CIDADANIA

Homem armado que ameaçou mulheres em ato diz que estava sendo linchado e poderia ter morrido

Betuel Silva Chagas, de 39 anos, filiado ao PSol, disse que puxou a arma da cintura porque estava sofrendo linchamento e temia ser morto. A discussão começou quando ele passava de moto e se incomodou com uma manifestação do Agosto Lilás realizada no centro do Alecrim em memória da Joice Cilene, morta a facadas duas semanas antes naquele centro comercial.

“Quando eu vi uma das líderes, que eu conhecia, fui lá dizer que aquilo não é bom, porque joga a sociedade contra. Eu estava indo pegar meu filho na Zona Norte, voltei pra moto e fiquei lá muito tempo até que tentei passar devagar, com os pés no chão”, contou Betuel, que é vigilante patrimonial e disse conhecer “duas ou três” pessoas do partido ao qual se filiou em 2014.

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De acordo com ele, posicionaram bicicletas na frente da moto para que não passasse e pessoas o atingiram com cruzes de madeira nas costas e na cabeça, por isso mostrou a arma. O vigilante diz ainda que as companheiras do partido poderiam ter pedido para pararem com as agressões, mas ficaram de braços cruzados.

“Foi um momento de reação que tive pra me defender, pra resguardar a minha vida. Se não fosse isso, talvez eu tivesse morrido. Não apontei a arma pra ninguém e quando se afastaram eu fui embora”, disse, acreditando que o seu ato não será tipificado como ameaça. Betuel chegou a dizer que estava calmo, prova disso, segundo ele, é que não atirou nem para o alto.

Depois disso, Betuel foi ao posto policial na Praça do Relógio e comunicou o fato, fazendo boletim de ocorrência. À Agência Saiba Mais, disse que existe um vídeo mostrando que foi agredido antes de sacar a pistola, mas não enviou as imagens até a publicação desta matéria.

O homem disse ainda que “é salutar você lutar pelo que entende que é bom”, mas não pode obstruir o direito de ir vir das pessoas.

Questionado sobre a importância da luta pela vida das mulheres e a legitimidade de manifestações nas ruas, prática constante de militantes de esquerda, Betuel disse que “tem que lutar pela causa” e que já participou de movimento grevista.

Lembra que um dia também ele fechou uma rua reivindicando direitos, mas que seu grupo procurou deixar acesso livre e comunicou à Secretaria de mobilidade Urbana (STTU). “Causa transtorno? Causa porque o trânsito fica mais lento, mas não pode travar tudo”, disse, ignorando que durante o ato, ficou disponível a conversão à esquerda para que os veículos pudessem desviar e seguir o caminho por outras vias. A STTU foi comunicada formalmente.

As organizadoras da marcha disseram que o agressor foi o único motociclista a ficar esperando. As motos e carros seguiram por outra rua e apenas alguns veículos e ônibus, que tinham que manter o itinerário, permaneceram no local.

Veja cena da ameaça:

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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