ENTREVISTA

Isolda Dantas: “Vamos aumentar o tom do PT, a Assembleia Legislativa será palco de pautas mais à esquerda”

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) iniciou a segunda metade do mandato na Assembleia Legislativa com um novo desafio: ela assumiu a liderança do PT na Casa e promete subir o tom, durante as sessões, contra as acusações da oposição:

“Me incomodava muito coisas que eram ditas aqui sobre o PT. E agora vou responder a todas as acusações levianas contra o Partido e contra nossas lideranças”, disse.

A petista substituiu o colega de partido Francisco do PT, que assume a liderança do Governo na Casa, após o antecessor George Soares (PR) pedir um rodízio na função.

Nesta entrevista especial à agência Saiba Mais, Isolda fala faz um balanço sobre os dois primeiros anos de mandato e do governo Fátima. Para ela, os momentos de mais desgaste do Governo na ALRN já ficaram para trás, especialmente após a aprovação da Reforma da Previdência.

Olhando para 2022, Isolda confirma que concorrerá à reeleição e não vê nenhum adversário na oposição capaz de enfrentar a governadora Fátima Bezerra.

“Será uma disputa suave”, diz.

Confira a entrevista:

Saiba Mais: Dois anos como deputada estadual na base do Governo. Que avaliação você faz dessa primeira metade do mandato ?

Isolda Dantas: Era de se esperar as dificuldades que enfrentamos. Claro que algumas foram maiores, mas já era esperado que os dois primeiros anos fossem difíceis, tanto para o Parlamento como para o Executivo. O Estado estava muito destroçado, haviam muitas coisas que precisavam ser ajustadas. O Rio Grande do Norte nunca tinha passado por uma gestão que buscasse moralizar a coisa pública. Houve governos progressistas, outros com viés oligárquico, mas o Rio Grande do Norte nunca havia tido uma chefe do Executivo com autenticidade, com uma trajetória, uma postura genuinamente do PT, como a professora Fátima.

E no Parlamento ?             

No parlamento a gente também esperava isso (dificuldades). Particularmente para nós, que estávamos vindo de dois anos de um mandato municipal na oposição, em Mossoró. Mas a gente compreendia cada desafio desse, inclusive tensionamos diversas vezes com o Governo internamente porque temos muita responsabilidade do que é um Executivo. Não somos só base, somos do Partido da governadora, o que é uma responsabilidade muito grande. E tensionamos muitas vezes, a exemplo da Reforma da Previdência. Fizemos disputas internas para reduzir a alíquota para quem ganhava menos, para diminuir os danos para os servidores. Disputamos o tema da Reforma da Previdência na sociedade e também internamente. Temos consciência de que a proposta do Governo era melhor que a do Bolsonaro, eu particularmente estudei muito a reforma. E quando analisamos as alíquotas, a questão das mulheres, dos pensionistas, dos professores… vimos que a proposta aprovada pela ALRN era muito melhor do que a proposta em nível federal. Não fazer a reforma seria implementar a reforma de Bolsonaro, o que seria um dano muito maior para a classe trabalhadora.

Levando em conta as pautas e projetos que seu mandato defendeu foi mais positivo ou negativo essa primeira metade ?

Nas demais questões teve uma coisa positiva em ser da base do governo. E quero fazer uma comparação com o nosso papel de oposição lá na Câmara Municipal de Mossoró. Quando fui da oposição em Mossoró apresentamos vários projetos maravilhosos: banco de sementes, casa de abrigo para pessoas LGBTs vítimas de violência, casa abrigo para mulheres, patrulha Maria da Penha, projeto para que as mulheres fossem prioridade nos programas habitacionais… e nada disso conseguimos implementar. Já aqui na Assembleia Legislativa foi diferente. E citaria grandes projetos muito importantes: o Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (PECAFES), a Delegacia Virtual das mulheres, o Dia da Visibilidade Lésbica, Dia de Combate ao Feminicídio, a Política estadual de Sementes. Só do PECAFES foram R$ 14 milhões em 2020. E são leis que já estão implementadas e funcionando. Então há uma avaliação muito positiva. Falo do mandato, mas em relação ao Governo é melhor ainda.

Como assim ?

