OPINIÃO

IX Ciclo de Debates Antiproibicionistas 2018

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Semana passada, entre 25 e 27 de setembro, a UFRN pela primeira vez, em parceria com a UERN, recebeu a nona edição de tão importante evento, que cada vez mais se configura como um dos mais importantes e ricos espaços de comunicação, debate e intercâmbio do antiproibicionismo brasileiro e diria mesmo, da América Latina.

Se atendo somente ao contexto brasileiro, podemos dizer que dentre os eventos que debatem a legalização das drogas no âmbito acadêmico, fomos os primeiros a assumir uma postura declaradamente legalizadora, ao assumir o conceito de antiproibicionismo já no título do evento, além de ser o único de todo o calendário brasileiro a realizar-se anualmente, além de sermos aqui em Natal, o que meu caro Joey de Salvador definiu como “O polo mais ao norte do antiproibicionismo brasileiro”.

No dia 25, na abertura, contamos com a ilustre presença de Edward MacRae, um dos fundadores do antiproibicionismo brasileiro, uma das figuras de maior relevância para o ativismo e a pesquisa acadêmica no tema drogas no Brasil, sua base de pesquisa em Salvador além de ter produzido verdadeiros paradigmas científicos e políticos acerca do tema é sem dúvida a mais importante do país no campo das ciências humanas.

Nas demais sessões tivemos o privilégio de receber grandes especialistas e ativistas da discussão em escala nacional, nomes como as queridas Nathalia Oliveira e Rafael Zannato de São Paulo, além dos nossos grandes parceiros nordestinos de sempre, Joey e Edward da Bahia, as “meninas da Renfa PE” que mais uma vez se fizeram presentes a partir das queridas Sarah Rodrigues e Juliana Trevas, Ludmila Correia, da UFPB, dando mais uma vez ao ciclo de debates antiproibicionistas da UFRN um alcance verdadeiramente nacional, consolidando-o no debate como um dos eventos que mais recebeu personalidades ligadas ao antiproibicionismo nesses quase dez anos de atuação.

Pela primeira vez saímos do espaço da UFRN ampliando nosso hall de ação para a segunda maior universidade do RN, a UERN, que timidamente que seja, começa, finalmente, a se abrir para receber tão importante e decisivo debate. No último dia do evento, na UERN, exibimos um maravilhoso filme francês chamado “Paullete”, que numa divertida perspectiva de crítica do racismo, da xenofobia e da proibição das drogas na França, ao término de tal exibição, tivemos um riquíssimo debate que contou com, além dos já citados convidados de fora do estado, importantes nomes das próprias instituições locais, tais como Adriana Rocha, da Liga Cannabica; Carlos Torcato, da UERN; Ana Gretel e Juliana Melo, do DAN-UFRN (a quem reconheço e agradeço desde já a frutífera parceria, registrando também o empenho maravilhoso da Luiza, orientanda da Juliana, além de demais bolsistas que deram uma força, mais as secretárias do PPGAS Gabriela, – Gabi e Caionara, sem as quais esse evento não teria acontecido).

Não poderia deixar de registrar também meus agradecimentos a todos que mais uma vez doaram seu tempo, energia e paciência para que esse evento acontecesse mais uma vez, meus caros Maria Leuça, Rinaldo Sampaio, Adler Barbosa, Ioaana Augusta, Hannah Quaresma, Anna Rodrigues, Carol Vidal, meu muito obrigada mais uma vez a todos vocês. Espero contar com vocês novamente na X edição.

Por fim algumas palavras sobre o processo eleitoral de primeiro turno que se apresenta nesse fim de semana. É importante demais, que você pessoa antiproibicionista que agora me lê, tente votar esse ano em candidaturas que tenham essa pauta no cerne de suas preocupações. Não dá mais para não termos representação no Congresso de modo a debater com seriedade e menos moralismo e preconceito o tema mais urgente e importante das sociedades globais contemporâneas: a legalização das drogas, que será um benefício tremendo não só para as pessoas que usam essas drogas, como acima de tudo para toda a sociedade brasileira. Se proibir resolvesse algo, a intervenção militar de hoje e ditadura brasileira do passado teriam feito sumir do país todo tipo de uso de substância ou hábitos morais tidos por indesejáveis.

Os números da Intervenção Militar no RJ são uma amostra do quão onerosa e ineficiente, no sentido de melhorar a situação da cidade, tem sido. Portanto, vamos votar nesse domingo com a convicção que somente duas candidaturas à Presidência, as duas mais à esquerda, representam uma possibilidade de avanço nesse debate. Bem como somente num governo de esquerda aqui no RN temos esperança de ver esse tema debatido finalmente em outros termos no âmbito do Conselho Estadual de Políticas de Drogas do RN. Do ponto de vista legislativo o encaminhamento é o mesmo: votar em candidatos que tenham assinado o manifesto “Droga é caso de política”, lançado pela plataforma brasileira de política de drogas, demonstrando seu conhecimento, interesse e preocupação com essa temática.

Até as urnas, donde esperamos tirar alento e esperança para a continuidade de tão importantes lutas.

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Historiadora e Militante LGBT

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