DEMOCRACIA, ENTREVISTA

Ivan Cabral: “Assim como a religião, a mídia tradicional também é o ópio do povo”

As charges de Ivan Cabral são como personagens de Chico Anysio cutucando o status quo com a varinha do humor. É com as caricaturas do humorista cearense que um dos principais chargistas da região Nordeste se identifica. O humor-espelho que reflete e faz refletir. Longe do jornal impresso desde setembro de 2016, Ivan Cabral não pensa mais em colocar os pés em uma redação. Cansou, admite. Cansou de pisar em ovos, cansou de calcular os limites. Sucessor do engajado Cláudio Oliveira e do circense Edmar Viana, Ivan Cabral ainda faz história. Agora, porém, numa plataforma diferente: a internet. Funcionário concursado da UFRN, produz na medida do possível, ao sabor da inspiração. A mente segue inquieta. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que, por ele, faria de cinco a dez charges por dia.

Nesta entrevista especial, Ivan Cabral fala sobre a experiência iniciada em 1983 no já extinto Diário de Natal e que segue ainda hoje na internet. O que mudou de lá para cá, o que enfrentou para chegar até aqui. Novo parceiro da agência Saiba Mais, Ivan Cabral fala o que acha, o que pensa e o que seus traços dizem, quando quase sempre alguém gostaria de esconder.

 

Agência Saiba Mais: Você publicou suas charges durante vários anos na imprensa tradicional e agora vê várias charges repercutindo nacionalmente na internet, compartilhadas especialmente por coletivos ou portais de mídia independente. Como enxerga esse cenário alternativo na internet que está em expansão no Brasil ?

Ivan Cabral: A guerra continua desigual. Você vai para o território mais livre da internet, onde há vários grupos de mídia independente e você pode se contrapor, mas o braço da mídia tradicional, que eu não chamo de coletivos mas são grupos conservadores que se formam, também está lá (na internet), juntamente com a própria mídia tradicional. Então você tem uma mídia tradicional guerreando contra a democracia, os grupos de mídia conservadora também guerreando contra a democracia e a mídia alternativa guerreando pela democracia. Então o jogo continua 2 a 1. É uma guerra terrível e não é que a gente tenha escolhido, mas a única saída são esses espaços alternativos onde você pode dizer o que você quiser.

 

Em relação ao seu trabalho específico como cartunista e chargista, você sentiu diferença ?

Senti. Algumas charges que não saíam no jornal impresso eu publicava na minha página, no meu facebook, iam para o meu blog. Então é o espaço que tem e aqui ninguém vai dizer “não publique”. Eu só não dizia que era uma charge que não saiu no jornal, mas na verdade, vamos dizer, tinha empancado por algum motivo. Ia em frente.

 

Enfrentou censura no jornal impresso ?

Você tem que saber a liberdade de como atuar na mídia tradicional. Não são pessoas. Não é o editor fulano que diz que não vai entrar, é um sistema. O cara lhe pede mil desculpas, mas explica que não dá por uma, duas, três razões… porque se mexer nisso mexe com tal fulano que está envolvido aqui… então você vai ter que ter um jogo de cintura e criar alguma alternativa para aquela abordagem de modo que passe por uma censura amiga (risos), o que não deixa de ser uma filtragem. Mas foram poucas vezes. Não chegou a 5% nem foi constante, era algo pontual.

 

 

Da sua parte, em razão desses acontecimentos, conviveu com autocensura ?

Quando a gente fala de ética, o chargista é um jornalista do traço. Tenho meu registro profissional como ilustrador, não tenho formação em jornalista, mas o Ministério do Trabalho me reconhece como ilustrador e jornalista. E sendo jornalista de um veículo você tem que ter uma postura ética. Me desviei de muitos problemas em relação a essa minha postura ética. Então eu não vou atacar a celulite de não sei quem, o fulano que traiu a mulher com nem sei quem, o fulano que dizem que é homem mas não é homem…. eu não entro nesse mérito. A feiura de sicrano… com isso até já brinquei, mas não é o foco. O foco para mim é o fato, são as circunstâncias, são os elementos que estão postos ou que não estão postos. Mas sempre de forma responsável e ética. Se existe uma espécie de autocensura é uma autocensura ética.

