DEMOCRACIA

Jean Paul Prates justifica apoio do PT a candidato de Alcolumbre na eleição para o Senado: “postura independente”

A bancada do PT no Senado Federal anunciou apoio ao senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para as eleições à presidência da Casa. Indicado por David Alcolumbre, o parlamentar também conta com o aval do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O pleito está marcado para 1º de fevereiro.

Pacheco nasceu em Porto Velho (RO), mas foi criado em Passos (MG). É advogado, ex-deputado federal e está no primeiro mandato de senador. O parlamentar deve disputar a presidência da Casa com um candidato do MDB, o maior partido do Senado mas que ainda não definiu o nome. Há ainda uma articulação envolvendo PSDB e Podemos que busca a adesão de siglas como Cidadania e PSL.

Com a adesão do PT, Rodrigo Pacheco já contabiliza os votos de 29 senadores — seis do PT, 11 do PSD, cinco do DEM, três do Pros, três do Republicanos, e um do PSC. Para vencer a eleição são necessários 41 votos — de um total de 81 senadores.

Ao anunciar o apoio ao candidato do DEM, o PT também divulgou uma nota com oito compromissos entregue a Rodrigo Pacheco para enfrentar a agenda de retrocessos pautada pelo governo de extrema-direita no campo dos direitos humanos e dos direitos constitucionais, e em defesa do estado democrático de direito e da soberania nacional.

Pelas redes sociais, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) afirmou que a decisão de apoiar o colega do DEM foi guiada pelos “compromissos assumidos pelo candidato quanto à postura independente e a defesa de princípios fundamentais para o PT” .

Prates também comentou pelo twitter que o PT não levou em consideração o fato de Pacheco já ter sido batizado de “candidato de Bolsonaro”:

– Para nossa decisão, não foi levada em conta declaração de terceiro interessado quanto a ser este (ou ele mesmo) o “candidato de Bolsonaro”. Para nós, importa a garantia efetiva da independência da instituição e do direito de exercermos a defesa de nossas causas”, disse o senador, que ainda completou:

– O Congresso Nacional é um poder independente e, por mais que se esforce por manifestar eventuais preferências para tentar influenciar o processo, o Poder Executivo não deve influir, muito menos servir de referência para caracterizar a escolha da presidência do Legislativo”, afirmou.

O PROS, da senadora Zenaide Maia, já anunciou apoio ao senador eleito por Minas Gerais. Já o Solidariedade, do senador Styvenson Valentim, ainda tenta articular uma terceira via.

Na Câmara, PT definiu apoio a candidato de Rodrigo Maia

Na Câmara Federal, o PT definiu apoio ao deputado Baleia Rossi (MDB-SP), indicado pelo atual presidente da Casa Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar vai enfrentar Arthur Lira (PP-AL), apoiado por Jair Bolsonaro. O perfil político de Baleia, no entanto, não é o que se pode chamar de “candidato anti-Bolsonaro”.

Um levantamento realizado pelo site Congresso em Foco mostrou que em mais de 90% das votações Baleia Rossi apoiou projetos alinhados com o Palácio do Planalto.

O apoio provocou um racha do PT. Parte dos deputados, incluindo a potiguar Natália Bonavides, defendia uma candidatura do campo progressista no 1º turno da eleição e um eventual apoio só no 2º turno. Venceu, no entanto, a ala do partido que defendia a adesão ao bloco logo de início.

 

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *