CULTURA

Genival Lacerda: “Último remanescente de uma geração de ouro”, comentam produtores culturais do RN

A covid-19 fez mais uma vítima na música brasileira. O paraibano Genival Lacerda morreu aos 89 anos em decorrência de complicações da doença na manhã desta quinta-feira (7), deixando um legado irreverente na história do forró, distribuído em 70 discos lançados ao longo de 66 anos de carreira. Produtores culturais potiguares comentaram a perda.

Para José Dias, o autor de “Severina Xique-Xique”, “De quem é esse jegue?” e “Radinho de Pilha” se destacou no forró pincipalmente por “colocar malícia no ritmo sem ser vulgar”.

“Genival foi o último remanescente de uma geração de ouro da música nordestina, ao lado de Gonzaga, Jackson, Marinês, Sivuca, Dominguinhos, João do Vale, Jacinto Silva, Elino Julião entre outros que divulgaram o bom forró”, declarou o produtor.

O empresário Marcos Lopes, realizador do Forró da Lua entre 2002 e 2012, destaca Lacerda como ícone da música jocosa, divertida, do forró brincalhão, lembrando que ele abusava das letras de duplo sentido, da dança e de outras brincadeiras.

“Esses caras mais antigos estão indo embora e não estão deixando substituto à altura, apesar de ele ter filhos que cantam também. Ele tem características próprias, algo peculiar que é só dele mesmo e ninguém consegue imitar. Uma perda enorme para a música rural nordestina, conhecida como forró”, resume o potiguar.

Genival no Forró da Lua. Imagem cedida por Marcos Lopes.

Marcos conta ainda um episódio que comprova a paixão de Genival pela vida e o medo da morte. O produtor diz que após apresentação no Forró da Lua, foram juntos tomar café da manhã na Lagoa do Bonfim, no Restaurante do Naldo.

“Ele era comedor, aquela barrigona não negava. Teve cuscuz, macaxeira, carne guisada de carneiro. Ele saiu daqui exigindo que todo ano eu lhe chamasse”, diz Marcos Lopes.

Mas naquela mesma época, o palco criou uma fama paralela à de bons eventos. O espaço recebeu as últimas apresentações de figuras como Elino Julião (2006) e Marinês (2007).

“Eu tava numa apresentação de outros artistas no Marco Zero quando encontrei com ele e disse para marcarmos um show. Ele disse: ‘O diabo é quem vai mais lá. O povo tá indo lá e tá morrendo e eu não quero ir agora não’. E eu disse ‘mas você quem me cobrou que queria ir todo ano’. E ele: ‘mas não quer mais não, vamo deixar pra outro dia’”.

O artista sofria de Alzheimer, em maio de 2020 teve um AVC e desde 30 de novembro estava internado na UTI do Hospital Unimed unidade I, em Recife, com covid-19.  Uma campanha de doação de sangue para foi iniciada pela família na quarta-feira (6).

O sepultamento ocorre em Campina Grande, cidade natal do cantor e compositor e que decretou luto de três dias. Genival deixou dez filhos, além de netos e bisnetos.

Estava previsto para a sexta-feira (8) o lançamento de uma faixa do DVD “Minha Estrada”, com a participação de artistas nordestinos, que foi gravado no Teatro Boa Vista, em agosto 2019. O lançamento da canção com o artista Zé Lezin está mantido. “O artista faleceu, mas a obra dele vai ficar”, declarou a assessora da famílias. A divulgação será realizada pelas redes sociais e por plataformas digitais.

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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