ENTREVISTA

Kokinho: “A gente pensa que a escravidão sempre foi de um jeito só no RN, mas havia escravidões diferentes”

O período em que o Rio Grande do Norte teve mais negros escravizados pelas vilas e fazendas foi em 1870, com 24.236 pessoas realizando trabalho forçado no território, segundo o historiador Câmara Cascudo, em “História da Cidade do Natal”. Era um contingente considerado pequeno se comparado com Pernambuco, onde havia 89.028 escravos, por exemplo, segundo dados do censo realizado em 1872.

Por esses números, historiadores defendem que havia um progressismo na antiga província, indicando que antes mesmo da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, o território potiguar já não fazia uso da mão de obra humana escravizada. Todavia, o professor Luiz Eduardo Brandão Suassuna está trabalhando em um livro que busca contar de quais formas pessoas foram privadas do direito à liberdade e forçadas a trabalhar sem receber qualquer salário no território potiguar. 

A obra, batizada de Anotações sobre a história da escravidão e da cultura negra no Rio Grande do Norte será lançada no primeiro semestre de 2021 pela editora Sebo Vermelho.

Em entrevista para a agência Saiba Mais, Kokinho, como é carinhosamente chamado pelos alunos, explica que não se trata de uma obra academicista, apesar de obedecer ao rigor da pesquisa, mas de um livro destinado a todos que gostam de história e tenham interesse em saber mais sobre essa parte pouco abordada da formação do Estado.

Saiba Mais: Professor, professor Luiz, né? Quero conversar com você sobre o novo livro, tratando da história da escravidão no RN. O que podemos esperar?

O título do livro é “Anotações sobre a história da escravidão e da cultura negra no Rio Grande do Norte”. Não é uma coisa assim, vamos dizer, cronológica. Por exemplo, [falo] do escravo no ciclo do gado, da dança de São Gonçalo, que era uma dança dos negros. São temas assim. É um livro pequeno, como eu digo na apresentação, ele tem que ser lido uma só vez, porque meia hora você lê ele todo. [Tem] assuntos interessantes, como um levante de escravos que ocorreu em Natal, em 1738. Escravos ameaçaram invadir Natal, no dia da padroeira, 21 de novembro. No Instituto Histórico foi encontrado um documento, uma ata da Câmara de Vereadores da época, que tinha o nome de Senado da Câmara, relatando o fato. 

Agora, uma coisa que é interessante: muitos desses fatos nós não sabemos o desfecho dele. Por exemplo, a gente não sabe como terminou esta rebelião de escravos. Não se fala mais. A história tem a lacuna. E por aí vai. Então, o livro, ele consiste nisso, em textos, sobre a escravidão e a cultura negra no Rio Grande do Norte. 

No Rio Grande do Norte, e em alguns estados do Nordeste, há um senso-comum de que se tinham poucos escravos e, por isso, pouca população negra nos territórios. Como você vê isso? Esse aspecto chega a ser abordado no livro?

Não trato dessa parte. Mas, no Rio Grande do Norte, ele não teve a cana-de-açúcar, no período da colônia, como um produto principal. Consequentemente, o que atraía a grande quantidade de escravos, era a cana-de-açúcar. Pra que você tenha ideia, nós só tínhamos dois grandes engenhos na Colônia, o Inhaú e Ferreira Torto. Então, realmente, a gente de negros que veio para o Rio Grande do Norte foi relativamente pouco se comparado a outras capitanias. Por quê? Por uma razão econômica. O ciclo do gado, sobre o que falo, exigia poucos escravos. Era um escravo vaqueiro e um ou dois escravos numa fazenda. As fazendas de gado não tinham senzala. 

Houve todo o mecanismo para o escravo não fugir. Porque ele passava o dia todinho cavalgando nesse sertão velho, sem cerca, sem nada. Então, por que ele não fugia? Porque ele constituía família, morava numa numa casa isolada. A gente pensa que a escravidão sempre foi uma, de um jeito só, mas existiam esses tipos de escravos, eram escravidões diferentes, mas eram escravidões. Não é uma maneira de menosprezar a escravidão. É de mostrar a escravidão diferente. Que ser escravo por si só já é a pena maior, né? 

“A gente pensa que a escravidão sempre foi uma, de um jeito só, mas existiam esses tipos de escravos, eram escravidões diferentes, mas eram escravidões”.

Qual o objetivo do livro? 

A dança de São Gonçalo, que está desaparecendo, tem que ser resgatada. Eu falo das irmandades, a ideia da Associação dos Escravos, era a maneira que os escravos tinham de ter uma associação, vamos dizer assim, validada pelo Estado e ali eles preservavam a sua cultura, como nós temos a irmandade dos livros de Caicó. Eu vou usar de Caicó, que é centenária e ainda se mantém até hoje. A daqui [de Natal] está tentando se reorganizar, na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. 

