CIDADANIA

Igapó é o bairro onde as pessoas mais morrem por covid em Natal

Os moradores de Igapó morrem mais por covid-19 do que as pessoas de outros bairros em Natal, no Rio Grande do Norte. De acordo com o Laboratório de Inovação de Tecnologias da Saúde – LAIS, a taxa de letalidade desse território localizado na Zona Norte é de 12,37%, muito acima da média da capital potiguar: 3,23%.

Felipe Camarão aparece em segundo lugar, com taxa de 4,51%, seguido de Mãe Luiza, com 4,29%.

Para o pesquisador do LAIS Rodrigo Silva, o dado constata que onde as comunidades são mais pobres, cresce a mortalidade pela doença; por ser mais difícil o acesso à saúde e pelas condições de vida, em que as pessoas têm mais chances de acumular comorbidades.

“É uma parcela que depende extremamente do SUS. Quando você observa, apesar de ser um bairro grande, só tem uma unidade de saúde básica, não tem UPA e o hospital mais próximo seria o Santa Catarina, no conjunto Santa Catarina, bairro Potengi. Existem vários fatores socioeconômicos que me fazem observar Igapó com uma visão mais cautelosa”, explicou.

De acordo com Censo Demográfico 2010, Igapó tinha 28.795 moradores. A média era de 3.39 pessoas por residência, a maioria vivendo em casas, 82,52%. Naquele ano, 45,38% do bairro tinha esgoto a céu aberto e em 9,47% não havia iluminação pública.

Segundo o levantamento do IBGE, a média de rendimento mensal era de 0,95% salário mínimo, enquanto a média em Natal era de 1,78%.

Rodrigo Silva também observa que a população residente em bairros limítrofes pode estar mais exposta:

“É um bairro de passagem, fica às margens da BR-101 Norte, avenida Tomaz Landin. Ele é a porta de entrada de Natal pra São Gonçalo, Extremoz, Ceará-Mirim – para o aeroporto”.

Igapó também é responsável pelo maior percentual de óbitos da capital, 11,61%. O pesquisador chama atenção para os índices de casos confirmados nos bairros, pois Igapó não está no topo desse ranking, ele é o 16º, sendo responsável por 3,01% dos casos confirmados. Potengi e Lagoa Nova são os que possuem maior número de casos, com 7,32% e 7,28%, respectivamente.

 

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais