OPINIÃO

Lá vem mais um 1º de Abril…

1.º de abril é o Dia da Mentira. Consta que a origem remete à França do século 16, no reinado de Carlos IX quando o ano-novo era comemorado em 25 de março até o primeiro dia de abril, com a chegada da primavera, até que o papa Gregório XIII instituiu novo calendário para todo o mundo cristão – o chamado calendário gregoriano – em que o ano-novo caía em 1º de janeiro. Existem outras versões para a data, mas essa parece ter bases sólidas e me agradou bastante.

Mas 1.º de abril no nosso triste Brasil também remete a uma verdade terrível que às vezes soa como mentira: a implantação de um Regime Militar. Iniciado na madrugada do dia 31 de março para o dia 1° de abril de 1964, que desencadeou na derrubada do presidente João Goulart, e depois em cassações e prisões políticas, tortura a assassinatos, numa página triste e longa do país.

Acontece que de 2019 para cá, quando o despresidente tomou posse, graças a um golpe parlamentar-midiático-jurídico que tirou da eleição o líder nas pesquisas, é sempre importante repetir, o 1.º de abril também é data em que o demente que nos governa ameaça dar um Golpe Militar. Por sinal bem desnecessário, já que ele próprio é militar (embora capitão medíocre, expulso por insubordinação), o vice-presidente é um general, e centenas de cargos importantes no Governo são ocupados por militares de diversas patentes. Portanto, golpe para quê?

Ainda assim, o demente insiste nisso. Fez em 2019 e em 2020, nos ameaça e insinuar um novo 1964, ele saudoso que sempre foi daquele tempo onde se torturaram e desapareciam com adversários políticos ou desafetos. E faltando 2 dias para a data, esperemos já o que Bolsonaro nos prepara na sua celebração pessoal da data.

Na verdade, o desgoverno está bem tumultuado com a troca de seis ministros, pressão para demissão de alguns deles (como o odiado e pavoroso chanceler Ernesto Araújo, enfim demissionário). Essa tensão no ar gerou duas correntes de pensamento: a de quem acha que Bolsonaro prepara para meados deste 1º de abril uma espécie de auto-golpe com direito a Estado de Sítio e regime de repressão; e outro grupo – onde me incluo – que pensa o contrário, ele está acuado, preocupado, quase desesperado e está perdendo parte do apoio dos militares de alto escalão e da elite econômica (que na verdade são os que o sustentam politicamente).

Mas, enfim, esperemos o que um mentiroso contumaz e patológico  como Bolsonaro nos presenteará no 1.º de abril, Dia da Mentira e dia que deveria ser lembrado como o começo de uma longa noite de terror e repressão. Não temos nem teremos nada para comemorar em um país que está virando uma grande mentira. De qualquer maneira, esperemos. No Brasil o poço sempre pode ficar mais fundo.

 

 

 

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo