CIDADANIA

Governadora Fátima Bezerra lembra casos de feminicídio em pleno Natal e diz que luta contra esse tipo de crime é diária

Apesar do Rio Grande do Norte não ter registrado casos de feminicídio durante o período do Natal, a governadora Fátima Bezerra (PT) fez uma série de posts no twitter criticando e lembrando da morte de seis mulheres durante o período natalino. Em uma das mensagens, Fátima Bezerra destacou que as mortes de Viviane Amaral, de Thalia Ferraz, de Evelaine Aparecida, de Loni Almeida, de Anna Paula Porfírio e de Aline Arns, não eram casos isolados.

Única mulher a governar um Estado no país, ela ressaltou, ainda, algumas políticas públicas adotadas em sua gestão para combater a violência contra a mulher que reduziram em 52,9% os casos de feminicídio no Rio Grande do Norte no último ano em comparação a 2015-2016. Desde 2019 entrou em funcionamento no estado o “Botão do Pânico”, que alerta através do monitoramento da tornozeleira eletrônica, quando o agressor se aproxima da mulher vítima de violência e com medida protetiva.

Em março de 2020, a governadora Fátima Bezerra regulamentou a lei que cria o Patrulha Maria da Penha (Lei10.097 de 2016). O objetivo é prevenir e combater a violência doméstica contra a mulher, além de acolher e monitorar mulheres que estejam sob medida protetiva, reforçando a fiscalização do cumprimento das medidas.

Também desde 2019, foi criado o Núcleo de Combate ao Feminicídio dentro da Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e foi reativado o Comitê Estadual de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres (CEAV).

Já em 2020, foi sancionada a Lei nº 10.720/2020 que obriga os síndicos a denunciar aos órgãos de segurança casos de violência doméstica e familiar contra as mulheres, idosos, crianças e adolescentes. Também entrou em prática este ano o programa “Maria da Penha vai às Escolas”, que tem o objetivo de divulgar não só a lei de proteção à mulher, mas toda a rede de assistência e atendimento à mulher em situação de violência. Além disso, as delegacias da Mulher também funcionam 24 horas no Rio Grande do Norte.

Apesar de toda a cadeia de assistência montada para prevenir e combater esse tipo de crime, ele continua a acontecer. As agressões contra as mulheres aumentaram entre os meses de janeiro e outubro de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. O maior confinamento gerado pelo isolamento social parece ter elevado o índice de agressões em 36%. Uma realidade que a própria governadora do estado reconheceu em suas postagens, ressaltando que essa é uma luta diária e cujas medidas serão sempre insuficientes.

 

 

Quem são as mulheres vítimas de feminicídio no Natal?

Viviane Vieira do Amaral, 45 anos

Viaviane era juíza e foi morta pelo ex-marido com 16 facadas ao levar as três filhas pequenas para ver o pai, o engenheiro Paulo José Arronenzi, de 52 anos. O crime aconteceu na véspera do Natal, dia 24, na frente das filhas do ex-casal, que têm entre 7 e 9 anos. A vítima continuou sendo golpeada pelas costas, mesmo depois de cair ao chão. Foram constatados quatro cortes na cabeça e sete na parte de trás do corpo. Paulo José Arronenzi foi preso em flagrante. A guarda das três filhas ficará com a avó materna.

 

Thalia Ferraz, 23 anos

Foi assassinada pelo ex-namorado com quem tinha terminado o relacionamento dois dias antes do crime. Na noite da festa de Natal (24), o suspeito entrou atirando na casa onde estava sendo realizada a confraternização, a vítima ainda se escondeu em um dos cômodos, mas morreu com um tiro no peito depois que uma das falas atravessou a porta do quarto. Thalia tinha dois filhos, um de 3 e outro de 6 anos. O crime aconteceu em Jaraguá do Sul, região norte de Santa Catarina. O suspeito está foragido.

 

Evelaine Aparecida Ricardo, 29 anos

Evelaine morreu após ser baleada durante a ceia de Natal. O suspeito é o namorado dela, que participou do amigo secreto com a família da vítima momentos antes do assassinato. Ele tomou o celular da vítima que o seguiu até a parte externa da casa na tentativa de recuperar o telefone. Ao sair da casa, ela foi baleada na cabeça. Ele fugiu após o crime. O casal estava junto há apenas três meses. Evelaine tinha perdido o filho mais novo de 7 anos para o câncer em 10 de dezembro. Ela ainda deixa um filho de 12 anos que será criado pela irmã e pelo cunhado.

 

Loni Priebe de Almeida, 74 anos

Loni foi morta pelo ex-companheiro, Laudelino de Almeida, também de 74 anos. Ele teria ido até a casa dela e feito um disparo contra a cabeça da vítima e, em seguida, cometido suicídio. Ela chegou a ser socorrida, mas acabou falecendo. O crime ocorreu na cidade de Ibarama, no Rio Grande do Sul.

 

Anna Paula Porfírio dos Santos, 45 anos

Anna Paula foi morta pelo marido durante logo depois da ceia de Natal, na madrugada da sexta (25), em Recife. Ademir Tavares de Oliveira, sargento reformado da Polícia Militar, teria atirado no rosto e tórax de Anna Paula. Os dois tinham acabado de participar da ceia no andar de baixo da casa, onde permaneceram outros parentes, que chegaram a ouvir os disparos. O suspeito foi preso em flagrante.

 

Aline Arns, 38 anos

Aline era funcionária da Secretaria de Saúde do município de Forquilhinha, município do Rio Grande do Sul. Ela foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro, Juliano Warmling, que depois do crime, suicidou-se. O casal estava separado há um ano. Foi a filha deles, uma menina de 16 anos, que encontrou os corpos dos pais já sem vida depois de pedir ajuda da tia para arrombar a porta da casa da mãe, que estava trancada.

 

 

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