Na saúde, por exemplo. A forma que o Governo optou por investir no SUS, interiorizar os leitos no combate a covid-19, foi uma decisão política e extremamente acertada. O Governo não fez a opção do hospital de Campanha porque não era o correto, o prefeito de Natal fez e errou. Hoje, quando a gente olha, o Governo do Estado abriu mais de 600 leitos, o que daria 6 hospitais de Campanha. Os leitos estão e ficarão à disposição da população. Vou dar um exemplo: na região Oeste temos o hospital Tarcísio Maia, que tinha 9 leitos de UTI contratados pelo SUS. Esses 9 leitos atendiam Pau dos Ferros, Assu, Apodi e a região de Mossoró, ou seja, pelo menos 68 municípios. Agora no período da covid-19, para essas regiões, foram abertos 50 leitos só de UTI. Só no Tarcísio Maia foram 20 leitos, outros 10 no Rafael Fernandes, 5 leitos em Pau dos Ferros e 10 em Assu. Significa que, hoje, se 50 pessoas precisarem de UTI, ela terão vaga. Antes do Governo Fátima, 41 pessoas ficariam sem vaga. E não estou falando de leitos clínicos, só UTI. O Governo também contratou mais de 3 mil profissionais de saúde, e isso sem falar da luta pela vacina. Pegando esse exemplo da saúde, o Rio Grande do Norte deu um salto de forma significativa. Dá para fazer um desafio do que era o Rio Grande do Norte antes e o que será depois desses dois anos. Podemos pegar temas como a arrecadação, contas públicas… e sem falar que pegamos 4 folhas de salários dos servidores a pagar.

“O Governo não fez a opção do hospital de Campanha porque não era o correto, o prefeito de Natal fez e errou. Hoje, quando a gente olha, o Governo do Estado abriu mais de 600 leitos, o que daria 6 hospitais de Campanha”.

Outro projeto de sua autoria que virou lei recentemente foi o Programa das sementes crioulas. Qual é a importância dele ?

É uma reivindicação antiga dos movimentos rurais. Lá atrás a gente fazia um debate sobre os alimentos transgênicos, no início do ano 2000, quando já discutíamos esse tema. O Governo Lula dizia que não tinha condição de fiscalizar se o projeto passasse, mas continuamos na luta. Essa ideia de uma ofensiva contra a transgenia foi uma luta grande. E esse programa de sementes crioulas é um alento. Essas sementes são passadas de geração para geração nas famílias de agricultores. E ganha uma importante maior porque estamos numa época de evaporação dos sabores e saberes. Esse programa resgata tudo isso. O Governo do Estado está comprando dos próprios trabalhadores a semente do arroz vermelho, do feijão de corda e vai repassar a outros trabalhadores. Então não é qualquer semente, entende ?

Como vai funcionar ?

Pela lei, o Governo vai começar comprando 30% das sementes crioulas da agricultora familiar (feijão, milho, sorgo, arroz, gergelim) e, a cada ano, vai acrescentar 10% até chegar o limite de 50%. Pode até comprar mais, mas a obrigatoriedade, na legislação, é até 50%. E outra coisa importante é a participação da sociedade civil, que vai acompanhar a lei e a implementação dela. Nesse momento de conservadorismo é importante porque essas sementes representam resistência. Esse projeto foi proposto inicialmente pelo ex-deputado Fernando Mineiro e não foi aprovado por apenas um voto na época. E agora nos reunimos com os movimentos e conseguimos fazer com que virasse lei.

Olhando para o futuro, o sentimento hoje para a base do governo na ALRN é de que o pior já passou ?

Acho inclusive que a Oposição aqui na Casa não teve coragem de votar contra os projetos de tão necessários que eram para o Rio Grande do Norte. Por exemplo, a lei da pequena e média empresa, que vai beneficiar inúmeras empresas, nunca ninguém conseguiu aprovar. A lei do Proerdi… o Estado estava perdendo empregos e ninguém havia conseguido aprovar legislação parecida. Os concursos que estão previstos para acontecer… acho que serão anos bem mais calmos. A Oposição, mesmo no período em que o Governo estava sangrando, alguns deputados faziam discursos, mas votavam nos projetos do Governo. Então acho que 2021 será um ano próspero e esse é o nosso desejo. Primeiro porque muita coisa já foi ajustada e agora é hora de colher os frutos.

Mas você não vê uma movimento de reorganização da oposição na ALRN e fora do legislativo para a disputa de 2022 ?

