CIDADANIA

Grupo virtual #EleNão vira diário com relatos de crimes contra mulheres

Relacionamentos abusivos, estupros, miséria, mas também formaturas, ascensão profissional, recomeços, amor de qualquer jeito. O grupo no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” se tornou um grande livro de histórias de força e resistência daquelas que mobilizaram o país inteiro no movimento #EleNão contra a misoginia, o racismo e a homofobia presentes no discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O ambiente virtual com cerca de 3,5 milhões de mulheres é fechado, mas uma das administradoras alerta sobre a possibilidade de vazamento do conteúdo compartilhado por perfis infiltrados e comenta que é possível apagar os textos a qualquer momento para preservação da identidade.

As publicações sobre a conjuntura política e medidas que ferem direitos sociais continuam sendo feitas, mas a rede de apoio entre as integrantes toma destaque.

“Eu saí da escola por volta de 18h45, já era escuro, mas nos 3 anos que estudei lá, sempre fiz a mesma rotina. Nas proximidades haviam vários carros estacionados, e no momento que passei por eles ouvi alguém dizer alguma coisa. No instante que parei de andar, fui puxada, encurralada entre dois carros por um homem, e então percebi: aquele dia seria minha memória MAIS dolorosa. Ele pressionava meu rosto contra uma cerca, me impedindo de qualquer grito, me dizia que não iria demorar, me insultou de TODAS as maneiras possíveis; incessantemente ele forçava minha roupa a sair(…)”, escreve em longo relato uma jovem que sofreu violência sexual aos 17 anos.

Outra integrante do grupo, após escrever sobre um histórico de sofrimento familiar, casamento precoce, aos 11 anos, problemas de saúde e envolvimento com o tráfico na adolescência, diz: “Vendo cada relato decidi procurar um psicólogo para melhorar, por ser uma mãe melhor para minhas filhas e voltar a estudar, estou começando a acreditar que eu ainda posso me formar e ser alguém para minhas filhas… Desculpem o textão mas precisava desabafar e agradecer a vcs por me fazerem enxergar q ainda ha chance de tudo melhorar…” (sic)

O que está acontecendo nesse grupo é realmente revolucionário”, comentou uma participante no grupo que aceita brasileiras, residentes no país ou não, que se identifiquem com o movimento de resistência a retrocessos sociais.

“Felizes as mulheres que venceram as competições entre si e aprenderam o valor da ajuda mútua”, diz post que lembra a chegada de 2019, um ano de luto para os que se opõem ao discurso da extrema direita no Brasil, mas também de fortalecimento das lutas.

Imagem compartilhada no grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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