DEMOCRACIA

Manifestação de apoio a Jair Bolsonaro reúne cerca de 70 bolsonaristas em Natal

Diante da ausência de desfiles em homenagem à pátria, em decorrência das medidas preventivas de distanciamento social por causa da pandemia do novo Coronavírus, um grupo de bolsonaristas se reuniu em Natal nesta segunda-feira (7), na Praça de Mirassol, para demonstrar apoio ao presidente.

“Até agora tá tudo ótimo, até acho que o Flávio (Bolsonaro) deve alguma coisa, mas isso não interfere”, avalia David Allerson, um dos manifestantes, quando questionado sobre a relação da família Bolsonaro com os crimes de “rachadinha” dentro da assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A Praça de Mirassol foi apenas o ponto de encontro do grupo, que saiu em carreata até a Praça Cívica, em Petrópolis. A Polícia Rodoviária Federal esteve presente no local, mas os cerca de 70 manifestantes ficaram apenas à margem da BR-101, rente à praça.

A agência Saiba Mais esteve na praça e conversou com alguns bolsonaristas. Muitos deles estavam vestidos de verde e amarelo, outros com camisetas que traziam a foto do presidente Bolsonaro, alguns sem máscara e, outros, com vestimentas e fardas militares.

Durante o encontro, um carro de som tocava o Hino da Independência:

“Esse é um evento para prestigiar a pátria, sem conotação política. Mas, não deixa de ser em apoio ao presidente, até pra mostrar que ele está crescendo nas pesquisas. Em dois anos de governo, não se encontrou nada relacionado à corrupção, o que é um mérito, ponto pro governo”, opinou o comunicador Gleydson Batalha.

Sobre as denúncias e escândalos de corrupção envolvendo o núcleo familiar do presidente, a avaliação é de que as instituições podem realizar suas investigações sem qualquer interferência.

“A família está aberta a mostrar tudo, colocar as cartas na mesa. O presidente não quis blindar ninguém até agora. Nenhuma instituição foi impedida de investigar, nem o Ministério Público, nem a polícia Federal. E se o filho estiver envolvido em alguma coisa, que pague pelo que fez”, concluiu.

Foto: Mirella Lopes l Gleydson Batalha, com a camisa do Brasil, durante manifestação do 7 de Setembro em Natal,RN

Polêmicas mais recentes

Caso Queiroz 

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), juntamente com seu assessor Fabrício Queiroz, são suspeitos de organizar um esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio, quando ele era deputado da Assembleia Legislativa do RJ. O Ministério Público do Rio identificou que Queiroz recebeu, pelo menos, R$ 2 milhões através de 483 depósitos de dinheiro em espécie feitos por 13 assessores ligados ao gabinete do filho do presidente. A “rachadinha” é o repasse feito pelo servidor público ou prestador de serviço, de parte de seu salário ao político como forma de retribuir pela vaga de emprego. Em alguns casos, o servidor sequer presta serviço ao órgão em que está lotado.

Passar a boiada

Em maio, durante reunião ministerial divulgada pelo STF, o presidente Jair Bolsonaro diz que vai interferir nos ministérios porque não recebe informações da Polícia Federal, das inteligência das Forças Armadas e nem da Abin. Afirma ainda que “não vai esperar foder com a família toda” para trocar segurança ou ministro. Foi durante o encontro que o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu “passar a boiada” e mudar as regras para liberar queimadas e desmatamentos na Amazônia enquanto a atenção da mídia está voltada para a Covid-19.

Reforma administrativa

O projeto foi enviado pelo presidente Jair Bolsonaro na última quinta (3) para votação na Câmara dos Deputados. A iniciativa é uma tentativa do governo de demonstrar ao mercado financeiro que tem interesse em reduzir gastos. Mas, especialistas dizem que o documento foi entregue de maneira fatiada e sem muita clareza.  A proposta permite a extinção de órgãos do executivo sem que a decisão precise passar pelo Congresso, numa espécie de “cheque em branco”. Outra crítica, é a de que o governo mantém privilégios ao poupar parlamentares, juízes e militares da reforma. O projeto também retira a estabilidade dos servidores públicos, o que pode dar margem às perseguições políticas.

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