Mesmo que a Oposição esteja se organizando não vejo um adversário à altura da governadora Fátima Bezerra pelo trabalho e, principalmente, pelos resultados que temos observados no Rio Grande do Norte. Os lobos sairão da toca, mas uma liderança não se constitui de uma hora para outra. Então dificilmente se constituirá uma liderança capaz de disputar com a governadora.

Sobre nomes da oposição fala-se no ministro Rogério Marinho e no atual prefeito de Natal Álvaro Dias. Acredita num desses nomes como adversário da Fátima ?

Rogério Marinho foi derrotado em 2018, o povo do Rio Grande do Norte o rejeitou para deputado federal. Se alguém é derrotado da forma como ele perdeu em 2018 não pode voltar quatro anos depois para ser governador. Não cabe na política, é um risco muito grande. Na minha avaliação ele concorre ao Senado. E também não acredito que Álvaro Dias tenha condição de disputar. Acho que vai ser uma disputa bem suave porque os que estão aí já foram todos reprovados pelo Rio Grande do Norte.

“Os lobos sairão da toca, mas uma liderança não se constitui de uma hora para outra. Então dificilmente se constituirá uma liderança capaz de disputar com a governadora”.

Com o deputado Francisco do PT assumindo a liderança do Governo, após a saída do deputado George Soares (PR), você assumiu a liderança do PT. O que essa nova tarefa vai significar ?

Foi um presente para mim. Ocorreram movimentos bem importantes na ALRN. É importante Francisco assumir (a liderança do Governo), e foi feito em sintonia com o deputado George, mais do que natural. E também migramos de bloco. O PT compõe agora um bloco em sintonia com a nacional, ao lado do PSOL e do PSB. E a gente se somou a esse bloco, que cria uma unidade na política com o Fora Bolsonaro, vamos pautar temas mais espinhosos. E assumo a liderança do PT com essa tarefa. Vamos aumentar o tom do PT, falar mais sobre as pautas que têm afinidade com o Partido dos Trabalhadores. Queremos ser mais voz do que está acontecendo em nível nacional aqui no Rio Grande do Norte. A ALRN será palco de construção de pautas mais à esquerda. É necessário constituir uma frente de esquerda não só para disputar eleições, mas um projeto político da sociedade. Aqui na ALRN vamos traduzir o que o PT vai discutir num nível nacional. Temas de disputa de projeto. Não só um ajuste aqui ou acolá, mas um debate mais nacionalizado, coerente com o que a conjuntura exige, um debate mais à esquerda. Agora passo a ser parte da executiva estadual do PT e reverbera pautas de enfrentamento à direita. Me incomodava muito coisas que eram ditas aqui ao PT e agora vou responder a todas as acusações levianas contra o Partido e contra nossas lideranças. Estamos completando 41 anos e estivemos presente em todas as disputas e cenários que o Brasil enfrentou, seja das Diretas já! Do Fora Collor, de qualquer ponto importante. Elegemos o primeiro representante da classe trabalhadora do país, a primeira mulher do Brasil, estamos em sintonia com todos os movimentos sociais que lutam por uma sociedade mais justa. Esse partido nos orgulha.

Então é muito importante, não é qualquer coisa esse partido ter ganhado quatro eleições presidenciais sucessivas. Era um projeto político de muita envergadura. É óbvio que tinha que ter uma reação política da direita alinhada com o que é o capital internacional, porque as mudanças que o PT estava fazendo, segundo dizem, inclusive a própria direita, se progredisse poderiam ser irreversíveis para o mercado financeiro. Então essa liderança para nós eu assumo com muito orgulho, com muita responsabilidade, muita certeza que nós precisamos aumentar o tom aqui na casa e ser uma liderança à altura de um partido como o PT, que completa 41 anos com tantas lideranças que nós temos aqui no estado, a professora Fátima, o deputado Francisco, o Senador Jean Paul, a deputada Natália, Mineiro, tantas lideranças dos movimentos sociais que fazem parte desse partido. Então, é de muita responsabilidade e eu tenho certeza que o PT terá vida longa.

“Vamos aumentar o tom do PT, falar mais sobre as pautas que têm afinidade com o Partido dos Trabalhadores. Queremos ser mais voz do que está acontecendo em nível nacional aqui no Rio Grande do Norte. A ALRN será palco de construção de pautas mais à esquerda”.

Essa eleição de 2022 no Rio Grande do Norte tende a ser a mais nacionalizada dos últimos tempos. E como você acha que a Oposição na ALRN vai se organizar em relação ao apoio a Bolsonaro ?

