ENTREVISTA

Me Representa: “chega de decidirem por nós, sem nós”, avisa a candidata Samara Martins, da Unidade Popular

A série “Me Representa” mostra nesta sexta-feira (16) Samara Martins, candidata a vereadora de Natal que aparece com o número 80.180. Oitenta é o número do partido, o novíssimo Unidade Popular. E o complemento 180, Samara usa em referência à luta contra a violência às mulheres.

Ela se define como mulher, negra, mãe, dentista e moradora da periferia em Natal. “Lutadora social desde a adolescência iniciei a militância no movimento estudantil secundarista, fui diretora da UNE e sou vice-presidenta nacional da Unidade Popular”, anuncia.

“Me Representa” é uma série de entrevistas que propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias.

Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal do Youtube da Agência Saiba Mais. Para receber tudo em primeira mão, inscreva-se no canal.

Confira a entrevista:

Saiba Mais: Quem você representa?

Samara Martins: Represento a luta do povo pobre, a luta das mulheres negras, moradoras da periferia que têm que enfrentar a violência e todas as mazelas da sociedade, não tendo acesso à renda e ao emprego, as sem-teto, as mães que lutam por uma vida digna para seus filhos desde o nascimento, inclusive para não sofrer violência até mesmo no parto. E nós acreditamos no sonho de uma sociedade livre da exploração e de toda forma de opressão, da opressão de classe, de gênero e de raça. Nós, mulheres negras queremos e precisamos ocupar os espaços de decisão política em nosso país.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos minoritários?

A Unidade Popular foi criada para dar voz àqueles que sempre são silenciados na sociedade. Então o que a gente quer é fomentar e apoiar a organização de coletivos, desenvolvendo e fortalecendo essas lutas. Não só a luta parlamentar é necessária. A nossa proposta de atuação parlamentar será pautada na participação e na luta popular repercutindo esses anseios na tribuna da Câmara Municipal.

Defendemos a participação popular direta nas decisões políticas que dizem respeito a nossa cidade. A participação política não pode ser só votar, o povo tem que realmente decidir o que vai acontecer, quais são os rumos que a cidade vai tomar. Por isso queremos fortalecer os movimentos sociais organizados e que atuem junto com o mandato. Chega de decidirem por nós, sem nós.

Como deve ser conduzida a discussão sobre Plano Diretor de Natal? Quais os principais pontos?

O plano diretor foi concebido para melhorar as condições de vida da população e o direito à cidade. Só que nesta gestão tem sido conduzido para beneficiar os empresários e garantir seus lucros. Na verdade deveria ser garantida a participação ampla de toda a sociedade, em particular das comunidades das periferias que são as que mais sofrem os problemas da cidade. Estas últimas são excluídas do direito à cidade e para ter um processo de discussão verdadeiramente democrático deveria ser garantida a participação de quem hoje tem esse direito negado.

Destaco 2 pontos: o primeiro é direito a moradia. Estima-se em Natal cerca de 60 mil famílias que não tem onde morar, ou moram de aluguel, ou moram de favor. A destinação de recursos e imóveis sem função social para a construção de moradias populares só é possível enfrentando os interesses da especulação imobiliária.

O outro ponto é a defesa do meio ambiente. Pensar apenas em verticalizar a orla, concretar toda a cidade em meio a uma crise sanitária não faz nenhum sentido.

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?

Para quem mora em Natal e anda de ônibus, o transporte coletivo é um dos principais problemas. Nós pagamos uma das passagens mais caras do Nordeste, com ônibus precários e um serviço de péssima qualidade. Gastamos em média 20% do nosso orçamento com pagamentos das passagens. Por isso uma das nossas propostas é fixar a tarifa em aproximadamente R$ 1 para que não passe de 5% da renda das pessoas o gasto com passagens. Para isso, o direito de ir e vir das pessoas não pode ser uma mercadoria para servir de lucro para meia dúzia de empresas. Por isso outra proposta é a criação de uma empresa pública de transporte para que seja um serviço público e não uma mercadoria. Além disso, garantir o passe-livre dos estudantes e desempregados para que possam ter acesso à educação, cultura, esporte e lazer.

Qual Natal você quer construir?

Defendemos e lutamos pelo socialismo e por isso queremos uma cidade que garanta vida digna ao povo que a constrói com o seu trabalho. Desejamos uma Natal em que todos tenham igualdade de oportunidades, o direito à cultura e ao lazer, o direito à educação e ao emprego, o direito à saúde plena. Enfim, o direito à uma vida feliz. O desemprego, a carestia, abandono e violência que sofremos nos bairros pobres precisam acabar. Queremos viver! Para isso acontecer precisamos que o povo pobre, os negros e negras, os jovens e moradores das periferias exercem seu legítimo direto de decidir sobre os rumos da história da nossa cidade. Nós precisamos organizar o Poder Popular e é por isso que a luta tem que ser organizada para garantir, inclusive, que as medidas parlamentares sejam implementadas. Porque só o povo salva o povo!

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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