DEMOCRACIA, ENTREVISTA

Isolda Dantas: “A Assembleia Legislativa precisa de deputadas feministas”

Exercendo o primeiro mandato como vereadora de Mossoró com foco na defesa dos Direitos Humanos, das mulheres e da comunidade LGBT, Isolda Dantas (PT) ficou abalada com a execução da colega Marielle Franco (PSOL/RJ). Cientista social por formação, ela acredita que as causas do assassinato da vereadora carioca têm relação com questões estruturantes na sociedade, como racismo, machismo, patriarcado e a disputa de classe.

Na entrevista especial desta segunda-feira (19), Isolda Dantas fala sobre as possíveis consequências da morte de Marielle para novas lideranças femininas do país, avalia o primeiro ano de mandato em Mossoró, critica as gestões da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e do governador Robinson Faria (PSD) e fala das pretensões em disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em outubro, representando as mulheres.

 

Agência Saiba Mais – O assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco chocou o país semana passada. Na sua avaliação, que consequências a morte da Marielle pode ter na relação da militância de novas lideranças com a luta em defesa pelos Direitos Humanos daqui para frente ?

Isolda Dantas – Nós que somos ativistas não podemos deixar isso abalar as futuras lideranças. Nossa juventude de esquerda tem muita consciência disso. Se era um sinal de que poderiam nos calar nos parlamentos e nas ruas, eles erraram. A morte de Marielle não será em vão. A repercussão servirá de combustível, de esperança.

 

Assim como a Marielle, você também é mulher, está no primeiro mandato de vereadora e milita na área de Direitos Humanos…

Fiquei muito abalada, sei o significado disso para nós que vivemos num parlamento patriarcal, especialmente a Marielle, que era negra e vem de um local cheio de preconceito, como a favela. Agora isso serviu pra gente se refortalecer na luta. Fizemos uma nota na Câmara Municipal de Mossoró e fiz uma fala muito forte sobre violência. O contexto envolve questões muito complexas, estruturantes, como racismo, machismo, patriarcado, (a disputa) de classe. São muitos elementos estruturantes envolvidos. Claro que não podemos deixar de considerar que (o crime) está envolvido também com o golpe, essa liberdade de destilar ódio sem nenhuma pena. O golpe liberou esses sentimentos, esse racismo, e esse ódio em relação aos direitos humanos.

 

Uma semana antes da morte da Marielle, uma polêmica na UFRN também ganhou repercussão nacional. Uma aluna foi impedida pelo professor de Ciências Sociais Alípio Filho de assistir aulas com a filha de 5 anos. Como cientista social, que avaliação você faz daquele episódio ?

 Olha, para nós que somos cientistas sociais é mais doloroso. Não tem como você produzir ciência que não seja olhando para o que está ao redor. A ciência não é algo que não saia do meio das pessoas que estão produzindo. O professor perdeu o senso e faltou capacidade para interpretar, logo ele que deveria ser o mais capacitado ali. Ele cometeu um erro gravíssimo, são essas coisas, essas bizarrices que a gente é obrigada a conviver, isso é tão bizarro quanto a violência contra a mulher, quanto o feminicídio. O feminismo se justifica por todas as razões. Quando você coloca a lente do feminismo para enxergar o mundo há uma justificativa necessária.

 

Você é a única vereadora de esquerda da Câmara Municipal e foi a eleita a melhor parlamentar logo no primeiro ano de mandato. O que isso representa para você ?

 O melhor foi ter sido reconhecida como a vereadora mais produtiva. Acho importante porque foi num tempo de golpe, numa cidade conservadora… e uma feminista, mulher de esquerda, “zoadenta” e atrevida como eu ganhar, é uma surpresa.

 

Ser a única representante da esquerda é um peso ?

Tem a coisa da sobrevivência, de não pode botar o dedo na cara de todo mundo, mas colocar o dedo na cara quando é necessário. É importante porque trazemos pautas novas. Não esperava ganhar, especialmente com o conservadorismo tomando conta de tudo. Mas isso mostra para a sociedade que é possível, que uma pessoa de esquerda pode fazer um bom mandato, que a esquerda não é apenas falar no megafone na rua… a gente sabia que faria um bom mandato, mas não esperava que a repercussão foi tão grande.

 

Quantos projetos de lei você apresentou ?

Definimos como estratégia apresentar um projeto de Lei por semana porque você também gera o debate naquela semana. Fazemos pesquisa de bons mandatos pelo país, olhamos as ideias e adaptamos aqui. Foi assim que conseguimos aprovar, por exemplo, o Dia Municipal da Visibilidade Lésbica e outros projetos.

 

Qual a maior dificuldade de encaminhar as demandas do mandato sendo oposição ?

Mossoró renovou muito a Câmara Municipal, entraram 13 vereadores novos. E a oposição tem sete vereadores, entre os quais fui escolhida líder desse grupo. Era um caminho para que eu não ficasse sozinha. A liderança foi importante para aprovar projetos. Também conseguimos aprovar a semana da Consciência Negra, calendário e emendas para o orçamento que são importantes para comunidade LGBT, embora a Prefeitura tenha vetado a Casa Abrigo. Tem muito projeto tramitando…

 

Qual você destacaria nesse primeiro ano de mandato ?

Acho que o projeto Lei de sementes, para a zona rural. A prefeitura compra sementes para doar a quem não tem. Nosso projeto quer incentivar os bancos de sementes dos trabalhadores, para que a prefeitura de Mossoró compre desses pequenos agricultores em vez de comprar de empresários. Ou seja, vai comprar de quem produz de forma orgânica, até para permitir o equilíbrio ideológico. É um projeto ousado, que precisa de uma articulação grande porque interfere no lucro da empresa. Fizemos parceria com o deputado estadual Fernando Mineiro, que criou o mesmo projeto para o Governo do Estado, mas é importante porque nos municípios é a prefeitura a responsável. Outro projeto importante também tem relação com a merenda escolar. Hoje a prefeitura é obrigada a comprar 30% da merenda junto à agricultura familiar, a ideia é que esse percentual seja ampliado para 50%.

 

A prefeita Rosalba Ciarlini tem o controle da maioria da Câmara. Como tem sido o enfrentamento à atual gestão ?

Por incrível que pareça a oposição hoje é uma das maiores que a Câmara já teve. Com sete vereadores, podemos abrir até Comissão Especial de Inquérito (CEI). Costumo dizer que vereador de oposição está a preço de ouro. Se tirar um dos sete inviabiliza qualquer CEI. Todo mundo apostava que a oposição não sobreviveria.

 

Você imaginou que fosse liderar vereadores de partidos de direita sendo uma representante da esquerda ?

Temos divergências, pautas diferentes, mas somos oposição, temos unidade nessa área. E também não é por ser da oposição que eu não vá ter divergência, mas é uma estratégia de sobrevivência. Investi muita energia nessa liderança durante o primeiro semestre do ano passado. Decidimos ficar dentro da Câmara para aprender como funcionava. Organizamos até o tempo da tribuna de cada um. Mas no segundo semestre entreguei a liderança porque precisava sair pra fazer o trabalho fora da Câmara, visitar comitês, escolas… Então foi importante estrategicamente.

 

Você diz que faz política de um jeito novo. Como uma cidade administrada durante vários anos por uma única oligarquia tem reagido a esse projeto ?

 Quando a gente começou a campanha, ficávamos na expectativa de como a cidade iria reagir. Mossoró, da mesma forma que tem aspectos libertários, é muito mais conservadora que libertária. Nossa campanha foi com militância, mas a cidade foi abraçando a campanha de um jeito que não sei explicar… tínhamos informação que uma enfermeira de uma comunidade rural grande estava pedindo voto para nós. Eu não conhecia a mulher, mas ao me apresentar ela disse que tinha me visto na televisão, que havia gostado das propostas e que acreditava no nosso projeto. Chegou um momento em que perdemos o controle, não tinha nem material que desse conta.

 

Como equilibrar as demandas da cidade e das comunidades rurais num município polo, como Mossoró ?

Geralmente o rural é o que sobra da cidade, mas precisa ser pensado junto. Temos um debate muito forte sobre isso, queremos construir algo mais robusto para a cidade discutir esse problema. Decidimos mudar algumas expressões. Transporte urbano, para nós, tem que ser mobilidade pública porque quem está na zona rural precisa se locomover tanto quanto quem está área urbana. Quando falam em transporte para as comunidades rural só pensam em ônibus, regularizar o moto-taxi, o uber… hoje Mossoró tem uma população flutuante de quase 400 mil pessoas de 62 cidades que usufruem a cidade. E o rural representa entre 15% e 20% dessa população. São mais de 130 comunidades rurais em Mossoró. É preciso pensar a cidade para eles também. Não podemos pensar rural depois de pensar o urbano. É difícil pensar o orçamento. Sei que não é um debate pequeno, nem um mandato de vereadora apenas vai resolver o problema, mas é importante expor.

 

Dentro da própria esquerda há uma crítica de que o discurso não chega na população. Seu mandato é focado para pessoas que se identificam com a esquerda ou tem conseguido ir além ?

Não é fácil encontrar mecanismos para furar a bolha. Temos feito um trabalho nas escolas para aumentar a consciência crítica e automaticamente alcançar essas pessoas que estão em processo de formação. Mas é difícil porque as pessoas hoje não escutam. Você vai conversar com o eleitor de Bolsonaro, por exemplo, e ele não lhe escuta. Você fala e ele entende o que ele quer, compreende o que ele quer. Temos que pensar além e procuramos contribuir minimamente para construir a consciência critica junto à juventude. Focamos na juventude que não necessariamente é de esquerda ou de direita.

