DEMOCRACIA

Manifestações de 1º de maio são marcadas por divergências pela adesão de políticos de direita e do “centrão”

Tradicionalmente marcado por atos públicos realizados em diversos pontos da capital e interior norte-riograndenses, o 1° de maio de 2020, em um cenário de Pandemia e de isolamento social, será diferente. O ato será realizado nas redes sociais, por meio de uma lives l com o tema ‘1° de Maio Solidário: Saúde, emprego e renda’.

A decisão foi acordada entre as centrais sindicais CUT, CTB e UGT, juntamente com a Frentes Brasil Popular decidiram realizar ato público virtual nacional, com a presença de diversas personalidades políticas e dialogando com as entidades e trabalhadores estaduais sobre as bandeiras de luta.

Na mobilização virtual das centrais e frentes nacionais, será transmitido um palanque com espaço para diversos políticos e representantes das entidades. O que gerou desacordo entre alguns setores da luta da classe trabalhadora, foi a presença de figuras como o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do Senado Davi Alcolumbre.

A presença dos referidos políticos, fez com que o ex-candidato à presidência da república pelo PSOL, Guilherme Boulos se retirasse do ato. A coordenação nacional da Frente Povo Sem Medo também se retirou da ação:

– Entendemos que o convite a Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre não é compatível com o Ato de 1 de Maio, que além da defesa da democracia, tem o objetivo de defesa dos direitos dos trabalhadores. Foram justamente esses setores que comandaram o ataque a direitos no último período, como na Reforma da Previdência e Trabalhista. Por esse motivo a Frente Povo Sem Medo não participará da manifestação on-line. Seguimos firmes nos esforços pela mais ampla unidade em defesa das liberdades democráticas e de direitos, assim como na luta pelo Fora Bolsonaro e Mourão e reforçamos a divulgação do Panelaço da Periferia que vai acontecer no dia 1 às 20h30. Aqui está o povo sem medo de lutar!”, apontou em nota a Frente.

A CSP-Conlutas e a Intersindical também se retiraram da manifestação e farão um ato paralelo às 11h destacando as palavras de ordem “Fora, Bolsonaro” e “Fora, Mourão”.

No Rio Grande do Norte, o espaço dado a Maia, FHC e Alcolumbre é repudiado pelas centrais sindicais locais, que farão uma mobilização virtual unificada ao longo desta sexta-feira (01). Segundo a presidente da Central Única dos Trabalhadores no RN, Eliane Bandeira, o 1º de Maio celebra a luta pela preservação dos direitos dos trabalhadores, contra os quais PSDB e DEM atuaram firmemente.

“A presença dessas pessoas em um ato do Dia do Trabalhador, traz aos palanques, mesmo que virtuais, os algozes do ataque a classe trabalhadora, pessoas que foram fundamentais para que as reformas trabalhista e da previdência fossem colocadas em prática retirando nossos direitos. Independentemente da posição da CUT Nacional, a CUT RN, a Frente Brasil Popular e as demais centrais como CTB e Conlutas não tem qualquer interesse em dar visibilidade a essa mobilização”, argumentou Eliane.

Há um ano, trabalhadores iam às ruas contra reforma da previdência. Foto: Acervo CUT RN

Os inimigos comuns são Bolsonaro e o Coronavírus, alerta presidente da CTB/RN

Para o presidente da CTB no Rio Grande do Norte, Celino Bezerra, é de se lamentar a atual situação do país, tanto pela pandemia, quanto pela má gestão da crise no Governo Federal:

“Estamos passando por um momento de ameaças à classe trabalhadora, quem vem perdendo emprego e renda, e sofre com ataques do Governo Bolsonaro. Toda essa situação demonstra que a tese neoliberal do setor privado não é solidária aos seres humanos, e também nos mostra que o papel do estado, mesmo sendo liberal e burguês, é importante diante das crises”, explica.

O líder sindical aponta ainda que a CTB vê nesse momento dois inimigos comuns: o Coronavírus e o Bolsonaro, e que a luta contra esses dois agentes deve ser unificada.

“Dentro da política a gente não pode exigir nossas vontades, precisamos nos somar a todos os contrários a esse governo. É importante lembrar que nós não estamos nos aliando a figuras que antes lutaram contra os trabalhadores, são eles que estão vindo até nós e precisamos estar juntos na linha de frente contra a política Bolsonarista e por ações que nos façam derrotar a Covid-19”, argumenta Celino.

A partir das 9h desta sexta, serão transmitidas uma série de lives pelo perfil @cutpotiguar no Instagram. A ação de entrega de materiais de higiene e alimentos será em feita em Natal, nas comunidades do Jacó, Japão, Planalto, Mãe Luíza e Igapó. Municípios como Ceará Mirim, Mossoró, Assú, Upanema, Santa Cruz, Currais Novos e Apodi também são alvos da ação, entre outras localidades.

Ato virtual nacional terá lives com mais de 40 artistas

Cerca de 40 artistas se apresentarão durante a Live 1º de Maio Solidário. Entre eles, Chico César, Zélia Duncan, Fernanda Takai, Toninho Geraes, Otto, Odair José, Leci Brandão, Marcelo Jeneci, Francis e Olivia Hime, o Titã Paulo Miklos.

Já Chico Buarque enviará uma mensagem. Os atores Fábio Assunção, Gregorio Duvivier e Osmar Prado também falarão na live.

De acordo com a programação, os discursos de FHC e de Lula marcarão o encerramento do ato virtual em alusão ao Dia do Trabalhador. Transmitidas via internet, suas mensagens serão intercaladas pelas falas da vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB), e dos presidentes das duas maiores centrais sindicais, CUT e Força Sindical.

Além de Lula, FHC e Marina Silva,o ex-governador Ciro Gomes (PDT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), participarão do ato, organizado por sete centrais além de CUT e Força Sindical. São elas: UGT, CSB, CTB, CGTB, NCST, Intersindical e A Publica, com o apoio da Frente Brasil Popular.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, ocuparão esse palco virtual, bem como o governador do Rio Grande do Sul, o tucano Eduardo Leite.

A intervenção da ex-deputada Manoela D’Ávila será exibida logo depois da participação de um representante do PL e do PV. Essa diversidade provocou mal-estar e consequente saída de duas centrais que, originalmente, integravam a organização. Em protesto, a CSP-Conlutas e a Intersindical realizarão ato independente, convocando ainda um panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro, às 20h.

 

 

Artigo anteriorPróximo artigo
Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *