OPINIÃO

Infeliz aniversário, despresidente!

Ontem, domingo, o despresidente do Brasil, Jair Bolsonaro completou 66 anos. Em plena pandemia e com sistema de saúde em colapso em quase todo o país, estava sorridente, colocou a mão num espelho d’água de maneira performática, falou animadamente com apoiadores e ofereceu bolo a pessoas aglomeradas em prol da “celebração”. A alegria na face do pequi roído, digo, genocida, deve ter sido porque no mesmo dia do seu natalício o Brasil totalizou 292.852 mortos em um ano de pandemia.

Logo chegaremos aos 300 mil e, com essa necropolítica do desgoverno federal, negacionismo de parte da sociedade e vacinação extremamente lenta chegaremos a maio – mês do meu aniversário – com 500 mil mortos, meio milhão de brasileiros vitimados pelo Covid-19, mas também pelo sadismo do despresidente.

Sobre celebração e alegria em tempo de pandemia, é certo que todos nós podemos e devemos comemorar  – inclusive publicamente – nossas pequenas alegrias e vitórias ainda que em tempos difíceis e com pessoas próximas vitimadas pela doença. Celebrar um casamento, um aniversário, uma conquista profissional, cultural ou acadêmica, um nascimento, um prêmio, são maneiras de mantermos a sanidade e humanidade em período de tanta dor e morte.

Mas nossas celebrações acontecem apesar do Covid e do caos, como maneira de contrapormos aos caos. Bolsonaro celebra, e não só no aniversário dele mas diariamente, justamente o caos. Ele debocha de mortes e de internados, faz piada em dia de recordes de óbitos. Ela gosta da morte, como tantas vezes como candidato e deputado medíocre, já externou.

Tão horripilante e grave como o desdém, ou melhor, o culto do despresidente à morte (seja morrida, como os infectados pelo vírus, como matada, como ele falava que queria fuzilar FHC ainda nos anos 90) é que milhões de seguidores pensam o mesmo. Debocham nas redes sociais e em seus núcleos da doença, envergam orgulhosamente um negacionismo letal (para eles próprios e para seu entorno) e parecem celebrar diariamente a morte de tantos brasileiros. “Bolsonaro é líder de uma seita que está levando milhares à morte”, como Rui Costa, governador da Bahia, em entrevista na Globo News, sinteltizando de maneira exata a relação (que não é política) entre o bolsonarismo e seus apoiadores. Mas, aí é tema para um outro texto.

Diante disso tudo, além de lamentar e de lutar pela deposição de tal sociopata, o que podemos desejar a um genocida, ou assassino, para usar palavra mais usada pela maioria da população, é um infeliz aniversário. Que seja o último que celebra no cargo em que só chegou graças à conjuntura gerada por um golpe parlamentar-jurídico-midiático e pela prisão injusta do líder nas pesquisas. Infeliz aniversário, presidente, e neste desabafo eu até poderia desejar que o choro das famílias das vítimas de Covid ecoe em sua alma. Mas, aí lembrei que você não tem uma.

 

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