 

Quais são os problemas de Mossoró ?

Estratégicos. Não há um plano diretor. A cidade cresce verticalmente e horizontalmente de forma desordenada. Há bairros sem transporte, saneamento, sem serviço de saúde, creche e escola. Mossoró tem prédios altíssimos, mas os bombeiros não tem uma escada que consiga chegar no topo do prédio. É um detalhe, mas é sintomático da falta de planejamento.

 

A saída da Petrobras também afetou bastante o município…

Outro problema é de emprego. A Petrobras foi a única aposta nesses 30 anos de ciclo econômico e produção. As administrações não criaram nenhum polo industrial. Mossoró já foi uma cidade rica, mas os investimentos foram reduzidos. Há quem defenda a venda dos poços maduros, mas a Petrobras não existe só para ter lucro, ela tem uma função social. E já estão fazendo leilões da venda de poços. Mossoró também é um grande exportador de sal, mas não se modernizou o suficiente e os gestores não buscaram construir outras formas de desenvolver a economia. O turismo, cultura… Mossoró daria várias rotas turísticas. Tem o problema ambiental também porque a população cresce e não sabe lidar com o lixo. A prefeitura fechou um contrato de R$ 12 milhões por seis meses com uma empresa para o transporte do lixo e a cidade vive suja. Mossoró tem um rio completamente poluído e poderia ser fonte de geração de emprego e renda e de sobrevivência da cidade. Para você ter ideia, Mossoró veio inaugurar o primeiro parque em 2016, isso é inadmissível para uma cidade de 300 mil habitantes. No orçamento, para o parque, tem 857 reais por mês. Não paga um único funcionário nem dá para trocar uma luz.

 

Com tantos problemas, por quê a família Rosado não sai do poder ?

O problema não é só estar na Prefeitura, é a hegemonia. Rosalba foi prefeita da cidade e recebia os royalties, numa época em que o valor era duas vezes maior que o Fundo de Participação do Município… foi tempo de glória. Tinha dinheiro para praça, teatro… é o status de mandar na cidade, tudo é Rosado em Mossoró. As ruas, o Teatro Municipal. Nas filigramas das coisas, esse status constitui-se numa coisa maior. A cidade sofre muito por isso porque tem problemas crônicos de uma cidade pequena, apesar de ser muito grande. Mas ao mesmo tempo é uma cidade muito gostosa de se morar. Tem coisas inovadoras, ousadas, desafiadoras, tem o lado dos Rosados, mas também tem o outro lado também: a resistência das pessoas.

 

Por falar em resistência, qual sua análise sobre a luta dos professores, servidores e estudantes da UERN pela sobrevivência da universidade ?

Mossoró hoje é uma cidade universitária. E não falo nem só da UERN e da UFERSA Há pequenas faculdades, o IFRN, tem muito foco de resistência. A UERN produz muita coisa bacana. É preciso entender o que significa uma universidade estadual. Sou graduada pela UERN com pós em gestão publica pela UnB. Mas a universidade é onde o filho do trabalhador consegue chegar, você precisa ver a quantidade de ônibus que chega todos os dias vindo de pequenas cidades. É ali que as pessoas tem acesso. A UERN mudou a vida de muita gente, a minha por exemplo. Na minha época era um computador para 10 estudantes, hoje é uma coisa muito maior. A UERN tem papel estratégico para o Rio Grande do Norte e o Estado precisa entender que ela precisa ser preservada. A lógica do Governo do Estado não existe. A universidade é gasto, para o governo golpista. Mas para nós é estratégico. Quantos profissionais não são formados pela UERN ? E essa lógica é de um liberalismo tão perverso que acabar com a UERN é um crime. A universidade é fruto. Não tem uma cidade no Estado que não tenha serviços relacionados com a UERN. Todos já nos beneficiamos e agora é hora de retribuir.

 

O que te levou para a política ?

Entrei na política com 13 anos de idade. Nasci em Patu, com 4 meses de idade vim para Upanema, onde morei até 8 anos. O PT de Upanema era muito organizado, Hugo Manso fazia muito curso de formação por lá na época. Em 1988, minha professora Socorro Oliveira se candidatou à prefeitura. O slogan era “Upanema pede Socorro”, achei muito bom e inspirador aquilo. Na escola eu tinha bons professores, minha irmã e meu cunhado eram do PT. Meu pai não era, pelo contrário, e minha mãe morreu cedo, quando eu tinha 9 anos. Depois fui para Maceió em 92 e um ano depois voltei para Mossoró.

 

É dessa época seu encontro com o feminismo ?

