CIDADANIA

Grito por memória ao jovem Giovanni Gabriel afirma que sem justiça não haverá paz

Sem Justiça, sem paz”. O sentimento levou mais de uma centena de pessoas às ruas do Guarapes, zona oeste de Natal. O ato realizado na tarde deste sábado, 5, reuniu familiares, amigos e moradores do bairro por justiça e memória do adolescente Giovanni Gabriel, assassinado exatamente um ano antes, por policiais militares. Estampada em camisas e cartazes, as lembranças do jovem de 18 anos foram entoadas por palavras de ordem durante o cortejo que finalizou com um ato cultural na Praça Guarapes.

Gabriel saiu de casa na manhã do dia 5 de junho de 2020 para ir de bicicleta à casa da namorada, em Parnamirim. Mas não chegou. Populares registraram em vídeo o momento em que o adolescente foi pego por policiais militares. “Meu filho não teve defesa. Eles pegaram e mataram meu filho em 15 minutos”, afirma a mãe do Gabriel, Priscila Sousa.

O corpo só foi encontrado no dia 14 de junho. Segundo a Polícia Civil, Gabriel teria sido confundido com outro jovem negro, acusado de cometer um assalto. “Estamos aqui para pedir justiça. Os covardes que cometeram esse crime merecem ir a júri popular”, cobra Priscila Sousa.

Quatro policiais, que não tiveram os nomes divulgados, estão presos e serão ouvidos pela primeira vez por um juiz nesta segunda-feira, 7. O advogado da família, Hélio Miguel, que acompanha o caso desde as buscas pelo corpo, lembrou que os policiais só foram presos depois de flagrados tentando apagar vestígios do crime no local onde foi encontrado o corpo de Gabriel, em um terreno em São José de Mipibu.

Após o sequestro, assassinato e ocultação do corpo, foram familiares e amigos que iniciaram a busca por Gabriel e chegaram a encontrar suas sandálias em uma área de vegetação em Parnamirim. “Ninguém da estrutura do Estado ajudou. Só quem estava ao meu lado era a população”, reclama Priscila.

Para os manifestantes, não houve engano, quem matou Gabriel e continua matando outros jovens negros nas periferias é o racismo institucional. “Sempre confundem, entre aspas, a nossa cor. Sempre confundem, entre aspas, o nosso bairro. Sempre confundem, entre aspas, o que está em nossa mão. Porque eles acham que todo morador da periferia é perigoso, é bandido. Eles acham que o povo pobre, preto, da favela é perigoso, é bandido e merece morrer. É por isso que afirmamos aqui que nossas vidas pretas importam e não vamos aceitar nenhum tombamento”, afirmou Samara Martins, vice-presidente nacional da Unidade Popular.

Além dos familiares, amigos e moradores do bairro, o ato contou com a participação de movimentos populares, como o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento de Luta por Moradia Popular, do DCE  José Silton Pinheiro e Centros Acadêmicos da UFRN, de lideranças e militantes da Unidade Popular, e da deputada federal Natália Bonavides (PT).

Foto: Luisa Medeiros

O ato marca um ano da morte desse jovem negro que foi assassinado e tinha tantos sonhos que foram interrompidos. A gente está aqui para dar essa força, para estar junto à família que há um ano vem passando por esse momento tão triste e difícil”, disse Natália Bonavides.

 

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