 

Pode dar um exemplo ?

Uma vez surgiu uma denúncia contra Wilma (de Faria, ex-governadora, já falecida), entre tantas que surgiram no Governo dela. Lembro que Osair Vasconcelos (então diretor de redação do já extinto Diário de Natal) me chamou e disse: “Ivan, do jeito que você está dizendo aqui, está chamando Wilma de ladra. E ninguém disse que ela roubou, mas que surgiu foi uma denúncia que vai ser apurada e vamos ver o que vai dar”. Motivações à parte, eu percebi que não posso chamar alguém de ladrão porque surgiu uma denúncia contra essa pessoa. Então esse filtro ético sempre procurei ter, por isso esses episódios são mínimos. E tão mínimos que beiram ao ridículo porque na maioria das vezes o problema não é o que você está dizendo ali, mas o contexto, por isso é uma gotinha no oceano.

 

Como assim ?

Vou citar um exemplo concreto que ocorreu. Houve uma charge que fiz na época em que Robinson (Faria, atual governador do Estado) era vice de Rosalba (Ciarline, ex-governadora) e logo no começo do mandato, numa viagem que Rosalba fez, ele começou a mostrar serviço, destravar coisa, foi um auê. Quando Rosalba volta, claro, cortou as asas dele. Tirou todos os cargos comissionados que ele tinha, o exonerou da secretaria de Recursos Hídricos e deixou Robinson simplesmente como vice-governador, o que nada é a mesma coisa. E o que eu fiz ? Bolei essa temática e fui fazendo várias charges. Botei ele numa ilha deserta, depois desenhei com as asas cortadas e numa das charges, uma repórter perguntava para ele: “Robinson, você tem twitter ?” E ele respondia: “tenho sim, é Robinson Faria sem espaço”. Olha só como a charge era bobinha, só um trocadilho, obviamente ambígua, mas era humor. Essa charge simplesmente não passou. Disseram que estava chutando cachorro morto, ou seja, você percebia que haviam certos pactos. Por si só eu não vejo nada errado alguém apoiar um jornal, fazer uma parceria, um investimento que for, mas você percebe que… enfim. Aí eu publiquei a charge no meu blog.

 

Aconteceu outras vezes ?

Fiquei de 2010 até setembro de 2016 no Novo Jornal e acontecia, em média, duas ou três vezes no ano. Você sabendo onde está pisando, de certa forma evita problema, mas nunca fugi de abordar. Você só precisa saber até onde pode ir. Tem um ditado que diz que a formiga sabe a folha que corta e eu sabia a folha que estava cortando. Quando entrei no jornal, virei para um dos sócios e disse: “esse jornal aqui é conhecido na cidade por ser pró-Rosalba, pró-Agripino, pró-DEM. Eu vou ter liberdade pra trabalhar, para tocar alguns assuntos ? Porque eu tenho postura ética, não estou aqui para fazer baixaria. Então quero saber se vou ter liberdade”. E foi dito que sim, que teria toda liberdade e fui. E aqui e acolá, pontualmente, foi acontecendo algumas coisas. Não é que tiraram minha liberdade, não foi isso, mas é como se dissessem: “você vai ter liberdade, mas não é essa liberdade toda que você imagina” (risos). Aí você tem que fazer uma escolha, que é o que acontece quando você está numa mídia dessa. Você quer publicar no jornal ? Quer publicar nesse jornal ? Então se você quer publicar nesse jornal você tem que saber onde pisa. Vai ter diálogo, acordo… tem que ter jogo de cintura. Ou então você sai, aí você não vai ter limitação nenhuma. Sozinho você não nada contra a corrente. Uma charge é publicada porque um editor quer que ela seja publicada. Por trás, tem alguém dizendo: publique-se.

 

Sente saudades de publicar em jornal ?

