OPINIÃO

Guedes e Bolsonaro contra o SUS: sociedade reage e o mandrião recua

Guedes e Bolsonaro parecem dormir com demônios que instigam o ser humano a fazer maldade. Não que eu acredite em santos e demônios, mas é revelador que essas duas figuras obsoletas e decrépitas se comportam como agentes da destruição e cumpram sua tarefa sofregamente. Não há um setor da sociedade que não tenha sofrido um ataque dessa dupla diabólica; não há limites para que um, o economista medíocre, sustente a mente doentia do chefe de Estado que tem dificuldades em expressar mais do que uma frase conexa.

E o que essas duas criaturas fizeram agora? Em 26 de outubro, três dias atrás, produziram o Decreto 10.530, publicado no Diário Oficial no dia seguinte que simplesmente propõe a retirada das unidades básicas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) para que sejam incorporadas no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pela Lei nº 13.334, de 2016, já no governo Temer e cujo objetivo CLARÍSSIMO é : ampliar as OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO E EMPREGO E ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E INDUSTRIAL; garantir a expansão com qualidade da infraestrutura pública, com TARIFAS ADEQUADAS AOS USUÁRIOS; promover ampla e justa competição na celebração das parcerias e na prestação dos serviços.

Então porque o governo quer estabelecer “(…) política de fomento ao setor de atenção primária à saúde, para fins de elaboração de estudos de alternativas de parcerias com a iniciativa privada para a construção, a modernização e a operação de Unidades Básicas de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”? O que as unidades básicas de saúde têm a ver com essa proposta da dupla Guedes-Bolsonaro? Nada.

A secretária especial do PPI, Martha Seillier, declarou que “sabemos que falta estrutura de UBS em diversos municípios brasileiros. Infelizmente, das obras contratadas no passado, muitas delas não foram finalizadas”, ressaltou a burocrata bolsonarista que, usando a lógica doentia de Guedes completou, “Por isso, acreditamos que o modelo de PPP pode contribuir muito nesse sistema de UBS do Brasil, para que a gente possa, via parceria com empresas privadas, finalizar esses empreendimentos, construir novas UBS e equipá-las. E ter um serviço de excelência para a população”, afirmou a ignorante, que nunca deve ter lido nada sobre o SUS.

Entretanto não achem que Guedes é um alucinado. Nada disso. Esse decreto, que sequer tem a assinatura do ministro da Saúde, o patético Pazuello, segue a lógica destrutiva do Teto dos Gastos, aprovado e promulgado em dezembro de 2016, que vem tolhendo a iniciativa governamental em termos de expansão das suas atividades de atenção ao público e encolhendo o Orçamento da Saúde. Guedes aliou sua doentia vontade de acabar com a saúde pública no BraZil, com um dispositivo constitucional que significa a destruição do Estado.

Após o anúncio do decreto houve uma “insurgência cidadã” e Bolsonaro recuou, mesmo defendendo o decreto, e não sem antes colocar o paspalhão Pazuello na roda, ao afirmar que o pedido de inclusão das UBS no PPI foi do próprio Ministério da Saúde. Centenas de lideranças políticas, entidades nacionais e locais ligadas à saúde, artistas e pessoas comuns foram às redes sociais e criticaram o Decreto e formou-se o chafurdo que Bolsonaro tanto gosta. O mandrião conseguiu mais um dia de banzé no país em que mais de 500 pessoas morrem todos os dias vitimados pela COVID-19.

Pobre BraZil.

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