OPINIÃO

Mário Sérgio do Salesiano testa limite entre popular e populismo

Mário Sérgio de Oliveira se tornou conhecido em Natal pelo trabalho exercido no Colégio Salesiano São José. Ao longo de sua trajetória, foi professor, coordenador e se tornou vice-diretor da tradicional escola situada no bairro da Ribeira. Ao longo dos anos, ganhou a admiração de muitos alunos, pais, funcionários e professores.

Durante todo ano de 2020, Mário Sérgio utilizou bastante as redes sociais, inclusive com muitas publicações impulsionadas ou patrocinadas. Foi possível perceber um claro desejo de sinalizar ao público sua intenção de ingressar na política partidária. Respeitando o cronograma eleitoral, inicialmente se colocou como pré-candidato e, posteriormente, oficializou a candidatura a vereador de Natal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Apostando na adesão dos ex-alunos e agregados do Salesiano, o candidato está nas ruas e nas plataformas digitais em busca de votos. No seu material de campanha, o tema educação é o assunto mais abordado.

Contudo, chamou a atenção um posicionamento do postulante a vereador ainda na fase de pré-campanha. Mário Sérgio declarou que não fará uso do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o famoso “fundão eleitoral”. A postura do candidato gerou muitas reações positivas dos seus seguidores no Instagram e Facebook.

Porém, o referido Fundo foi um mecanismo de financiamento aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República com o objetivo de financiar as campanhas eleitorais, ou seja, não existe ilegalidade no uso dos recursos. O que pode ser questionado é o montante aprovado em meio à crise econômica agravada devido a pandemia do novo Coronavírus. Todavia, Mário Sérgio não justificou os motivos que o levaram a dispensar o dinheiro.

Por outro lado, o diretório estadual e municipal do Partido Trabalhista Brasileiro não se posicionou contrariamente ao uso do “fundão”. Ao mesmo tempo, até o dia 25/10/2020, a sigla já recebeu por volta de R$ 180 mil do FEFC e já destinou, por enquanto, uma pequena parte do dinheiro para Flávio Peixoto e Damião da Borracha que também são candidatos a vereador pelo PTB em Natal.

A eleição de vereador é disputada no sistema proporcional. Sendo assim, para a apuração dos eleitos, é considerado o somatório total de votos obtidos dentro do mesmo partido. Então, para se eleger, Mário Sérgio dependerá não só dos seus eleitores. Seu sucesso dependerá do desempenho de figuras como Flávio Peixoto e Damião da Borracha que já receberam transferências do fundo eleitoral.

Desta forma, ao negar o uso do “fundão e diante das circunstâncias políticas atuais, Mário Sérgio se comportou de maneira populista, uma vez que, inegavelmente fará uso indireto dos recursos e, assim, poderá se beneficiar eleitoralmente de que usou.

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