Estou fora da mídia impressa desde 2016 e não tenho a menor pretensão de ver, de entrar mais numa redação dessas convencionais porque cansei. Não é que você cansa de fazer o que você gosta, mas ficou muito acentuado 2016, foi um ano muito tenso. E eu me percebia com certos cuidados. E eu estava me cansando, também tive problemas com adulterações em charges…

 

Que repercutiu nacionalmente…

Eu processei a revista Isto é, mas perdi o processo porque a Justiça entendeu que a Isto é não tinha culpa de publicar uma charge adulterada. Foi aquela famosa charge do livro de história sendo jogado no meio dos coxinhas que alguém adulterou e jogou uma carteira de trabalho no meio dos petistas. E depois o cara pediu perdão publicamente e eu dei por encerrada a história. Só que a revista Isto é depois vai e publica a charge adulterada como sendo os memes que circularam na época do impeachment. Agora me diga qual é o meme que é assinado ? Não existe meme assinado ! Aí ela misturou charge com meme, colocou mais umas duas ou três charges de outros caras. E a Justiça disse que a revista não tinha culpa porque não foi ela que adulterou.

 

E você recorreu ?

Me deram algumas opções. Recorrer e pagar tantos mil se eu perdesse de novo. Aí eu pensei: “poxa, eu tive uma charge adulterada e ainda ter que pagar ?” Deixei para lá. Preferi me poupar. E ficou sendo o registro de como a mídia que faz o que quer.

 

Quando você começou a fazer charges, qual era o teu objetivo ?

Eu tinha tirado uma licença de três meses substituindo o Edmar (Viana, já falecido), que estava com pneumonia. Era 1983, um período interessante, mas eu era limitado. O Everaldo (Lopes, jornalista esportivo) fazia a ideia e o rascunho. Então eu era um peão construindo um prédio que o engenheiro programou. Mas era uma experiência, eu nunca tinha trabalhado com charge. O que tinha na minha cabeça era explorar o humor. Eu não tinha consciência política nenhuma, era um alienado qualquer que gostava de brincar com humor. Em 1987 eu tirei as férias do Cláudio Oliveira. Mostrei algumas coisas para ele em cima da Constituinte. Cláudio gostou, mas acho que ele estava doido para entrar de férias mesmo porque não era essas coisas todas não (risos). Eu não tinha conhecimento politico nenhum, não sabia das forças que atuavam no Congresso, na política. E me guiava pelo senso comum, pelo noticiário. Sem internet naquele tempo, eu produzia a partir do que via nos jornais. Pegava o Globo, a Folha, os jornais… eu não tinha muita referência. Então abordei muito sem saber quem era quem. Imagina quem nunca viu uma partida de futebol, de repente entra em campo e vê 22 jogadores correndo para lá e para cá… o cara fica doido. Me senti assim, tentando entender o que os caras estavam fazendo. Os jornais de certa forma traduziam aquilo. Um dia saiu que o presidente Sarney estava querendo prorrogar o mandato para 5 anos e do outro lado tinham forças querendo o contrário. Aí eu via que tinha uma briga ali e ia assistir para tentar tirar alguma coisa. Eu tinha pouca vivência, diferente do Cláudio, que era dirigente do Partido Comunista, publicou no Pasquim…

 

As duas referências de charge nessa época eram o Cláudio Oliveira e o Edmar Viana…

 Eram, e o Edmar tinha uma leitura mais ingênua. Edmar era um palhaço. Não é que ele não tinha uma conotação política, mas era muito humor, estilo Casseta & Planeta, muita tirada de onda. Vejo hoje que você tem três tipos de humor. Um é aquele do Renato Aragão, escrachado, exagerado, tropeça daqui, cai acolá, tirada de onda, circense e acho que Edmar tinha muito disso. Fazia muita brincadeira. Ele abordava temáticas bem leves. Lembro que numa charge um jornalista falava sobre desflexibilização dos preços aí o cara dizia que não poderia dizer isso porque a chapa caía (risos). Outro humor é o do Jô Soares, sofisticado, mas é aquele riso de canto de boca, um humor meio inglês… e eu me sinto bem no humor do Chico Anysio porque você ri e reflete. E fui aprendendo. Não tinha ninguém ali junto, um professor do lado. Então era você, o lápis e o noticiário. E eu não tinha ideia de que força política estava ao lado do jornal. E também não pertencia a nenhum grupo para discutir temas. Houve um tempo em que o Cláudio me ajudou, mas já no início dos anos 2000, quando voltou. Hoje eu consigo perceber onde estão os laços, como a mídia está … no meu início, lá atrás, eu comia o que estava na frente. Ia pelo que a Rede Globo disse, o que a Veja disse, o Fantástico… e quando você começa a sair desse ambiente, dessa matrix, você vai percebendo, duvidando, questionando….

