DEMOCRACIA

Protesto de cinco mulheres contra Bolsonaro é reprimido por PM e vereador do DEM em Currais Novos

Assim como aconteceu no restante do país, cinco mulheres em Currais Novos decidiram também se manifestar no sábado (29) por mais vacinas contra a covid-19 e em protesto às medidas do governo Bolsonaro que recusou a compra dos imunizantes e reduziu os investimentos em políticas sociais, como o auxílio emergencial. Mas, a manifestação do pequeno grupo, que afixou cartazes em um monumento da praça central da cidade e contou com a participação de um professor, incomodou o vereador Marquinhos Xavier (DEM), que foi até o local e expressou sua contrariedade com o protesto simbólico.

Vereador Marquinhos Xavier (DEM) insultou manifestantes / foto: divulgação

Como já tínhamos um debate forte sobre preservação do patrimônio, porque algumas mulheres fazem parte do Conselho Municipal de Cultura, usamos uma fita específica que não teria problema de prejudicar o monumento por causa da cola. Esse vereador passou por lá e voltou já com o celular na mão filmando, nos insultando e fazendo todo um teatro. Ele jogava as mãos para o céu e dizia: Cristo, o que estão fazendo com você?”, critica Rayssa Aline, integrante da Marcha Mundial das Mulheres em Currais Novos.

Foi só ao ser questionado pelas mulheres sobre honestidade, corrupção e as práticas políticas do parlamentar na cidade que Marquinhos Xavier foi embora. No entanto, poucos minutos depois, a Polícia Militar chegou ao local e começou a arrancar os cartazes:

“Eles disseram que receberam uma denúncia e iam arrancar os cartazes. Pedi pra ele me provar que estávamos erradas, eles se entreolharam e começaram a arrancar o material. Pedi pra esperar um advogado, mas eles disseram que não podiam esperar. Eu senti que o policial que estava no comando do grupo estava pressionado pelos demais. Pela vivência que eu tive na polícia, é comum que, por mais que sejam subordinados, eles se juntem para pressionar”, especula Rayssa.

Como faz parte do movimento de luta de combate à violência contra a mulher na cidade, Alyne entrou em contato com o major da PM, na tentativa de solucionar a questão:

Enquanto aguardávamos uma resposta do major chegou uma outra viatura com policiais armados. As pessoas que passavam na rua olhavam pra gente e um dos policiais até comentou ‘a gente podia apreender o celular delas né, seria até bom pra gente porque serviria como prova’. Fiz um vídeo e botei no nosso grupo porque, já que estavam ameaçando, se acontecesse qualquer coisa, teríamos como provar. Os policiais ainda quiseram fazer um BO (boletim de ocorrência) sem qualquer explicação. Uma das meninas até comentou que, pra quem via de fora daquela situação, parecíamos acuadas diante daqueles homens armados. Foi só quando o major ligou para o comandante do grupo que notei que ele murchou e disse que podíamos continuar com o protesto”, desabafa Rayssa, indignada com a exposição diante dos outros moradores.

“A cidade é pequena e temos uma relação muito boa com o major, que tem uma preocupação com essa questão da violência contra a mulher e muitos policiais também pensam assim. Sabemos que essas são ações isoladas de alguns poucos que estão dentro da polícia, conseguimos perceber isso nitidamente. É importante que eles também percebam que eles não são nossos inimigos”, conta a ativista, que contou já ter sido abordada em outras situações, como em um evento voltado para jovens da cidade e a cultura hip-hop.

Para evitar demonstrações de violência em futuras manifestações, como a que ocorreu em Recife, onde um manifestante chegou a perder um olho depois de ser atingido por balas de borracha disparadas pela Polícia Militar, a preocupação das ativistas em Currais Novos é evitar o desgaste com a polícia local e manter uma boa relação, já que a corporação tem contribuído com importantes parcerias para diminuir os índices de violência contra a mulher na cidade.

Pandemia em Currais Novos

Na manhã desta terça (1º), a cidade de Currais Novos confirmou mais 58 casos e duas mortes resultantes da covid-19, que ocorreram entre os dias 28 e 30 de maio. O município, que fica no Seridó e tem cerca de 68 mil habitantes, segundo o IBGE, já soma um total de 4.760 casos e 93 mortes em decorrência do novo coronavírus, de acordo com o boletim epidemiológico produzido pela Sala de Situação do setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Currais Novos, em parceria com a Residência Multiprofissional em Atenção Básica da UFRN. Por causa da pandemia, o município também está seguindo medidas mais restritivas na tentativa de evitar o aumento das contaminações.

A equipe da agência Saiba Mais tentou entrar em contato com o vereador Marquinhos Xavier (DEM) pelo email disponibilizado pelo parlamentar na página oficial da Câmara Municipal de Currais Novos, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta matéria.

Vídeo feito pelas manifestantes durante o #29M

 

 

 

 

 

 

 

 

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