OPINIÃO

Islândia: um destino de reflexões e grandes lições

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Eu precisava e fui em busca de descanso. Encontrei um país exuberante em natureza, não diferente do Brasil em beleza, e me questionei sobre tantas diferenças. Vi, refleti e aprendi além das minhas expectativas com esse singular país do continente europeu.

Por sorte, depois de alugar um carro elétrico, sem poluição, conheci vários lugares ao redor da Lagoa Azul. Na Lagoa Azul, com águas termais, consegui permanecer por duas horas. Da piscina de água reciclável, deliciosa, você sai completamente relaxado.

Para minha surpresa, a lua estava linda. Às 23h, fomos convidados a observar a aurora boreal. Fenômeno raro, não acreditei! Era o meu dia de sorte! Aquela luz verde começou a clarear o céu, e quando me dei conta estava de pés descalços no chão gelado e num frio enorme. Senti a presença de Deus!

O que mais marcou e chamou atenção, no entanto, foi muito além das sensações vividas diante da sua natureza exuberante… Para mim, a beleza da Islândia não está nas cachoeiras ou nas erupções que vêm da terra, mas na educação do seu povo, na igualdade da renda e na preservação do meio ambiente… no direito à igualdade entre as pessoas, na civilização que buscamos.

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Na volta para Londres, o avião enorme estava lotado de pessoas de diferentes nacionalidades – principalmente da raça amarela, que tendem a dominar o mundo. Nesse momento questionei os rumos que o Brasil está traçando em busca de desenvolvimento com sustentabilidade.

Estamos no caminho inverso? O que será de nós? A era primitiva? Na Islândia não percebi um guarda na rua, porque os crimes são combatidos pelo Legislativo, com leis rígidas prevendo a aplicação de multas. A inteligência, a tecnologia e a educação são essenciais para qualquer sociedade desenvolvida.

O mundo descobriu a Islândia através da erupção do vulcão, em 2010. O país ficou arrasado. É certo que a população é pequena e está situada no continente europeu. Mas…

O Brasil é rico, país continental, população enorme, etc. Todavia, precisamos preservar nossas riquezas naturais, lutar pelos direitos humanos e civilizatórios. Precisamos lutar pelo bom combate. Não podemos entrar no discurso neoliberal e antidemocrático de uma sociedade atrasada e de tradição escravocrata. O estrangeiro médio pode querer a exploração e deixar a ruína, mas o estrangeiro consciente ultrapassou esse estágio e busca alternativas para uma sociedade sustentável, porque entendeu que os recursos são finitos.

Interessante que é difícil encontrar brasileiros na Islândia. Encontramos com portugueses e logo sentimos que todos estão penalizados com nossa situação. Normalmente o diálogo começa assim: um país tão rico, bonito, mas… pois é! Nesse “mas” a gente percebe que muitos esperaram mais, muito mais do nosso país. Eu também, e você?

Desse destino levo uma grande lição: temos muito a aprender com a Islândia.

Maria Virgínia Ferreira Lopes

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