Olha, eu posso até alterar minha posição quando as coisas forem se delineando, mas tendo achar que vai ter muita gente que vai ter vergonha de defender Bolsonaro aqui na Casa. Não é que os valores conservadores deixaram de existir, porque eles passarão a defender valores progressistas ou coisas dessa natureza. Mas quando a gente olha a postura do presidente Bolsonaro é muito complicado. Você tem um deputado que tem a coragem de defender. Ao mesmo tempo, você tem deputado aqui que defende tudo que Bolsonaro defende, mas não tem coragem de dizer que é bolsonarista, mas os valores são os mesmos. Essa é a grande armadilha que nós estamos vivendo na política agora. Nas eleições de 2020 você teve vários prefeitos que foram eleitos, todos bolsonaristas, mas todos com vergonha de dizer que são bolsonaristas, todos com valores semelhantes, todos que são tão incoerentes que se negaram a tomar posição frente ao conservadorismo para não perder voto, anularam a política, se travestiram de novo, mas todos com valores semelhantes aos de Bolsonaro.

São piores que Bolsonaro ?

Eu costumo dizer que Bolsonaro é um político que não enganou ninguém. Mas nós temos muitos bolsonaristas que enganam, porque mantém os valores mesmos de Bolsonaro, que não foi Bolsonaro quem inventou, porque eles já existiam na sociedade, ele só deu força. Então têm muitos prefeitos assim. O de Mossoró, por exemplo. As posições. O que Alysson pensa sobre Bolsonaro ? O que ele pensa sobre os LGBTs ? O que ele pensa sobre a intervenção do IF e da UFERS ? Ele concorda com todos. Mas isso não era pauta para a campanha, porque ele não podia se posicionar sobre isso, mas ele defende. A homofobia, o racismo, tudo isso é parte. Então eu tendo a achar que nas eleições de 2022, e aqui também, tem muito deputado que tem vergonha de defender o Bolsonaro. O único que defende abertamente é o coronel Azevedo (PSC). Por isso eu acho que esses temas, os valores conservadores, estarão presentes na campanha, mas eu tendo a achar que eles migrarão para outro nome. Porque hoje no Nordeste Bolsonaro está com 30% de aprovação. Mas não sei, eu acho que o candidato da direita (à presidência da República) vai ser outro.

“Você tem deputado aqui que defende tudo que Bolsonaro defende, mas não tem coragem de dizer que é bolsonarista, mas os valores são os mesmos”

A Fátima venceu a eleição em 2018 com apoio, especialmente no 2º turno, de uma aliança ampla que contou, inclusive, com parte do PSDB. Você disse há pouco que espera uma disputa suave em 2022 porque, na sua visão, a governadora não tem um adversário à altura. Mas será necessário repetir aliança parecida, como outros partidos, inclusive alguns que não sejam do campo progressista ? 

Eu acho que não vai precisar não, mas tende a ter. Eu olho assim e não vislumbro nenhuma liderança. Estamos há um ano da campanha. A campanha vai começar … fevereiro do próximo ano já vai está… Então eu não vislumbro que surgirá uma liderança que seja capaz de disputar com Fátima. Acho muito difícil. Não creio que, primeiro na condição de presidente de um poder, eu acho que Ezequiel assume um papel muito importante, muito responsável. Tem ajudado muito ao Governo. Essa ideia de que houve um distanciamento dele com o Governo… eu não vejo. Isso é uma coisa muito plantada da ideia de tentar separar ele do Governo. O papel do Ezequiel aqui na Casa que eu vejo é de muita contribuição. Em pautas difíceis, inclusive, que se não tivesse apontado a postura dele não teria aprovado. Acho que ele também não sai para o Governo. Eu aposto com quem quiser. Acho difícil ele querer enfrentar Rogério. São parceiros na política. Vai ter o entendimento deles mas não vai ser na acomodação para Ezequiel disputar o governo. Ezequiel é muito maduro, tem muita sabedoria na política, não vai arriscar.

“O que Alysson pensa sobre Bolsonaro ? O que ele pensa sobre os LGBTs ? O que ele pensa sobre a intervenção do IF e da UFERS ? Ele concorda com todos. Mas isso não era pauta para a campanha, porque ele não podia se posicionar sobre isso, mas ele defende”.

E seu futuro político ? É candidata à reeleição a deputada estadual ? 

