todos conhecem os números e todos têm metas, por isso o problema de um acaba sendo de todos, o que acaba ajudando na solução”.

A FindMe tem 53 clientes em quinze estados do Brasil e monitora 2.400 funcionários. A startup oferece o software que desenvolveu para as empresas de segurança e elas fazem o monitoramento dos porteiros, vigilantes e supervisores. Pagam por funcionário monitorado.

A plataforma permite aos clientes, entre várias funções, fazer online, por meio de um aplicativo, o controle de rondas, de ocorrências e de fiscalizações de suas equipes. O app ainda dispara alertas e permite aos usuários fazer o check-list das atividades. Tudo é acompanhado, também, da sede da empresa, que oferece todo o suporte aos clientes.

Com tantos números favoráveis, é de se imaginar que os sócios nadam em dinheiro. Nada disso, diz Gabriel. “Eu estava sem dinheiro antes e continuo sem dinheiro agora”. O que ganhou mesmo, brinca, foi uma gastrite, da qual, aliás, não reclama, mas de cuja origem não tem dúvida – estresse. “Em negócios com esse perfil, não dá para falar em ganhos, principalmente para os fundadores”, ressalta.

A rotina numa startup, reforça ele, difere de qualquer outro tipo de emprego, ainda mais para os sócios. Ele trabalha de 12 a 14 horas por dia, nunca soube o que é férias e quando viaja tem de levar os equipamentos para monitorar a clientela. Almoça perto do trabalho, num self-service, e estabelece tempo para tudo, inclusive acionando o cronômetro do celular. A correria é tanta que, para esta entrevista, reservou o horário entre meio-dia e 14h, quando entraria numa reunião remota. Na hora das fotografias, alertou: temos doze minutos. “Costumo chegar às 8h e ficar até 22h, 22h30, por aí…”. Arrependido? Nem um pouco.

Jubilado pela UFRN e barba para aumentar a idade

Aos 21 anos, Gabriel adotou a barba para parecer mais velho e negociar de igual e para igual com os executivos do setor

Desde que chegou a São Paulo, há dois anos e meio, o COO da FindMe já mudou de endereço cinco vezes. Quando desembarcou, passou seis meses na casa dos avós, em Guarulhos, na Região Metropolitana. Depois, dividiu com os sócios um AirBNB, meio de hospedagem por aplicativo. Em seguida, foi morar na Brigadeiro Luís Antônio, perto da Avenida Paulista. “Meu melhor momento”, recorda sorrindo. “Ficava a cinco minutos de trabalho e vinha a pé”.

Quando acabou o período de aceleração da FindMe, foi morar no bairro Conceição, região centro-sul de São Paulo, perto do Jabaquara, e agora está na Saúde, na zona Sul. Mora com dois amigos, publicitários, com quem divide as despesas. De casa para o trabalho, são em torno de 25 minutos – quinze de metrô e dez minutos de caminhada até a Paulista.

O trabalho com a startup deu certo ar maduro a Gabriel, mas ele diz que não se arrisca a tirar a barba. É ela, segundo a estética que ele próprio criou, que confere ar de executivo mais velho. Apesar dos 21, diz que normalmente é confundido com alguém de 27 ou 30 anos. Para ele, a barba joga a favor. “Lido com empresários e se eu chegasse sem barba,com rosto de menino, ninguém acreditaria em mim”, brinca.

O potiguar diz, porém, que mesmo os empresários que se surpreendem no primeiro momento com a sua pouca idade, mudam logo o pensamento quando o ouvem falar de negócios e tratar, com conhecimento, das soluções de segurança oferecidas pela FindMe.

Na vida social, no entanto, embora as turmas com quem costuma sair sejam de idade superior – “caras de 27 ou 30 anos” -, ele é um jovem típico. Gosta de música eletrônica, jazz, blues, rock, reggae e com frequência busca na agenda shows gratuitos ou com preço baixo. “Aqui em São Paulo as opções de diversão são inúmeras e muitas de graça ou com preço baixo”. Gabriel diz que gosta de descobrir o que a cidade oferece, como os passeios dominicais na Paulista.

Gosta de futebol, mas diz que ainda não adotou nenhum time paulista – “e o Vasco anda péssimo” – e também não frequenta os estádios. Continua, como desde os tempos de moleque em Natal, gostando de jogos eletrônicos. E diz que joga mais videogame do que assiste a futebol.

Há pouco tempo soube que foi jubilado da UFRN, uma vez que desistiu do curso de Tecnologia da Informação. Também há pouco tempo foi personagem de uma reportagem do Estadão sobre mercado de trabalho e inovação e teme ter sido mal interpretado, soando como menosprezo, quando declarou que desistiu de fazer a faculdade para trabalhar. “Claro que respeito as faculdades e claro que elas não vão acabar, mas a maioria precisa se adequar ao mercado de trabalho e às transformações da sociedade”. No meu caso, enfatizou, o que fez foi cortar caminho.

