OPINIÃO

“Jornalistas” esportivos

Eita, profissão ingrata, jornalista! Sim, claro, explicando: para os que não procuram tão somente se locupletar e agradar aos reis de ocasião. Infelizmente, maioria absoluta são de sem vergonhas, ah, esses, inventam um blog descarado chapa branca, independente do mandatário ser de esquerda, direita ou centro. Normalmente, direita, a preferência, eles não têm muito “treino” para bajular a esquerda, e mandam ver! Haja lama! Até se esquivam por um certo tempo, estudam o terreno, mas depois estão no grupo, afinal, quando tudo caminha para “aquele lado”, seja qual for, eles acompanham a manada em busca do dinheirinho que mantém suas vidas fúteis, inúteis.

E quando se trata de jornalismo esportivo? Em primeiro lugar, todo mundo, médico, advogado, deputado, senador, vice-presidente, advogado, engenheiro, empresário, pedreiro, encanador, todos, todos entendem e podem dar sua opinião sobre futebol, mas o jornalista esportivo, ai dele se “inventar” de falar de política, por exemplo,  tomar partido. Tem que fazer como fazem a maioria dos idiotas jogadores e ex-jogadores de futebol Zico, Ronaldo, Ronaldinho, Bebeto, Romário, Neymar, Felipe Melo, Diego Costa e mais outros tantos idiotas, seguir bajulando governo, ficando em cima do muro, concordando com tudo que está posto, mesmo que seja tudo absurdo e errado como, por exemplo, a famiglia Bolsonaro.

Eu, confesso, há muito perdi a paciência e mando todos eles às putas que os pariu. Se entrar nas minhas redes sociais – face, twitter e instagram – para dizer que eu devia me meter e falar só de futebol, que não posso e nem devo defender Lula, a democracia, negros, índios e atirar contra esse governo tresloucado e todos os absurdos que vivemos no Brasil de agora, se prepare, vai ser xingado até a quinta geração. E não tem essa de “ai, você, formador de opinião com essa atitude, com essas palavras de baixo calão…”, é desse jeito mesmo.  Vão para a casa do caralho, se recolham lá com seus bolsominions deprimentes, dementes, ignorantes deixem-me no meu canto, não se metam por aqui.

Lá me interessa se vou perder seguidores, admiradores, ouvintes ou telespectadores, fodam-se! Não sou global, não sou hipócrita e respondo sim na mesma moeda aos comentários canalhas, podem vir. Não tenho mais paciência para ensinar ou tentar convencer, com boas maneiras, um monte de quadrúpedes que ganharam espaço com o advento internet para encher de excrementos os nossos espaços de comentários, mando sim todos se lascar na mesma hora.

Não tenho mais paciência para ficar respondendo aos implicantes idiotas fanáticos. Me irrito com o paspalho que passa gritando “abcdista!”, e se for abordado na rua o cara me tachando assim, pode ter certeza, digo pra chatear que sou sim, fanático pelo time alvinegro. O mesmo caso se dá se for América. Sim, pois o debilóide americano sem medida acha que sou ABC, e o no mesmo caso, inverso, acham que torço pelo América. E  eu, evidente, já não tenho mais saco para ficar repetindo que não sou alecrinense para agradar os dois rivais ou não desagradar ninguém. Danem-se! Quero ficar bem com minha consciência, e só.

E por fim, essa classe descarada, sem vergonha, venal esportiva. Qualquer razatazana de classe média que se acha rico, pensa ter o direito de nos chamar “passa-fome”, “venal”, “toqueiro”, “cruzeteiro” e mais outros tantos adjetivos depreciativos, nos desmoralizando em redes sociais, se achando acima da lei, do bem e do mal. É jornalista esportivo, então, pensam ele,  está sujeito a ser comparado ao safado vidente, ao vagabundo que se vende por uma cerveja, que vive no cós do presidente, qualquer presidente; do outro que recebia cestas básicas, do que cria uma casa de bondades falsas, ou outro que dá apoio às escolinhas de professores falsos cristãos da laia dos Edir Macêdo, Feliciano, Malafaia, Valdomiro, enfim, você, jornalista esportivo está sujeito a todo esse tipo de “carapuça”, lhe servindo ou não.

Aprendi isso desde os meus primeiros dias de jornalista, quando cheguei para José Prudêncio, dirigente do ABC, queria  fazer uma matéria especial para o Diário de Natal, me identifiquei, humildemente disse que queria a ajuda dele. Ele olhou pra mim, calmo, com maior naturalidade e disse: “meu filho, outro dia eu lhe ajudo, acabei de dar um dinheiro para um colega seu de rádio que tava precisando…”. Puta merda. Eu só queria fazer a matéria. Expliquei e ele riu muito, eu também. Depois, quantas e quantas ligações recebi de gente perguntando quanto pagava para colocar uma nota na minha coluna do mesmo DN.

E vocês acham que isso mudou? Mas quero encerrar dizendo que tem, na política, no futebol, em todas as áreas, ainda, muita gente que honra a profissão e não faz dela um comércio podre.

Artigo anteriorPróximo artigo
Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *