CIDADANIA

Marinha encontra barril cheio da Shell perto de praia em Natal

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Um tambor fechado com 200 litros de óleo foi encontrado nas proximidades da Ponta de Tabatinga, praia perto de Natal, nessa quinta-feira (17). A informação confirmada pela Marinha do Brasil divulgou que o barril estava a 7,4 quilômetros da costa do Estado. Ainda segundo o órgão, o tambor continha o logotipo da Shell, empresa petrolífera multinacional, e estava boiando no mar quando foi avistado e recolhido. Outro barril da empresa já havia sido encontrado nas proximidades da orla de Sergipe.

De acordo com os militares, o barril estava cheio e não apresentava vazamentos. Depois de recolhido, o material foi coletado para ser encaminhado à análise no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, no Rio de Janeiro. Em nota, a Marinha alegou que “os dados disponíveis até o momento não permitem concluir se o episódio tem relação com outros tambores encontrados no litoral de Sergipe (que também tinham o logo da Shell) ou com o óleo que tem se espalhado pelas praias do Nordeste“.

O tambor encontrado na praia de Barra de Tabatinga não é o primeiro da Shell a ser descoberto nas proximidades da costa do Nordeste. Dois barris de óleo foram encontrados na costa sergipana, o primeiro em uma praia no município da Barra dos Coqueiros, litoral Norte sergipano, e o outro na Praia Formosa, zona Sul da capital. Segundo a Shell, material não tem relação com os vazamentos, mas notificação foi enviada para apurar origem e características do conteúdo presente nos barris e nas praias.

Nesta quinta (17), pesquisadores da Universidade Federal do Sergipe (UFS) confirmaram que o óleo que suja as praias do Estado não é brasileiro. A Petrobras também já havia informado que o material que atinge o litoral nordestino não é produzido nem comercializado pelo Brasil. Em relatório interno, a estatal indicou que as manchas que estão poluindo praias do Brasil são uma mistura de óleos de provável origem da Venezuela.

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O governo de Nicolás Maduro, no entanto, negou que tenha responsabilidade no desastre ambiental. Na avaliação, a hipótese mais forte sobre a origem do crime ambiental, neste momento, é de “navio fantasma”, embarcação clandestina que faz o contrabando de petróleo.

A Shell, em nota, divulgou que os tambores encontrados em Sergipe eram originalmente embalagens de lubrificantes para navios, de um tipo que não é produzido no Brasil. A empresa informou também que não havia reutilizado seus tambores. A Shell voltou a ser procurada, mas ainda não se manifestou sobre o novo barril encontrado.

Segundo análises iniciais de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o vazamento que atingiu todo o litoral do Nordeste do País pode ter ocorrido em uma região entre 600 km e 700 km da costa, na altura dos Estados de Sergipe e Alagoas.

O Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama, confirmou também nesta quinta que Salvador já tem quatro novas praias atingidas pelas manchas de óleo: Praia do Flamengo, Pedra do Sal, Farol da Barra e Rio Vermelho.

O Ibama contabiliza 182 localidades atingidas pelo vazamento de óleo que atinge a região Nordeste desde o início de setembro. Mais de 200 toneladas da borra já foram retiradas do litoral brasileiro desde o dia 2 de setembro, quando começaram a surgir nas praias brasileiras.

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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