CULTURA

MADA e Dosol mantém datas na esperança da pandemia passar e buscam alternativas de entretenimento online

Festivais, shows, feiras, apresentações teatrais e outras atividades que envolvem a cultura foram adiadas ou canceladas desde o início da pandemia. No Rio Grande do Norte, os dois maiores festivais de música que acontecem anualmente – MADA e Dosol – seguem com datas de realização mantidas na expectativa de que a crise causada pelo novo Coronavírus tenha regredido. Juntos, os dois eventos atraíram quase 25 mil pessoas durante quatro dias em 2019 e fizeram rodar quase R$ 5 milhões na economia local.

O Festival Música Alimento da Alma (MADA), previsto para acontecer nos dias 16 e 17 de outubro deste ano, já conta com cinco atrações confirmadas, entre eles Emicida Glória Groove e Letrux. A seis meses da realização do evento, já tradicional e consagrado na cena musical brasileira, a produção do MADA segue trabalhando com a esperança de que a vida volte a normalidade.

“Esperamos que até lá a gente esteja em uma situação mais tranquila para os eventos acontecerem, tenho conversado com muitos outros festivais e não sabemos como vai ser a volta à normalidade, mas estamos mantendo nosso planejamento, divulgando as atrações, para que o nosso público também não perca a esperança”, explica Jomardo Jomas, produtor do festival.

Jomardo Jomas é o idealizador do MADA: “O festival só vai acontecer sob condições seguras”

O produtor explica que as atrações confirmadas já estão fechadas desde antes da instauração da pandemia, mas que o evento só deve acontecer se houver condições seguras e diminuição do contágio pelo Coronavírus.

“Estamos vendo a situação de outros países e acredito que vamos passar por isso, não temos como adivinhar quando, mas temos que acreditar. O festival só vai acontecer sob condições seguras, mesmo já estando com o line up quase todo fechado. Além disso, estamos tentando desenvolver alternativas pra dar visibilidade aos artistas que tem passado por um momento difícil durante a crise”, disse.

A importância do festival para o Rio Grande do Norte vai além da música. Jomas estima que durante os dois dias do evento em 2019, compareceram a Arena das Dunas aproximadamente 14 mil pessoas. Desse total, 42% vieram de outros estados, o que reforça o peso do Mada para a economia potiguar.

– Levando em conta o percentual de pessoas vindo de outros estados e regiões em cima do público total temos um valor aproximado de R$ 3,5 milhões que circulam na economia local durante os dois dias de festival”, diz o produtor que calcula ainda a geração de emprego para 450 pessoas, em média, entre artistas, produtores e equipe durante o festival.

MADA levou 14 mil pessoas durante dois dias para a Arena das Dunas em 2019 (Foto: Luana Tayze)

Perguntado sobre confirmações de atrações internacionais, o produtor nega a possibilidade e diz que é cedo para falar em adiamento do evento:

Para a edição deste ano não teremos atrações internacionais, antes mesmo da crise do coronavírus já tínhamos uma alta pesada do dólar, que impossibilitaria a vinda desses artistas pra cá, que também depende de outros shows em turnê no Brasil, essas que já estão sendo adiadas para 2021. No mais, ainda é cedo para pensarmos que não vai haver o evento, já estamos com os headliners praticamente todos fechados, quem sabe se nos mantivermos em isolamento o festival possa acontecer“, afirma Jomardo Jomas.

Festival online é alternativa para artistas potiguares durante pandemia

Dosol atraiu 10 mil pessoas ao Bech Club em 2019 (foto: Divulgação)

O Festival Dosol, que está programado para acontecer presencialmente nos dias 21 e 22 de novembro, tem envolvido artistas locais em iniciativas virtuais através do Combo Cultural Dosol. A ação intitulada Festival Dosol Sessions vai acontecer diariamente. Serão 31 artistas durante um mês, através do canal do instagram do Dosol, a partir do dia 5 de maio.

De acordo com o produtor do festival, Anderson Foca, a ideia foi proporcionar aos artistas potiguares uma oportunidade de mostrar seus trabalhos e gerar renda, mesmo que sem apresentações presenciais, como acontece geralmente:

“Teremos mais de 30 artistas envolvidos conosco nessa ação online, além de produtores trabalhando e todos remunerados. É uma chance de ajudarmos esses artistas e também de divulgar seus trabalhos, já que além das lives, cada artista também vai gravar dois vídeos, que vão marcar o momento e ficar disponíveis no nosso canal”, explica.

Para as edições diárias online do festival, as lives acontecerão todos os dias a partir das 18h, no perfil @festivaldosol.

O produtor do Dosol Anderson Foca mantém as datas, mas admite: “Particularmente acho que 2020 não será o ano dos festivais”.

Sobre o festival convencional que acontece anualmente, Foca explica que já existia uma construção do evento, que começa a ser produzido no início do ano. “Antes da pandemia estávamos já construindo line up, que começaríamos a dar um gás depois do Carnaval, aí veio a pandemia. Por enquanto estamos tentando nos reinventar, fortalecer as ações online e quem sabe continuar e ampliar essa ação do Festival Dosol Sessions”, disse.

Ainda de acordo com o produtor, as expectativas de reunir milhares de pessoas em um festival não são as melhores: “Particularmente, acredito que 2020 não será o ano dos festivais, é provável que não tenhamos condições técnicas, tempo e segurança para a realização de um festival que tem meses de produção. E se for o caso de realmente não podermos fazer o Dosol presencial, podemos remarcar para o próximo ano, ou até trabalhar com as possibilidades de fazer um evento menor ou dividido em mais dias”, conta Anderson Foca.

O produtor explica que, em dois dias, passaram pelo Dosol em 2019 cerca de 10 mil pessoas, na Arena Bech Club, localizada na Via Costeira. Entre artistas, produtores e prestadores de serviço, ele estima que o festival gerou cerca de mil empregos e movimentou mais de R$ 1 milhão na economia local.

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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