Tem um capítulo sobre a dança de São Gonçalo, tem um sobre as irmandades, e tem outro também que envolve a cultura depois da abolição, né? “E agora, o que que fazer?” Mostrar a situação dos escravos depois da abolição. Aí tem outro dos movimentos que falaram sobre a libertação dos escravos, mas só faziam falar, uma revolução de 1817 e a de 1824 que o Rio Grande do Norte participou que, na verdade, falaram nos escravos, só pra dizer que eram modernos, mas eram senhores de engenho que não queriam a liberdade dos escravos. Faço uma análise dessas revoluções.

Tem o começo falando da escravidão indígena que foi muito pesado no início. Temos o levante dos escravos de Natal, é um capítulo, uma confusão que teve em Vila Flor quando em 1851, fizeram recenseamento e passaram a perguntar a cor das pessoas. Então, as pessoas negras, livres, se revoltaram, porque pensaram que eles queriam saber quem era negro pra voltar a ser escravo. Então, houve uma espécie de rebelião em Vila Flor por causa disso.

Sobre o movimento abolicionista, inclusive a defesa da princesa Isabel feita pelos escravos, a chamada Liga da Redentora, depois da Proclamação da República, que teve aqui em Natal. Eram ex-escravos defendendo a princesa Isabel, ou seja, era uma espécie de partido monarquista, e o resto eu me esqueci. Mas, em em linhas gerais é isso, a escravidão dos índios, o vaqueiro escravo, as revoluções. 

“Temos o levante dos escravos de Natal, é um capítulo, uma confusão que teve em Vila Flor quando em 1851, fizeram recenseamento e passaram a perguntar a cor das pessoas. Então, as pessoas negras, livres, se revoltaram, porque pensaram que eles queriam saber quem era negro pra voltar a ser escravo. Então, houve uma espécie de rebelião em Vila Flor por causa disso”.

Eu procurei fazer com a leitura bem acessível, não com aqueles rebuscados acadêmicos, um negócio melhor de ler. Mais agradável, mais palatável. Não aquela leitura de tese de mestrado e doutorado. Como me aposentei da universidade, eu digo que ao aposentado é reservado certos direitos. Entre eles, o de ser ele mesmo.  Mas, mesmo não sendo um trabalho acadêmico, é um livro destinado a todo mundo. Não é que ele não tem o rigor da pesquisa, ele não tem a linguagem acadêmica. Tentei fazer um texto agradável. Agora, claro, segue os padrões da pesquisa histórica da fundamentação histórica. 

Como o senhor avalia o conhecimento histórico no Rio Grande do Norte?

O conhecimento histórico no Rio Grande do Norte é fruto do processo educacional. Então, nós temos uma educação no geral deficitária e, consequentemente, esses deficitários se refletem no conhecimento de todas as disciplinas. Paixão. Algumas disciplinas são desvalorizadas, vamos dizer assim, no âmbito nacional. Por exemplo, o ENEM, é uma prova de cento e tantas questões, tem cinco questões de história? No Enem não tem mais, nem pode ter, história regional. Então, as pessoas não têm mais interesse porque não cai na prova. O Enem tem muitas vantagens, como a universalização do acesso.  Mas essa é uma desvantagem.

Temos visto uma ascensão do movimento negro. O racismo está sendo muito trabalhado nas redes sociais, campanhas. Como entra esse trabalho em meio a tudo isso?

O livro vem exatamente nesse contexto, né? De mostrar a cultura negra, de mostrar alguns aspectos da vida dos negros no Rio Grande do Norte. A questão da abolição, a defesa da Princesa Isabel, que uma parte dos negros fizeram. E eu coloco uma nota que uma parte também vai defender a República porque achava que a República quando foi proclamada iria democratizar a sociedade, que não democratizou, pelo contrário. Agora, uma coisa interessante inclusive, são as notas, existem muitas notas sobre alguns termos que não dava pra desenvolver no texto. A técnica manda que [as notas] venham com a letra miúda, mas não quero com a letra miúda, eu quero com a letra grande que é para ser bom de ler. Estou ficando velho, tenho dificuldade de ver com a vista gasta, então eu quero que seja bom pra todo mundo ler. 

“E eu coloco uma nota que uma parte também vai defender a República porque achava que a República quando foi proclamada iria democratizar a sociedade, que não democratizou, pelo contrário”.

Como você avalia o Rio Grande do Norte em questões de racismo?

O racismo no Brasil é uma coisa genérica. E o Rio Grande do Norte tem um aspecto que eu acho que nunca vi ninguém abordar. Em alguns setores, em algumas regiões do estado, é muito acentuado (o racismo). Por quê? Pela pouca quantidade de negros que foi para essas regiões. Então, isso acentuou muito o racismo. Quando, muitas vezes, o negro não era tão comum no dia a dia. No meu entender, em algumas regiões do estado, do interior, isso precisa se fazer um estudo para se mapear isso.

