OPINIÃO

Inversão de valores

A polarização política atualmente no Brasil tem criado alguns monstros que andam provocando estragos de toda ordem entre pessoas e no seio de muitas famílias. A transformação do apoio político num verdadeiro duelo de sangue, principalmente nas redes sociais, nos mostra uma inversão de valores profunda a ser estudada por antropólogos, sociólogos e cientistas políticos, para quem sabe um dia, a história poder nos decifrar com mais precisão esse hiato de tempo da segunda década do século 21.

O discurso fabricado como estratégia política alcançou em cheio a desesperança de uma boa parcela da sociedade brasileira, que cansada e sofrida com as escancaradas estripulias de políticos, servidores públicos e empresários no mensalão e na lava jato, passaram a enxergar uma luz no fim desse túnel chamado Brasil, acreditando, mais uma vez, que a esperança em tempos melhores venceria o medo, essa vez, em lado oposto ao que a frase transformada em slogan lá atrás, fez o país acreditar num tempo realmente novo.

Passada a euforia da vitória da propalada nova política e um ano e cinco meses depois do novo governo já instalado, o brasileiro aos poucos, vai saindo daquele estado de êxtase e alta confiança ao começar assistir a um velho, mas atualizado filme. Cada vez mais, o debate sobre Brasil, perspectivas futuras, inserção geopolítica e econômica no mundo globalizado vai se distanciando da mesa do debate principal para ceder lugar a discussões menores, propostas de artifícios e estratagemas que estão levando a nação por uma estrada difícil de compreensão e sem sinais claros de aonde vamos exatamente chegar.

É indiscutível que o Brasil está menor. A pandemia do vírus mortal, a quem muitos acreditam que seja sinais divinos ou mesmo da mãe terra, sinalizado para a humanidade que nada vai bem e precisa de uma nova ordem de estrutura, veio para atrapalhar ainda mais as perspectivas para a reconstrução de um país como todos desejam. O efeito surpresa, ou nem tanto, mostrou o despreparo geral da administração pública e dos nossos governantes que até aqui, não conseguiram de forma efetiva, apontar caminhos novos para sairmos da crise e podermos sonhar com aquele Brasil do futuro tão desejado.

Ao contrário disso tudo, o que vemos é o descrédito internacional sobre nós aumentar, nos tornamos motivo de chacota em charges quase que diárias em jornais e sites pelo mundo afora, queda de ministros da saúde enquanto o debate maior passa a ser o uso ou não de medicamentos sem efetividade de cura comprovada, arroubos de intolerância e festivais diários de agressões a profissionais da mídia e a quem pensa diferente e discorda do caminho em curso.

Os valores gerais da sociedade brasileira estão se invertendo a cada nova ação da estratégia de desconstrução e negacionismo que se instalou por aqui. O nome de Deus nunca foi tão usado em vão, ferindo preceitos estabelecidos nas tábuas que Moisés pegou lá no ato do monte. A sobriedade, o equilíbrio e a civilidade cedem lugar aos absurdos que assistimos diariamente no Brasil. E o pior: de lado a lado.

 

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