 

 

A mídia molda o comportamento da sociedade ?

Se você pegar a época do impeachment, aquela quantidade de gente na rua e olhar agora… a mídia é um braço dessa estrutura maior que é quem consegue dialogar. O político dialoga com a população através da mídia. Então ela induz. Porque está todo mundo pacato ? Porque a mídia está vendendo que está tudo bem, que nos livramos de um problema e vamos nos livrar de outro agora chamado Lula. Já foi dito que a religião é o ópio do povo e hoje a gente pode dizer que a mídia também é porque consegue dopar, acho que é isso. Não tem explicação para o país ter piorado drasticamente e os protestos acabarem. A não ser a mídia. É o poder econômico. O Jessé de Souza fala isso. O grande poder é o econômico, que consegue induzir essas coisas. É até engraçado perceber, como já disseram, que quando você vai falar de taxação de grandes fortunas a classe média pensa que está falando dela. Então a mídia consegue dizer de alguma forma que não é para fazer isso, e a pessoa acredita.

 

E o papel do chargista dentro da mídia tradicional ? A gente vê chargistas de esquerda aqui como você, a Laerte e o Angeli na Folha de São Paulo que têm posições contrárias aos veículos para os quais trabalham…  

Acho que há uma superestimação do chargista. Já falei em alguns momentos que parece que você chega para um chargista já meio de cabeça baixa, como se ele fosse aquele cara muito inteligente, criativo, com a perspicácia muito grande, que faz uma leitura inusitada, com aquelas qualidades muito grandes e você precisa ter isso… mas há exemplos e exemplos. Olhe o famoso caso do Charlie Habdo, tem que ter cuidado. Os caras às vezes cometem coisas absurdas em nome do humor, da liberdade, às vezes promovem xenofobia… claro que havia uma crítica ali naquele episódio em nome do estado laico, óbvio que não se concordava com o que foi feito, mas depois o mesmo jornal estava brincando com aquele garotinho sírio que morreu. E depois foi dito que se o menino não tivesse morrido seria um apalpador de bunda. Então… isso é desumano, mas eram profissionais do mesmo jornal. Estou dizendo isso porque o chargista é só um cara emitindo uma opinião enquanto tem outros 50 caras, jornalistas, colunistas, editorialistas… emitindo opinião também. É só um guerreiro. No Globo, por exemplo, tem o Chico Caruso. O que ele tem dito que diferencia ? Na Folha tem a Laerte, o Angeli… um chargista é só um soldado no Exército. Até porque o cara tem limites ali. Vai dizer coisas óbvias que não podem ser contraditas. Eu não acredito numa coisa isolada.

 

Mas o alcance da charge não é maior, o poder de síntese, o impacto ?

Eu não estou acompanhando mais os jornais para saber o que está sendo dito nas charges, mas eu penso: o que está sendo dito lá que mudaria alguma coisa ? Digo isso porque a gente precisa duvidar do que a gente diz. A charge tem um poder, mas ela também pode enviesar. Ela pode dizer coisas incabíveis. Ah, mas ele é um chargista. Sim, mas pode ser um chargista dizendo besteira. De certo modo, o chargista tem consciência. Não conheço um chargista defendendo o Aécio, mas vai que aparece…. eu tenho medo do endeusamento. Então me parece que esse alinhamento de profissionais para esses canais alternativo é a diferença. É um prazer está publicando com vocês, fazer parte desse projeto… às vezes mando para o Paulo Henrique Amorim, os Jornalistas Livres, agora para o Saiba Mais… entrar nessa parceria aqui é muito gratificante. E posso ajudar porque no meu caso eu não vivo da charge, tenho emprego público e fico até quando tiver. Mas tem cara que está num jornal, tem dois filhos para criar e tem que pagar as contas, então para ele não dá. Agora o máximo que puder congregar é muito mais forte que a força individual de um chargista.