“Eu tive a oportunidade de conseguir, ainda no ensino médio, identificar a área e o segmento em que queria atuar, tanto pelas oportunidades que tive no IFRN como pelas atividades extra-curriculares, pelo conteúdo que busquei o tempo inteiro na internet e pelas ações de empreendedorismo que enfrentei”, relata. “Por que, então, passar mais 3 ou 4 anos estudando na universidade o que eu já vi, e vivi?”, questiona. E ele mesmo responde: “Apenas pelo diploma?”

A cultura das universidades, na opinião de Gabriel, ainda está focada no trabalho de formar o aluno como pessoa para que, então, ele descubra o que quer e aonde vai investir na sua carreira. “Os estudantes passam em torno de dois anos conhecendo a si próprios na universidade e entendendo a área em que estão, por isso não acredito que, para ter sucesso, a gente tenha obrigatoriamente que seguir este modelo clássico, de fazer faculdade, depois trabalhar, ganhar o salário e a seguir se aposentar”. Na sua trajetória, Gabriel diz ter aprendido que muitas vezes a vida se encarrega de encaminhar e a cada um cabe perceber o quanto os caminhos abertos são importantes para seu futuro.

Na opinião dele, as universidades têm de se reinventar para fazer frente às mudanças geradas sobretudo pelos processos de inovação. “A educação precisa ser mais dinâmica”, ressalta, sempre num tom de voz muito baixo e calmo. Hoje, segundo ele, há muita informação na internet, ou gratuita ou de baixo custo. “Algumas das maiores universidades do mundo, como Harvard e MIT, já disponibilizam cursos gratuitos para qualquer um fazer – daí se você quiser o diploma deles, você paga”.

O empresário acredita que a tendência, como diz já perceber em algumas universidades paulistas, é os cursos de graduação terem menor duração, serem totalmente práticos e focados nas habilidades. Nesse contexto, continua ele, os MBAs dessas universidades podem ser voltados, por exemplo, para a construção de uma startup. “As faculdades vão ter de trabalhar mais com a experiência prática e com as habilidades e se voltar mais para as necessidades do aluno”, projeta Gabriel. Tudo, mais ou menos, como ocorreu com esse executivo de 21 anos que descobriu ainda na adolescência, aos 15, para onde o futuro apontava.

Estudo aponta mais de mil startups no Brasil

Pesquisa nacional sobre Startups no país mostrou que quase 70% está satisfeita com os talentos estimulados

O estudo mais recente acerca do tamanha do negócio das startups no Brasil – a Radiografia das Startups Brasileiras, feita pela Accenture e pela Associação Brasileira de Startups – foi feito entre setembro e outubro de 2017, a partir de consultas a mais de mil empreendedores responsáveis por negócios digitais nos 27 estados brasileiros.

Entre outros pontos, constatou que as startups ainda se concentram em poucos polos regionais e enfrentam dificuldades na obtenção de investimentos durante as fases iniciais – e ainda no ambiente regulatório, considerado pouco flexível e amigável para pequenos empreendedores.

De acordo com o estudo, 73% das startups mapeadas estão nas 10 maiores comunidades digitais do País; 63% têm até 5 pessoas, 49% são compostas apenas pelos sócios e 74% tem equipe com maioria de homens.

A maioria delas é B2B, ou seja, lida diretamente com empresas – 77% focam em clientes corporativos. A pesquisa mostra que 45% já participaram de programas de aceleração ou incubação.

Em relação ao ambiente regulatório, 27% estão satisfeitos e 57% acham que irá melhorar até 2020. Para evoluir, a pesquisa ouviu que é necessário facilitar a abertura e o encerramento de empresas de pequeno porte, simplificar as sociedades anônimas e o sistema tributário, criar incentivos fiscais para aceleradoras e investidores-anjo, ampliar acesso ao crédito e facilitar peer-to-peer lending, que significa, regra geral, uma relação direta entre pessoas sem a intermediação dos bancos.

Em relação ao mercado consumidor, o estudo concluiu que 61% dos entrevistados se disseram satisfeitos, mas 67% acham que irá melhorar até 2020. Para evoluir neste campo, sugeriram: fomentar a ideia de que as pequenas empresas podem resolver grandes problemas por meio da inovação e adotar a tecnologia dentro de indústrias tradicionais, abrindo mais mercado para startups e criando novas.

Quando tratou dos talentos nas startups, a pesquisa mostrou que 67% estão satisfeitos e 68% acham que irá melhorar até 2020. Para evoluir nesta área, os entrevistados propuseram: estimular o empreendedorismo e a alfabetização digital nas escolas, incluir o desenvolvimento de habilidades digitais no currículo educacional, aproximar escolas de eventos de tecnologia e empreendedorismo e transformar trabalhos acadêmicos em embriões de startups.

A pesquisa também trouxe sugestões para a evolução do ecossistema de startups no Brasil:

estimular o desenvolvimento de habilidades digitais e de empreendedorismo, ampliar incentivos fiscais para atrair aceleradoras e investidores-anjo, estimular a colaboração no ecossistema, adotar regulamentação flexível para estimular a inovação, fortalecer o suporte às startups e estimular novos polos de inovação.

 

 

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