OPINIÃO

Ler, ato político, desde pequeno

Política é uma atividade humana presente na vida de todos. E não estou falando da forma partidária. Quando nascemos e choramos, mesmo ainda sem dominar as letras ou a fonética, começamos a vivê-la intensamente. Posicionamentos, ideias, projetos, articulações, relacionamentos afetivos, profissionais e sociais são permeados pela política e nem reconhecemos, de cara, esta realidade. Ler sobre política é libertador, seja a pessoa anarquista, conservadora ou de esquerda. E essa construção é obra da leitura.

É a leitura que nos faz entender o mundo, nosso papel durante a existência e construir olhares sobre a própria vida. Quando agimos politicamente, somos convidados a nos posicionar, a mostrar nosso rosto e identidade enquanto humano. A política é uma das principais atividades da espécie que mais desenvolveu a comunicação e expressar o pensamento. Alicerçar uma visão política leva tempo. Ninguém a ergue de um dia para o outro. Ao lermos, vamos mais adiante em nossa imaginação, interpretação e conhecimento. E se fazemos uma política sem livros, esta tem baixa qualidade.

Desde criança se pode ler e obter a consciência crítica. Algo que é caro ao ser é ter sua própria maneira de enxergar as coisas. Se lemos, não seremos guiados pela cabeça dos outros. E o mercado editorial brasileiro tem várias opções para crianças conhecerem mais sobre política. E nesta assertiva, nada há de dogmático. E quanto mais se ler a respeito de enredos, história, solidariedade, redenção e amor, fatores presentes nos livros mas vai propiciar condições para os pequenos leitores saberem mais sobre si mesmos e o mundo onde vivem.

“Quem manda aqui – um livro sobre política para crianças” é uma dessas opções. Editado pelo selo Companhia das Letrinhas, o texto fala da política inserida na vida real, das disputas no colégio, baseada em oficinas realizadas com crianças. Ser político é marca posição, é decidir, é governar, é fazer acontecer. E a política é reflexo das pessoas e não o contrário. E desistir dela é abrir espaço para os piores apontarem as diretrizes para a maioria. Este livro ajudar a raciocinar, a aprender mais em relação a um tema presente nas padarias, ruas e demais espaços públicos. André Rodrigues, Larissa Ribeiro, Paula Desgualdo e Pedro Markun, autores do título, dão uma bela contribuição para levar a discussão para o dia a dia dos futuros cidadãos.

Valores comuns a todos nós, como a preservação do planeta, justiça social, respeito ao outro, manutenção da paz e se relacionar bem com aqueles que vivem em nossa rua, bairro e cidade estão presentes em “Carta da Terra”, com elaboradas ilustrações da artista plástica paulista Ellen Pestili, um documento lúdico acessível às crianças, que desde cedo podem entender mais sobre sustentabilidade, solidariedade e sociedade sem exclusão. Com este livro é possível compreender a importância do respeito ao diferente, à democracia e ao ser humano.

Poderia citar um caminhão de livros para tratar de política de uma forma que os leitores mais puros do mundo entendam. Mas você está lendo pode fazer ainda melhor: levar sua filha ou seu filho, ou eles, para “chafurdar” nas livrarias, na busca por livros possam ir além da diversão. Que mostrem também o mundo real, no qual seus filhos, leitores, poderão interferir para melhor.

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