 

Que análise você faz desse momento na política, com o Lula como personagem central ?

Lula é um ícone, um ídolo pela história, pela trajetória, mas precisamos ir além do Lula. Nunca fui partidário do “mexeu com Lula, mexeu comigo”. Acho importante defender o Lula como símbolo e aspecto do que está acontecendo, sim. Esse julgamento foi absurdo, as acusações são absurdas, a condução do processo é absurda. Está cheio de rombos. Agora é o Lula como podia ser qualquer um. Poderia ser o Bolsonaro sendo manipulado. Nossa postura teria que ser a mesma. Se a gente não tiver noção de que o que está por trás é a crise da Justiça, da democracia, dessa promiscuidade da mídia com a Justiça… esse é o foco principal. Porque Lula pode ter um AVC e morrer, mas a relação da mídia com a Justiça vai continuar sendo a mesma. Então é não colocar os olhos em Lula, claro que temos que nos debruçar sobre esse caso. Aí o cara vem: “Mas Lula é honesto ?” Eu não boto minha mão no fogo por ninguém, mas nesse processo, do jeito que a coisa foi posta, não há motivo nenhum para condená-lo. “Mas e se ele fez alguma coisa por trás ?” Se fez, vai ter que provar. O que importante é o contexto. É o que eu faço nas charges. Então eu não estou contra uma pessoa, mas àquela situação que ela representa. Me preocupa um pouco essa dependência do Lula. Vamos supor que Lula não possa ser candidato. Quem vai ? Não tem quem agregue ainda. Haddad, Ciro… não sei. Não é Lula, é a democracia. O juiz lá citava… “saiu numa reportagem”. Numa reportagem !? Estamos falando de provas, e não de reportagens.

 

Chargista Ivan Cabral fala sobre a experiência de publicar charges na internet

 

O que se imagina é que quanto mais caótico é o cenário melhor para o chargista. Então não há tempo melhor que o de hoje…

É verdade. Quando houve a redemocratização do país, li Zuenir Ventura perguntando num artigo como é que o chargista iria lidar com isso agora, já que não haveria mais proibição, censura… fechar um jornal porque publicou uma charge. E ele mesmo respondia dizendo que o chargista não ia apenas rir do sistema, mas com o sistema. Na verdade, o que eu percebi é que nada muda. O sistema continua, as forças econômicas continuam concentrando riqueza e excluindo as pessoas mais pobres, então quanto pior a situação, mais munição. A charge tem uma tendência à critica. Se tem gente fazendo besteira, você tem muita munição. Quando eu saí do jornal em setembro, tinha horas que eu via tanto assunto eu pensava em fazer cinco, dez charges por dia. É muita coisa que acontece. Às vezes muda o foco.

 

Hoje suas charges falam mais do cenário nacional do que do local. Por quê ?

Por conta dos pontos de choque aqui eu findava mexendo lá com Brasília. E minha cabeça ficou voltada para essa coisa maior. Aqui é reflexo disso. Do golpe, do governo que se instalou. Mexer nas briguinhas de um vereador é reflexo de algo muito maior. Eu fazia muito pouca charge local. Haviam umas picuinhas tão bestas, tem coisa mais séria acontecendo no Brasil. É mais interessante abordar o principal do que o detalhe. Exemplo: a relação entre mídia e justiça. É um assunto muito maior que a notícia específica. Fazer charge sobre vazamento da justiça para a mídia é mais amplo, maior. Estou na fase de olhar o macro, olhar o que está por trás…

 

Do grande acordo nacional ?

Com o Supremo, com tudo (risos). Sabe por que aquela charge do livro de história repercutiu tanto ? Porque fala do todo, não de uma rebelião específica. Faço charges para refletir o pontual.

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"