OPINIÃO

Literatura infantil, gênero de primeira necessidade

Cada dia mais, percebemos o interesse de crianças pela leitura. E isso independe de classe social, raça ou origem. Graças ao incentivo cada vez maior promovido pelas escola públicas ou privadas. Lembro de quando criança nunca ter visto um escritor ou escritora ir na minha escola, conversar com os alunos. Eram pessoas distantes, pareciam que viviam nos livros, tal era o encantamento, provocado pelos autores, seres tão distantes à época.

Cresceu o número de autores, fator de estímulo à própria atividade de ler. Hoje, é mais fácil e acessível ter a presença de criadores de estórias, enredos e personagens que nos cativam em salas de aula ou eventos literários. Os escritores falam às crianças e adolescentes sobre seus anseios, projetos e métodos de trabalho.

Anonimamente, uma legião de educadores comprometidos em melhorar o índice de leitura dos pequenos realiza um trabalho muitas vezes anônimo em favor da disseminação do ato de ler. Cheque-livros, programas de incentivo à leitura, formação de bibliotecas em bairros e municípios e palestras de escritores têm formado uma massa crítica de estudantes vorazes por livros.  

Falta muito ainda para termos uma sociedade de leitores? Sim, falta. Mas se olharmos para as décadas passadas, sobretudo as duas pós-1964, o gosto pelo ato de ler voltou sim. E olha que livro ainda continua sendo um caro gênero de primeira necessidade para a maioria das pessoas. Contudo, assistimos mais doações de livros, mais gente compartilhando exemplares lidos, iniciativas de democratização do acesso a este bem vital.

Enxergo este tempo como o de uma revolução silenciosa. Que não pode ser interrompida. E o grande motor para quem escreve livros para criança é saber que do lado de fora da página há alguém ávido por ler, conhecer, aprender. Quem produz livros para crianças tem uma responsabilidade decisiva na formação dos futuros leitores, os mais sinceros que existem pois não têm vergonha de criticar, se preciso, e propor finais alternativos mais inusitados do que poderia supor o criador do texto.

Para os escritores é preciso dizer que há um pulsante mercado consumidor. E não somente formado por crianças mas adultos que leem para elas. O que é preciso mesmo é mais incentivo ao investimento privado para abrir portas para o lançamento de mais títulos. Muita gente guarda originais no fundo do baú mas não dispõe de recursos próprios para publicar. Ouvimos relatos do tipo com muita constância.

A sociedade precisa assumir a ideia de que o livro transforma vidas. Por isso é preciso abrir mais linhas de fomento aos autores. São eles que plantam uma semente no coração e na cabeça de milhões de crianças em todo o mundo, um alimento tão necessário quanto o pão de cada dia, seja impresso ou virtual. Amém.

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