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Hildegard Angel recebe certidão de óbito da mãe e do irmão, assassinados pela ditadura

Depois de anos lutando para que a certidão de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, e de seu irmão, Stuart Angel, fossem retificadas, Hildegard finalmente recebeu os papéis alterados. Dessa vez, com as informações corretas. Quase 50 anos depois da morte dos dois, em crime de autoria da ditadura na década de 1970, a jornalista agora tem o reconhecimento do país de que seus familiares tiveram “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro”.

“Agora recebemos os dois documentos. É mais uma página, uma conquista importante, nessa longa e triste história. Doravante, com estes documentos, poderemos contestar informações inverídicas que volta e meia são divulgadas na imprensa, e agora até em livro supostamente ‘de História’”, contou a jornalista à Fórum.

Hildegard ainda compartilhou que ambas as certidões de óbito já existiam. No entanto, com informações falsas – de acordo com ela, tratava-se de uma tentativa clara do Estado de apagar os danos reais da ditadura. “Stuart morreu em 1971. Mas, para o estado, era um desaparecido”, contou. Stuart Angel era militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e foi preso no Rio de Janeiro. Depois, o irmão de Hildegard foi levado para a Base Aérea do Galeão, onde foi brutalmente torturado e não resistiu, vindo a falecer em 14 de maio de 1971, cinco anos antes de sua mãe.

A primeira vez que Hildegard teve chance de recorrer a uma certidão de óbito de seus familiares veio após a Comissão de Mortos e Desaparecidos ter reconhecido oficialmente a morte de Stuart, em 1998. Na época, no entanto, a informação ainda era que Stuart desapareceu no regime. “Só a partir da conquista de Lígia Jobim, em 2018, que conseguiu o reconhecimento oficial, na certidão de óbito, de que seu pai, o embaixador José Jobim, foi morto pela ditadura, abriu-se a possibilidade de ter uma certidão de óbito como Stuart merecia ter”, completou a jornalista.

Assim, a família fez a solicitação. Durante o processo, ficaram sabendo que Zuzu também poderia ser retificada, fazendo constar a causa mortis correta, isto é, morte provocada pelo Estado, e não “acidente automobilístico”, como foi acusado na época.

Zuzu morreu em um acidente de carro planejado pela ditadura em 1976, na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado (RJ). Segundo depoimentos, ela teria sido jogada para fora da pista por um carro pilotado por agentes da repressão.

As certidões podem ser conferidas no site da Revista Fórum.

*Por Revista Fórum

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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