Então, como vocês sabem, não sou sozinha no mundo. Eu faço parte de uma corrente, eu faço parte de um partido. Dentro da nossa corrente o debate é para a reeleição. A gente acha que nosso mandato é muito importante, correspondeu às expectativas do Rio Grande do Norte. É preciso consolidar a base, é preciso consolidar liderança. Nossa perspectiva é de reeleição. 2021 nós vamos trabalhar cada vez mais para que o mandato tenha muito resultado. Mas que a pandemia, no que diz respeito a alcançar as bases, limitou muito, porque a gente quase não viajou em 2020. Teve a eleição em Mossoró que era uma necessidade do Partido dos Trabalhadores, que eu não podia não assumir. E acho que 2021 vai ser o período em que nós vamos conseguir alcançar mais lugares do Rio Grande do Norte, conversar mais com as pessoas, construir pautas mais coletivas com o que nós apresentamos.

Que áreas e setores nos próximos dois anos você pretende focar ?

Foi o que nós apresentamos na campanha. Nós apresentamos na campanha que a gente ia trabalhar sobre o tema do rural, e nós apresentamos projetos robustos. Prometemos que a gente ia trabalhar o tema da Juventude, tá em processo de implantação do projeto muito importante da juventude que nós vamos fazer uma campanha de divulgação que é o da assistência estudantil. E esse nosso projeto de assistência estudantil determina que o Estado financie bolsa para filhos da classe trabalhadora, seja no ensino médio ou nas universidades. Todo mundo sabe que é inerente à história da parlamentar que é o tema do feminismo. Então, essa ideia da delegacia virtual, nós vamos enfatizar muito o tema do trabalho e renda para as mulheres, para o Rio Grande do Norte inteiro. Todos os nossos projetos têm destaque para as mulheres e para a juventude. Tem o tema da educação. Possivelmente nós vamos fazer parte da comissão da educação. É um tema que envolve a juventude, muito importante para gente. Quando sair essa matéria possivelmente nós seremos presidente da comissão da Educação. Então a ideia é essa e trabalhar muito, cada vez mais próximo dos movimentos sociais e do Partido dos Trabalhadores. Esse vai ser o nosso caminho em 2021. E em 2022, o mandato caminha para a reeleição.

O “Rosalbismo” e o “Rosadismo” foram derrotados na eleição municipal e Beto Rosado perdeu o mandato, mas ainda permanece no cargo em razão de uma decisão liminar do TSE. Como avalia esse tombo da oligarquia mais presente em Mossoró ?

Eu não diria tombo, diria o fim. O fim da oligarquia. Hoje a única coisa que eles têm, de forma com segurança jurídica, é o (ainda) mandato de Beto e o mandato de uma vereadora que, inclusive, sempre teve muito atrito com esse com esse Rosado de Rosalba, que é a filha de Sandra. Então eu não diria um tombo, eu diria o fim. O fim da oligarquia em Mossoró é muito importante para a cidade. Nós estamos há quatro décadas sobre o rosalbismo dos Rosados. Você olhar para Mossoró é lamentável como uma cidade tão rica parou no tempo. Então ainda bem que é o fim disso tudo. Nós não temos expectativa sobre a nova gestão, mas sem dúvida nenhuma abre um horizonte que é o fim da oligarquia para que Mossoró possa respirar.

Em 2018 o eleitor deu um recado claro nas urnas de que não queria os políticos tradicionais do Estado. Rejeitou José Agripino (DEM), Garibaldi Alves (MDB), Geraldo Melo (PSDB), Rogério Marinho (sem partido)… mas você acredita que, na política, a morte é o fim ou há espaço para que essas lideranças tradicionais retornem em 2022, por exemplo ? 

Eu acho que o Rio Grande do Norte, e não só o RN, mas o mundo tem dado uma repaginada. E vai ficando escasso, né ? Qual a perspectiva do eleitor votar em Garibaldi? Fica escasso. Você não vê esperança numa pessoa daquela, com todo respeito ao ser humano. Então isso é natural, dentro da sociologia, dos aspectos que se compõem isso. Mas os elementos vão trazendo. Por exemplo, se fosse o filho de Garibaldi que já está na política, que também já é velho na política… você olha para Felipe Maia, que apesar de ser jovem é velho na política. Mas quando você olha para Rosalba não tem nem isso. O filho não deu, a filha não deu. Porque para eles política é negócio. O filho não deu certo para político, foi derrotado na primeira vez que disputou. A filha nem conseguiu entrar para a disputa. Então por isso que eu afirmo que é o fim da política, é o fim dos Rosados porque você não tem nenhum fio de manutenção da linhagem, porque a oligarquia tem esse detalhe. Eles não acreditam em quem não seja do sangue. Mas nós da esquerda, a gente coloca outra pessoa. Principalmente, eu tenho muito orgulho de que no meu mandato a gente conseguiu candidatar quatro mulheres jovens, negras, que eram assessoras. Brisa, Raíssa que perdeu por um voto, em Currais Novos, Plúvia em Mossoró, que perdeu por 70 votos, e a Mara que foi a mais votada do PT em Assu. Tudo isso é a diferença do que é oligarquia na construção de um projeto político.

