CULTURA

Literatura concisa, inspiração musical e dilemas da vida preenchem romance de João Saraiva

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Se o dilema “o que minha ausência afetaria na vida das pessoas próximas” já fez parte da sua vida e você é fã de música e literatura brasileira contemporânea, então provavelmente “O dia em que morri em um desastre aéreo” será o mais novo livro a ocupar sua cabeceira. A obra, assinada por João Saraiva, publicitário e ex-compositor da banda potiguar Jane Fonda, que ocupou a extinta rádio Tropical e marcava os finais de semana de bares como o Blackout, na Ribeira, nos anos 2000, relata a história de Giovanni, um brasileiro que tenta viajar de Madri para São Paulo, mas perde o embarque de um avião que cai. O lançamento será neste sábado (30), no El Rock, em Candelária, às 19h, com cerveja, roda de conversas e bastante experimentação musical da banda Mad Dogs, que embala a noite com jazz, rock, blues, Beattles e muito improviso.

João Saraiva, publicitário de carreira e jornalista por formação, põe nas páginas do romance um pequeno recorte do lento colapso sintomático experimentado pelo Brasil atual, além de narrar dilemas da vida que tanto se encaixam em muitas realidades. O universo Kafkiano, maior inspiração do publicitário, faz o leitor imergir num universo imprevisível repleto de surpresas ao longo da narrativa, que se encaminha em pensamentos e personagens abundantes de camadas e nuances.

Segundo o autor, a inspiração para obra veio tanto de autores clássicos mundialmente, quanto da literatura brasileira contemporânea, passando por nomes e influência também da música. “Minha inspiração vem de autores que eu considero serem mais concisos de texto, como o Franz Kafka, por exemplo – que tem uma inspiração muito direta nesse livro – com a literatura brasileira de agora, porque eu considero muito importante acompanhar o que está sendo feito no Brasil”, explica João Saraiva, que tem a orelha do seu livro escrita por Antônio Xerxenesky, autor publicado pela Companhia das Letras.

“A música também é uma inspiração muito forte para esta obra. Eu toquei em banda por vários anos, compus, escuto e descubro muita coisa até hoje. Então a música acabou formando uma parte substancial da minha essência enquanto escritor”, relata.

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João é um publicitário acostumado a trabalhar com uma linguagem mais concisa há mais de vinte anos e explica que o processo criativo do livro foi uma jornada de muitas descobertas que não deixassem nas mãos do leitor a responsabilidade por driblar a coerência da história. “O processo de fazer um romance é diametralmente oposto ao que eu trabalho na publicidade. Você tem que explorar muito os personagens, explorar muito a linguagem, construir camadas de personagens e histórias, cena a cena, isso tem que fazer coerência num texto longo. Esse processo foi um grande aprendizado, e eu acho que conquistei uma consolidação em relação a essa jornada”, comenta.

“O dia em que morri em um desastre aéreo” mescla diversos gêneros literários ao contar a história de Giovanni, um brasileiro que está embarcando de Madri para São Paulo. O ponto de partida começa quando o protagonista chega no aeroporto atrasado e perde o embarque do avião que pouco tempo depois sofre um acidente responsável por matar os tripulantes e passageiros.

“O aeroporto fica aquela confusão. As pessoas correndo de um lado para o outro. Ele, desnorteado, sem saber o que fazer e tentando marcar um outro voo para voltar para casa. Nisso, ele começa a refletir sobre a ausência que ele deixaria na vida das pessoas mais próximas”, comenta João Saraiva. “A história tem algumas surpresas, outras vozes que vão aparecendo”, completa, deixando ao leitor interessado a responsabilidade em descobrir o restante dessa jornada pessoal de Giovanni que tanto pode se encaixar nos dilemas internos de outras pessoas.

O lançamento em Natal será uma noite cheia de música, bate-papo e cerveja no bar El Rock. “O horário é bacana porque é cedo, então dá para chegar por lá, aproveitar a banda e depois ir para outro lugar. Você chega, pega o livro, toma uma cerveja gelada, ouve Mad Dogs, que vai fazer um show com muita experimentação, muito improviso, jazz, um pouco de Beattles. É uma boa pedida para um sábado à noite antes de cair na gandaia ou de voltar para casa e ver filme”, conclui.

SERVIÇO

O QUÊ: Lançamento do Livro “O dia em que morri em um desastre aéreo”, de João Saraiva;

QUANDO: Sábado (30), às 19h;

ONDE: El Rock, em Candelária, com participação da banda Mad Dogs;

Entrada gratuita

Livro: R$40 

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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