Existe uma negação do racismo hoje, principalmente por parte de representantes do Governo Federal e de alguns setores da sociedade. Enquanto isso, os movimentos antirracismo cresceram muito. Como você vê tudo isso?

Vejo como uma evolução e amadurecimento da democracia. Mesmo que haja radicalismo de ambas as partes, isso é extremamente importante para o amadurecimento da democracia. Talvez os frutos dessa discussão, que já são benéficos, a discussão em si é benéfica, mas os frutos extremamente benéficos de uma sociedade melhor, se farão ao longo do tempo. Eu acho que estamos no caminho. E o caminho é esse, discutir, de confrontar ideias, porque a história só acerta o passo na dissidência. É necessário a dissidência para que se acerte o passo.

[Como exemplo, temos] os próprios processos revolucionários. O que foi a revolução francesa? Uma dissidência. Quando a própria elite rompeu com a monarquia. A Revolução Francesa vai ser parâmetro para todas as revoluções do ocidente. Aquela dissidência mudou a história. Isso pra dar um exemplo bem emblemático, né? […] A guerra é uma dissidência e, muitas vezes, acertaram o passo. Não tô fazendo apologia a guerra, mas faz parte da história da humanidade. 

“Em alguns setores, em algumas regiões do estado, é muito acentuado (o racismo). Por quê? Pela pouca quantidade de negros que foi para essas regiões. Então, isso acentuou muito o racismo”.

Você dá aula em cursinhos. Com essas turmas, chega a trabalhar os temas racismo e negritude?

Atualmente não porque não pede o ENEM. Tem um capítulo sobre a cultura negra e a escravidão, que todo ano cai no Enem. Se existe uma coisa, eu não sei esse Enem agora, porque eu ia pegar pra ver, não vi. Mas, todo ano cai alguma questão sobre o negro no Enem. Negro e índio. São cinco questões de história. Agora, quando eu digo que cai História isso não quer dizer que não caia em literatura, né? Literatura tem um campo amplo, né? É um campo para se explorar. Na própria geografia, eu estou me referindo a minha prova, no caso.

Você considera suficiente a forma como o ENEM trabalha as disciplinas? 

Olha, pessoalmente, eu acho que o ENEM é uma prova muito bem feita, né? Como prova de massa. Esse é o problema, o que eu acho […] é que o ENEM [deveria ser] por região; um para a região Nordeste, outro para a região Norte, um para o Sul, outro no Sudeste e outro no Centro-oeste, por quê? Porque na parte de humanas eles possuem características muito próprias e peculiares. E isso deixa de ser estudado. 

Uma outra questão que você trabalha no livro é sobre índios no Rio Grande do Norte. Também há um censo comum e uma informação até institucionalizada de que o Estado não teria mais comunidades indígenas, o que se prova não ser verdade. Como é isso?

Uma coisa que nós não temos são comunidades indígenas que mantenham suas características culturais como outros estados têm. Por exemplo, os remanescentes indígenas que nós temos, mas a maior parte deles, não sabem a língua. Alguns grupos não sabem de onde vieram. Porque aqui, quando houve a Guerra dos Bárbaros (Conflito envolvendo colonizadores e povos nativos conhecidos no território que corresponde atualmente entre 1650 e 1720), que foi o maior extermínio indígena… Um dos maiores extermínios indígenas do Brasil, foi no Rio Grande do Norte. Aqui mataram o índio sem piedade. Embora que, pra matar, já não há piedade. Isso é um uma força de expressão.

Os poucos índios que sobraram foram obrigados a viver nas cidades, nas vilas. São José do Mipibu, Vila Flor, Extremoz, Porto Alegre, as primeiras vilas. E aí eles se misturaram. Quando se diz que o Rio Grande do Norte tem poucos índios… Mas a população do RN é quase toda mameluca. É porque a gente não para pra ver. Quer um exemplo? Pode olhar, que a maior parte dos homens do Rio Grande do Norte tem barba rala, não tem a barba cheia. Essa influência indígena, os homens tem poucos pelos, é uma característica indígena. O índio não tem pelo, é imberbe. Então, na mistura da raça, ocasionou isso. A maturidade sexual ou precoce nas mulheres e nos homens também. As índias que tinham o primeiro filho [quando tinham] entre dez e onze anos de idade.[…] mas isso é indígena, não é nada do outro mundo não. 

