CIDADANIA

Manifestação de estudantes vai cobrar explicação para demissões da UnP

A demissão em massa de professores e funcionários iniciada pela Universidade Potiguar (UnP) na semana passada provocou indignação e revolta entre os estudantes da instituição privada. Uma manifestação pública confirmada para quarta-feira (13) vem sendo organizada pela internet e já conta com a adesão de alunos das cinco unidades da UnP em Natal. Os estudantes vão se concentrar por volta das 16h em frente a unidade da avenida Roberto Freire e seguirão em passeata até o prédio da Reitoria, nas proximidades do local. A manifestação está sendo convocada pelo coletivo Todas as Vozes, grupo de oposição à atual gestão do DCE.

A UnP não confirma o número de demitidos, mas especula-se que mais de 100 professores de vários cursos já foram exonerados, entre especialistas, mestres e até doutores. Em nota, a universidade alegou “aprimoramento na qualidade acadêmica” para justificar as demissões. Porém, com as novas regras da CLT em vigor desde novembro, estudantes e professores demitidos acreditam que as exonerações sejam os primeiros reflexos da reforma trabalhista. Na mesma semana, a Universidade Estácio de Sá anunciou a demissão de 2,1 mil professores em todo o país. A maioria dos docentes na UnP que perderam o emprego tinham titulação e mais de sete anos de serviços prestados à instituição.

Membro do coletivo Todas as Vozes, o estudante de psicologia da UnP Gustavo Morais reclama da falta de diálogo entre a reitoria e corpo discente. Ele destaca que os estudantes foram muito prejudicados com as demissões.

– É uma situação bem complicada porque houve casos de alunos com pré-projetos que ficaram de mãos atadas, pois seus orientadores foram demitidos. Isso sem falar que quando você demite professores com titulação e contrata outros recém-formados pagando um salário menor você também perde em qualidade de ensino.

Morais conta que no final de 2016, quando a UnP também demitiu alguns professores, a instituição prometera contratar docentes com a mesma titulação dos exonerados. No entanto, não foi o que ocorreu. Houve insatisfação também quando a UnP juntou turmas de matérias em comum, a exemplo de psicologia jurídica, prevista no projeto pedagógico dos cursos de Psicologia de Direito.

– Isso prejudica a aula porque se o professor se aprofundar no Direito os alunos de psicologia ficam alheios e vice-versa. E isso sem falar que a sala de aula fica com 100 alunos. Algumas grades já estão incompletas, como a de publicidade, por exemplo.

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"