CIDADANIA

Incêndio em área de proteção ambiental e indígena do RN devasta 2.700 m² de mata ciliar

A área de proteção ambiental – APA Piquiri-Una, no município de Canguaretama, foi atingida por um incêndio que se prolongou pela terça-feira (5), atingindo cerca de 2.700 metros quadrados de mata ciliar, em vegetação que protege o rio Catu, segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Norte.

O fogo começou a partir de uma plantação de cana-de-açúcar se espalhando pela região onde há predominância de Mata Atlântica a até 50 metros do rio. A área é habitada pela comunidade indígena Catu, que ajudou a conter o fogo junto ao Corpo de Bombeiros.


“O rio Catu além de estar na APA, dentro do plano de manejo tem uma importância biológica muito alta. Na região tem grandes barragens e é uma área muito importante para segurança hídrica”, explicou o subcoordenador da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, Dalchem Viana, lembrando que relatório produzido em 2020 já apontava que o avanço da exploração da cana, além de atingir a Mata Atlântica acaba devastando a mata ciliar.

De acordo com Dalchem, novo relatório será produzido após mais esta queimada, apresentando novos dados e salientando a relevância de medidas fiscalizatórias efetivas a órgãos como à Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), Instituto de Gestão de Águas (Igarn) e Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).

Viana lembra que a região atingida é prioritária para monitoramento. Tanto por ser uma área indígena, quanto por ser de proteção ambiental. Também destaca que queimadas devem ser autorizadas. “As usinas tem que ter autorização, sobretudo em área de proteção ambiental precisam de autorização”.

No final de agosto, o Governo do RN lançou o Plano Estadual de Prevenção Ambiental e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais – RN Sem Chamas. De acordo com o coordenador do Núcleo de Gestão de Unidades de Conservação do Idema, Rafael Laia, a APA Piquiri-Uma permitido o uso direto e sustentável, podendo abrigar residências e atividades econômicas. “Isso depende do zoneamento da unidade, um mapa que está dentro do plano de manejo e deve ser obedecido”, destaca.

“É necessário um serviço investigativo. É preciso identificar se foi criminoso e só a partir daí podemos pensar em alguma medida, seguindo a linha do que foi lançado no RN Sem Chamas”, conta Rafael, citando a iniciativa governamental que além de prevenir e combater o surgimento de queimadas, prevê também um trabalho de investigação com parceria também dos Bombeiros, Instituto Técnico e Científico de Perícia (Itep), Polícia Militar, Defesa Civil e Polícia Civil, além de colaboradores como Ibama, Caern e as Secretarias de Meio Ambiente dos municípios.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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