“Uma coisa que nós não temos são comunidades indígenas que mantenham suas características culturais como outros estados têm. Por exemplo, os remanescentes indígenas que nós temos, mas a maior parte deles, não sabem a língua. Alguns grupos não sabem de onde vieram”

Nós temos mais influência indígena do que nós pensamos e sabemos que temos. Eu acho que você já viu quando em casa se tem um menininho novo, coloca a criança na rede e um pau [pedaço de madeira] nos punhos pra ele não cair. Isso é um costume indígena. Comer feijão amassado, gente que senta no chão e coloca os pés pra dentro… O próprio feijão verde é comida indígena, o feijão de rama. E uma vez eu fui aqui perto de Ceará-Mirim, passei numa comunidade e havia um grupo de rapazes todos conversando de cócoras. Ora, de cócoras? Podiam estar todos sentados no chão, porque, se existe uma posição que dói na perna é ficar de cócoras muito tempo, mas é o costume que se tem e vai ficando.

“A maior parte dos homens do Rio Grande do Norte tem barba rala, não tem a barba cheia. Essa influência indígena, os homens tem poucos pelos, é uma característica indígena. O índio não tem pelo, é imberbe. Então, na mistura da raça, ocasionou isso”.

Vale o mesmo para a afrodescendência no RN, de haver mais influência do que se pensa?

É muito difícil mensurar a influência cultural. Não existe uma medida, é muito relativo. Se você vai para determinada comunidade, vê a influência negra marcante. Mesmo em comunidades de pessoas com pele relativamente clara. E você vai para outras e vê a influência indígena. Nós temos uma influência indígena muito grande na cor. O nosso moreno é um moreno de amarelo e de cabelo liso. Mas a gente vê tanto que nem tá aí, mas se você for olhar como tem gente que é do moreno puxando pro amarelo, para a cor indígena. 

E o senhor acha que tem representação dessas pessoas nas instituições, na TV, a representação desse tom de pele?

Na minha opinião, existe por acaso. Mas, não por uma consciência. ‘Eu represento a raça negra’, isso aí não tem não.

Então, falta aí uma certa consciência de raça, de etnia?

Consciência que só vem através da educação. 

Em 2018 e 2019 nós tivemos muito a discussão do projeto Escola Sem Partido. Muitos professores sofreram com isso. Você chegou a passar por alguma situação assim? Como avalia esse projeto?

Neste período, não, Uma vez só, mas isso já faz tempo. Uma aluna disse que não admitia que se chamasse raça negra, porque racha era de bicho. Olha, os antropólogos chamam tudinho.

Como é que o senhor avalia uma proposta, por exemplo, de Escola sem Partido? De você não poder trabalhar determinadas questões, porque é não entender das pessoas que você está defendendo, determinada ideologia. 

Escola sem partido quer dizer escola que o povo não pensa. E pra mim, a escola que o povo não pensa não é escola. 

Como você definiria a sua trajetória até o momento de lançar esse livro? E, quando vai ser lançado?

Eu não tenho data ainda. Acho que nesses dois a três meses em diante vai sair. O problema é porque tem que fazer umas fotografias e eu tenho comorbidades e 62 anos, o médico recomendou que eu esperasse mais um pouco. Quanto a minha trajetória, eu fui professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, depois fui dar aula em cursinhos, dei aula pra muita gente. Abri caminho pra muita gente. Sempre procurei tornar minhas aulas agradáveis. Essa foi uma característica que eu sempre quis, de que as minhas aulas fossem agradáveis. E eu acho que esse é um dos principais métodos, o de você ir para uma coisa que você gosta e [conseguir] despertar o gosto pela história. Porque a história é muito bonita. Você pode até não gostar de uma parte da história, mas pode gostar de outra. Pode não gostar da história das guerras, mas vai gostar de história da arte, da história da cultura, da África… Sempre procurei fazer o melhor possível nesse aspecto, de motivar, de fazer com que meus alunos passassem a gostar de história. 

“Escola sem partido quer dizer escola que o povo não pensa”.

Nas redes sociais, principalmente, as pessoas têm brincado com a possível dificuldade que os historiadores vão ter para explicar esse período da história do país. Saímos de um governo de esquerda para outro de extrema-direita, estamos vivendo uma pandemia… Você acha que vai ser mesmo difícil explicar esse período no futuro?

Mais períodos complicados existiram, sempre irão explicar. Agora, é necessário que haja um certo distanciamento do fato para que ele seja analisado. Se costuma dizer que, em História, é como se eu tivesse um texto e colocasse ele bem pertinho dos meus olhos. Eu não entendo, mas se eu for me distanciando, eu passo a entender e passo a ler. Do mesmo jeito é um fato histórico. Quando você tá num redemoinho, num dá pra entender, mas quando o negócio acalma, é que você faz a análise. Os historiadores terão, como sempre tiveram, material farto para estudar e discutir. Eu creio que a história ficará muito rica de fatos e análises desse período que estamos vivendo, pois são coisas inusitadas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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