CIDADANIA

Protestos em Natal e Mossoró lembram vítimas da covid-19 e cobram vacina, comida e #ForaBolsonaro

“Quando o povo tem que ir às ruas no meio de uma pandemia, é porque o seu governo é pior que o vírus”. A frase esteve presente em inúmeras das falas de manifestantes, líderes de movimentos sociais, sindicais e estudantis que ocuparam neste sábado (29) a Avenida Salgado Filho, uma das principais vias da capital potiguar. Em meio aos gritos de “fora Bolsonaro”, “vacina no braço, comida no prato” e “presidente genocida”, um cartaz chamava a atenção dizendo “não estamos todos, faltam os mortos”, em referência às mais de 460 mil vidas que o Brasil perdeu para o Coronavírus desde o início da pandemia. Em Mossoró, manifestantes se reuniram na Praça do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, no Centro.

Até ontem (29), 6.089 pessoas perderam a vida no Rio Grande do Norte vítimas da covid-19.

Manifestação pelo Fora Bolsonaro e por vacina para todos em Natal/RN. Foto: Luana Tayze

A mobilização, convocada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além de cobrar o impeachment do Presidente da República Jair Bolsonaro e maior efetividade no plano de vacinação contra a covid-19, denunciava também o desmonte de universidades e institutos federais. Manifestantes reivindicavam ainda a garantia do auxílio emergencial para a população no valor mínimo de R$ 600. 

Ainda que a pandemia continue em um momento crítico, os movimentos populares decidiram ir às ruas para denunciar o descaso do Governo Federal com a saúde da população. Desde a convocação inicial para o ato, lideranças de movimentos potiguares se empenharam  em garantir o maior número de máscaras PFF2 possível para os participantes dos atos. 

Em Natal, a coordenadora da Rede de Cursinhos Populares Emancipa, Tati Ribeiro, foi uma das pessoas que liderou uma arrecadação de fundos que se tornariam depois, máscaras de uso profissional, consideradas mais seguras por possuir um poder de filtragem superior ao das máscaras cirúrgicas e de pano, e são recomendadas para barrar vírus disseminados por aerossóis, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A gente estava muito preocupado com os nossos alunos e com todos os manifestantes que não tinham máscaras adequadas para enfrentar o ato, então, começamos a pedir doações e pesquisar onde comprar a PFF2 no melhor preço. A nossa surpresa foi que conseguimos mil reais em doações e esse dinheiro se transformou em 430 máscaras distribuídas. Ao contrário do Bolsonaro, a gente se preocupa com a segurança das pessoas”, relata Tati Ribeiro. 

Natália Bonavides: “Não queríamos estar na rua hoje”

Manifestantes em Natal usaram máscaras e fizeram várias perfomances durante o ato / foto: Iano Flávio

O desenrolar da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid, que investiga ações e omissões do governo Jair Bolsonaro na pandemia, apontou que a gestão federal rejeitou 11 ofertas de vacina desde julho de 2020. A deputada federal Natália Bonavides (PT/RN) estava presente na manifestação em Natal (RN) e indicou que esse é o principal motivo que levou o povo às ruas em meio à pandemia:

“Nós não queríamos estar na rua, mas a cada dia que passa deste assassino no governo, significa mais do nosso povo morrendo, mais da classe trabalhadora morrendo. Nós estamos descobrindo e tendo certeza a cada dia de como ele não fez questão, como Bolsonaro optou por não comprar vacina, optou por ter uma política que significa empurrar a nossa população para o abismo”, disse a parlamentar durante o ato. 

De acordo com um estudo realizado pelo professor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, o governo de Jair Bolsonaro poderia ter evitado, no mínimo, 80 mil mortes se tivesse fechado o contrato oferecido pelo Instituto Butantan em outubro de 2020 – apenas uma das ofertas rejeitadas – para a compra de 100 milhões de doses, que seriam distribuídas aos brasileiros até maio deste ano. 

“A Universidade tem prazo de validade”

Mais uma vez, cartazes chamaram a atenção durante os protestos / foto: José Félix

Entidades do movimento estudantil, centros e diretórios acadêmicos denunciaram nas ruas o risco expresso na queda de investimentos em universidades e institutos federais. Em 2021, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sofreu um corte de 100% do orçamento districcionário, aquele direcionado a despesas como água, luz, bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa e equipamentos básicos para laboratórios, por exemplo. 

Para a coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRN, Letícia Catu, a UFRN, assim como outras instituições federais de ensino superior como a UFRJ, que anunciou que vai fechar suas portas, tem prazo de validade e esse é um dos motivos que leva os estudantes às ruas. 

“Hoje, universidades do Brasil inteiro funcionam com o menor orçamento desde 2004, uma época em que as instituições eram menores e tinham menos estudantes e esse orçamento não nos cabe agora. A UFRN teve um corte total no orçamento que custeia por exemplo, infraestrutura e pesquisas voltadas ao combate à pandemia. Não tem como garantir que a universidade vai continuar funcionando, pois esse desmonte faz com que não exista possibilidade de garantir o mínimo para os alunos”, disse Letícia. 

Mossoroenses protestam nas ruas e na praça

Em Mossoró, cidade da região oeste potiguar, cerca de 300 manifestantes foram às ruas neste sábado (29), segundo a organização da manifestação. A Praça do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, no Centro, foi tomada por representantes de movimentos sociais da cidade, em sua maioria estudantes. 

Em Mossoró, movimentos sociais e estudantis protestaram na Praça do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado. Fotos: Comunicação UEE/RN

“A gente acredita que os movimentos sociais estão hoje nas ruas graças a má gestão do Governo Federal em torno da pandemia. Bolsonaro obriga os trabalhadores a protestar para não morrerem de fome, porque não existe plano de segurança alimentar, não existe auxílio emergencial que garanta o mínimo para a  população, que continua morrendo, seja de fome, seja nos hospitais para uma doença que já tem vacina”, disse o historiador e presidente da União Estadual dos Estudantes do RN, Yadson Magalhães, um dos militantes que liderou o ato em Mossoró. 

#29M pelo Brasil 

As manifestações por vacina no braço e comida no prato, mobilizaram pessoas de todo o Brasil. Capitais como Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), São Paulo (SP), Fortaleza (CE) e Belém (PA) registraram atos com participação expressiva da população. Em São Paulo, por exemplo, as Frentes estimam que cerca de 80 mil pessoas estiveram reunidas na Avenida Paulista. 

A Agência Saiba Mais realizou sua primeira transmissão de uma manifestação ao vivo, mostrando tudo que aconteceu nas ruas e debatendo com convidados as principais reivindicações do dia durante mais de 4 horas no Balbúrdia, programa que recebeu o cientista social João Emanuel Evangelista, o jornalista pernambucano Laércio Portela, a deputada estadual Isolda Dantas (PT), a professora do IFRN Aparecida Fernandes, os vereadores Brisa Bracchi (PT) e Robério Paulino (PSOL) e o médico infectologista Petrônio Spinelli. 

Confira na íntegra a transmissão das manifestações no Rio Grande do Norte:

 

 

 

 

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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