Em Mossoró entrei para o movimento secundarista e fui presidente do DCE na UERN. Encontrei com o feminismo em Mossoró, na época do centro feminista 8 de março, onde havia uma turma das mulheres da corrente do PT Democracia Socialista. Havia muito debate, palestras. Encontrei com o feminismo nesse processo.

 

Você é pré-candidata à deputada estadual em outubro. Hoje, dos 24 deputados, apenas três são mulheres. Que avaliação você faz da Assembleia Legislativa ?

A Assembleia precisa de mulheres e, especialmente, de mulheres feministas. Eu não entro na vibe de que mulher vota em mulher. Não é qualquer mulher que representa o que eu quero transformar na sociedade. Tem mulher que defende a pauta machista. Votar só porque é mulher ? É Rosalba ? Para mim não contempla. A Assembleia precisa de deputadas feministas, progressistas que consigam enfrentar o debate do que é o problema real.

 

E qual e o problema real do Estado hoje ?

Não é falta de recursos nem o chavão de que falta gestão. O governo Robinson tem gestão, mas uma gestão que só beneficia alguns. O problema é prioridade. O Governo deu certo para eles, mas para o conjunto da maioria não deu.

 

Há um discurso de que o Estado não tem jeito, concorda ?

Claro que o Estado tem jeito. Batemos recorde de arrecadação. Por quê continuar pagando a Arena das Dunas ? Pare de pagar. A Assembleia precisa de gente que faça esse debate. Defendo a candidatura da senadora Fátima Bezerra ao Governo, mas sei que ela não vai fazer mágica. O que ela vai fazer é eleger outras prioridades e levar o Estado para outro rumo. E ela tem que fazer esse debate na campanha. Não é dizer que vai consertar o RN, mas defender estratégias de mudança de rumo. Eu estive na máquina pública, é difícil, mas sei que mudança de prioridade dá resultado. A AL pode ser grande aliada na construção dessa alternativa. Agora se aplicar a mesma coisa, o resultado vai ser o mesmo.

 

O Governo não consegui aprovar o ajuste fiscal que penalizava servidores e vários deputados, incluindo os de Mossoró, votaram contra os projetos.

Muitos se posicionaram contrários ao ajuste fiscal por oportunismo. O Governo já estava ladeira abaixo, não tinha capacidade de coesão da bancada e se segurou usando um discurso progressista. Era impressionante, gente tradicional dizendo que era o mais novo da política, espalhando outdoor pela cidade…difícil é o eleitor conseguir identificar. Mas a maioria dessa bancada foi muito oportunista.

 

Na mais recente tentativa de substituir os Rosado em Mossoró, a gestão do prefeito Silveira Júnior, que teve o apoio do PT, foi muito mal avaliada pela população. O PT se arrependeu de apoiá-lo ?

Fui secretária de cultura da gestão. Acho que o PT rompeu na hora certa, quando ele extinguiu a secretaria de Cultura. O problema de Silveira é que ele não dialogava internamente. O governo de Rosalba é igual ou pior que o de Silveira. O PT opinou muito pouco, inclusive para a construção do Mossoró Cidade Junina. Imaginávamos outro projeto e o prefeito manteve o plano inicial. Mas tentamos contribuir, até porque era uma alternativa aos Rosados. Poderíamos ter rompido mais cedo, mas acreditávamos que durante o processo as coisas pudessem mudar. As secretarias tinham pouca autonomia.

 

Qual foi o principal problema da gestão ?

Além da centralização em torno do prefeito, o problema dele era que Silveira não era Rosado. E era muito importante para os Rosado que ele fosse derrotado do jeito que foi, ou seja, humilhado, massacrado pela imprensa. Era para dizer: “está vendo ? Temos que voltar”. Se você olhar o que Rosalba faz hoje na prefeitura, se fosse de Silveira Mossoró já estava abaixo. Só que ninguém sabe nada. Silveira fez uma má gestão, mas Rosalba faz igual ou pior.

 

Há uma expectativa para saber quem você e sua corrente irão apoiar para deputado federal. Existem algumas pré-candidaturas já colocadas, como a do deputado estadual Fernando Mineiro e a da vereadora de Natal Natália Bonavides…  

É uma honra dobrar com qualquer federal do PT. Tenho orgulho do mandato de Mineiro na Assembleia e muito orgulho do mandato de Natália, uma vereadora jovem que, como eu, também está no primeiro mandato. Como federal dobra com muitos estaduais, vamos dobrar com vários federais. Se Eraldo (Paiva) se der bem, é muito bom para mim. Se Spinelli se der bem, é muito bom pra mim. Não posso dizer que a pessoa não vote em Eraldo, por exemplo. Vote. Porque pode servir inclusive pra mim. Então, vamos dobrar com Mineiro, com Natália e com outros. A decisão que temos é que só vamos dobrar com federias do PT.

 

 

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"