CULTURA

Aureliano põe a masculinidade no divã em novo livro

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“Para onde vão as lágrimas que não nos permitimos chorar?”. É com esse questionamento que o ilustrador e escritor Aureliano Medeiros debate a masculinidade tóxica em sua mais nova obra: ‘O menino que desaprendeu a andar’. O livro é uma viagem visual por sentimentos que, desde muito cedo, meninos aprendem que devem ficar guardados. O lançamento será na próxima quinta-feira (7), a partir das 17h, no Café Sr. Petita, por trás do Bardallos, na Cidade Alta.

Tratando de um tema ainda tão pulverizado de debates, o ilustrador põe em discussão a masculinidade tóxica em um livro que se insere no universo não somente infantil, mas totalmente adequado e indicado para todas as idades.

“Eu demorei muito tempo para perceber que isso era uma barreira real na minha vida e de que forma esse ‘não chorar’ afetava os meus dias. Depois que notei o que estava acontecendo, fiquei imaginando quantas pessoas sentiam a mesma coisa, mas se sentiam tolhidas de falar”, relata o autor.

Para o autor, alguns homens têm percebido que não existe problema em se mostrar vulnerável.

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“É importante abrir o diálogo sobre esse assunto, porque quanto mais falamos sobre isso, mais as pessoas vão entender que são sentimentos normais e recorrentes, e que não estamos sozinhos no mundo”, explica o escritor e ilustrador.

Aureliano também alerta sobre a alta taxa de suicídios entre homens no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a taxa masculina supera quatro vezes mais que a feminina. “Só consigo pensar que falar um pouco mais sobre o que nos dói poderia nos ajudar nos nossos processos de existência no mundo”, pontua.

Terceiro livro do autor tem referências da literatura infantil (FOTO: Divulgação)

A publicação foi lançada inicialmente no Festival Mário de Andrade, durante a Virada do Livro (SP), com Aureliano sendo um dos poucos nordestinos a integrar a programação junto a nomes como Fernanda Montenegro e Mia Couto.

Sobre o processo criativo, ele explica que surgiu após uma leitura que o inspirou sentimentalmente. O livro final é um trabalho de cinco meses de estudo sobre o tema e assimilação a partir das experiências do próprio autor, que se debruçou na literatura infantil para buscar referências que também o inspiraram para a obra.

“Depois que eu havia entendido o que eu queria fazer exatamente, sentei de novo na cadeira e fiz as ilustrações“, relata Aureliano, com a felicidade do resultado: “Pra mim é meu trabalho mais redondo até hoje”.

O menino que desaprendeu a chorar é o terceiro livro de Aureliano, que iniciou a carreira literária em 2015 com o romance ilustrado ‘Madame Xanadu’, com a história de uma drag queen deprimida e profundamente natalense que vivia por entre as ruas do centro histórico da capital potiguar. O segundo livro, que reuniu os quadrinhos ilustrados virtualmente, chama-se ‘Mercúrio Cromo‘, lançado, em 2017, pela Editora Lote 42.

Conhecido virtualmente com os quadrinhos que publica nas redes sociais, o ilustrador trata de questões sobre cotidiano, mídias sociais, saúde mental, corpo e sobre se sentir desencaixado em toda e qualquer situação. Após o lançamento, o autor se prepara para uma grande maratona de eventos para divulgar o livro, passando por Recife, Rio de Janeiro, Ilha de Paquetá e São Paulo.

Serviço:

Lançamento “O menino que desaprendeu a chorar”

Data e hora: Quinta-feira (7) das 17h às 20h

Local: Café Sr. Petita, Rua Voluntários da Pátria, 672, por trás do Bardallos, Cidade Alta, Natal – RN

Preço: R$ 25

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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