TRANSPARÊNCIA

Isolamento eleva em 200% a violência sexual contra crianças e adolescentes no RN, aponta especialista

O isolamento social como medida preventiva tem sido apontado por especialistas da saúde no mundo inteiro como a estratégia mais responsável para diminuir a propagação da doença respiratória causada pelo novo coronavírus. Mas para muitas crianças e adolescentes em situação de violência sexual, a quarentena pode levar a convivência por mais tempo do que o comum com o agressor, o que fez aumentar o número de casos no estado.

Dados do Dossiê Infâncias Violada apontam crescimento de 200% de estupros a vulneráveis este ano no Rio Grande do Norte com o agravamento da pandemia. Os números foram apresentados pela advogada da Casa Renascer, Jéssyka Basílio, em entrevista ao programa Balbúrdia nesta quinta-feira, 13.

Segundo a especialista, o documento elaborado pelo Centro de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA) Casa Renascer está em fase de finalização e será apresentado à sociedade potiguar neste mês, quando se destaca o combate ao abuso de crianças e adolescentes com o Maio Laranja. “Um assunto que a gente precisa pautar porque muitas vezes é invisibilizado”, afirmou Jéssyka.

Para ela, os marcadores presentes no perfil das crianças e adolescentes que sofrem a violência sexual no Brasil são de gênero, classe e raça. Além da pobreza, “a maioria das vítimas de abuso sexual são também pessoas negras”.

O machismo também é apontado como umas das principais causa de violência. “A violência contra a mulher não começa na vida adulta, começa na infância”. O problema, para a especialista, é que a sociedade muitas vezes invisibiliza e não ouve a criança ou adolescente, principalmente meninas, que não tiveram uma rede de proteção, que sentiram medo de compartilhar os abusos com a família, ou contaram e foram desacreditadas. Ainda existe a culpabilização da vítima ou o pensamento patriarcal e machista de que os adultos teriam licença para explorá-la.

Uma preocupação que a segunda edição do dossiê lançada com uma diferença de dez anos traz é sobre os artifícios da internet na prática desse crime. “A internet é um momento propício e anônimo à violência sexual contra crianças e adolescentes”, avalia.

Jéssica falou ainda dos desafios para o combate ao crime de violência sexual contra crianças e adolescentes, da importância de uma atuação presente da rede de proteção das vítimas em todos os municípios e do papel do Estado.

Confere a entrevista na íntegra.

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