OPINIÃO

Lula não está livre; mas, Bolsonaro e Moro também não!

Os leitores e leitoras dos meus textos aqui neste espaço sabem que não sou dado a arroubos românticos ou frases edificantes, portanto, peço desculpas pela frase que dá título ao texto desta quarta.

Contudo, não se trata exatamente de um efeito para consolar esquerdistas entristecidos após a decisão do STF que negou mais dois Habeas Corpus para Lula e o manteve na cadeia. Nada disso. A frase título é (quase) literal e com doses de cinismo e observação.

Senão, vejamos. Lula preso há mais de um ano continua na mídia, no imaginário popular (dos apoiadores e, ainda mais, dos odiadores), na vigília diária pela sua libertação; está vivo nas redes sociais, nas citações. Recebe políticos, autoridades, prêmios Nobel; concede entrevistas a jornalistas de renome. Recebe cartas de artistas, como Chico Buarque e pedidos de casamento. E arrumou uma namorada.

Ainda que livres, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça Sérgio Moro, envoltos em infernos astrais, cada vez mais se parecem com presidiários. Caras fechadas, semblantes tensos, expressões de quem cometeu, digamos, um crime. Moro recentemente era uma pilha de nervos em audiência no Senado. E chocou-me ver vídeo recente de Bolsonaro bebendo um copo de água de maneira desatenta e equivocada e se molhando inteiro em evento público.

Sei que terá quem diga, “Ah, Cefas, Dilma também tinha seus rompantes de esquisitices e comportamento fora do padrão. E ministros tensos já tivemos às dúzias”. Claro que sim. Mas, com meses apenas de Governo, não. Dilma mostrou-se um poço de tensão já no segundo mandato, durante o processo de impeachment.

Quanto ao “conje” de Rosângela. em metade de um ano passou de herói nacional para “rifado” por antigos aliados como Estadão, Veja e parte do Judiciário. Aparece em público cada vez mais tenso e mostrando a já notória incapacidade de se articular na língua de Camões e Machado.

Liberdade não é só não estar atrás das grades. E nem toda prisão passa pela carceragem da PF de Curitiba. Pelo andar da carruagem, com a divulgação dos áudios e mensagens pelo The Intecept Brasil e com aprofundamento das investigações das milícias do Rio/assassinato de Marielle Franco e possível instalação de CPI para investigar Fake News na campanha, como quer o presidente de Senado, nos próximos meses quem ficarão presos em suas contradições, equívocos e erros serão Moro e Bolsonaro. A conferir.

 

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