“Eu acho que o Rio Grande do Norte, e não só o RN, mas o mundo tem dado uma repaginada. E vai ficando escasso, né ? Qual a perspectiva do eleitor votar em Garibaldi? Fica escasso. Você não vê esperança numa pessoa daquela, com todo respeito ao ser humano”.

A sua corrente no PT – Democracia Socialista (DS) – voltou a ter uma vaga na Câmara Municipal em Natal, com a eleição da Brisa Bracchi, ex-assessora do seu mandato. Dá para dizer que a Brisa é uma “cria” sua ?

O nosso projeto político não é de família (risos). Ele é de mudança de sociedade. O deles não (oposição), é de família. Quando não tem mais família, o projeto acaba. É simples assim. Então por isso estou dizendo. Os Rosados, do ponto de vista de Rosalba e de Carlos Augusto Rosado, me parece que é o fim. Os indícios, pelas evidências de Mossoró, não é um tombo. É o fim mesmo. E para nós a política é uma construção coletiva. Ninguém nasce pronto. Eu entrei na política muito jovem também, assim como Brisa, e a gente foi se constituindo como liderança, né ? E como referência, referência em projeto político. Então como nosso mandato é parte de um projeto político, era fundamental que a gente investisse em novas lideranças dentro desse projeto político. Então a eleição de Brisa…

Você se vê um pouco nela ?

Me representa muito mesmo. Tenho muito orgulho de ser representada por ela na juventude na Câmara de Natal. Não é qualquer coisa você ter uma vereadora que lhe representa. É muito orgulho, e uma jovem cheia de sonhos, cheio de princípios libertários, socialistas. Isso em tempos de retrocesso nos enche de esperança e de orgulho. Chega meus olhos brilham, porque você vê novos quadros surgindo e que você está sempre representada. Isso não tem preço.

Ainda tem o sonho de administrar Mossoró ? 

Eu tenho sonho de Mossoró ser do tamanho dos próprios sonhos de Mossoró e que não são só meus sonhos, são sonhos de muitas pessoas que querem ver aquela cidade desabrochar. Se serei eu quem vou realizar esse sonho, a política dirá, porque não se congela processos políticos. Os processos vão sendo fomentados. Mas eu tenho sonhos para Mossoró, se sou eu quem vou realizar, a política dirá. Mas eu sonho que aquela cidade que eu vou continuar envelhecendo com certeza será Mossoró. Cheio de esperança e sonhos de lá e vou continuar lutando, porque sem dúvida nenhuma hoje eu sou deputada de Mossoró. E não medirei esforços para que Mossoró ganhe a importância que ela precisa ganhar no Estado. Uma cidade que tem sol, sal, petróleo, que tem vento, que tem sonhos. Geograficamente perfeitamente situada. Tem um povo que ama aquela cidade, que inclusive chama de país. Então Mossoró tem esse contorno identitário muito forte, das pessoas dizerem que é de Mossoró. Isso tem um poder na cidade, das pessoas quererem investir, querer morar, querer que a cidade cresça. Então isso é muito forte. Isso inclusive na nossa campanha a gente absolveu muito. Então Mossoró tem uma deputada aí muito que é convencida da capacidade da cidade, que é convencida é do potencial, e a cada dia a gente tem tentado sensibilizar o governo do estado para canalizar recurso para aquela cidade, porque quando Mossoró cresce, cresce toda aquela região. E é uma cidade muito importante para o Brasil, nós produzimos mais 90% do sal desse país, exporta. Então é uma cidade maravilhosa, cheia de gente que acredita na cidade, que acredita na vida, então cheia de sonhos. Eu sou igual a Mossoró, cheia de sonhos.

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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