ENTREVISTA

Me Representa: Jana Sá, do PCdoB, é alternativa feminista para Câmara de Natal

A segunda entrevista da série “Me Representa”, da Agência Saiba Mais para as Eleições 2020, é com a jornalista Jana Sá, candidata a pelo PCdoB, com o número 65656. Ela se apresenta como uma alternativa feminista para a Câmara Municipal de Natal.

Jana Sá é mestranda em Ciências Socias pela UFRN, militante da imprensa alternativa e independente, ativista dos direitos humanos, faz assessoria sindical há mais de 10 anos, com atuação no Sindicato dos Docentes da UFRN (Adurn). É também apresentadora programa de entrevistas Contrafluxo, no Youtube, e é repórter/editora da Agência Saiba Mais.

A série “Me Representa” propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias. Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal do Youtube da Agência Saiba Mais. Para receber tudo em primeira mão, inscreva-se no canal.

Confira a entrevista:

Agência Saiba Mais : Quem você representa?

Jana Sá – Nossa candidatura representa a transformação social pela via da representatividade feminina, do acolhimento, de uma educação libertadora, das lutas sociais, da defesa da democracia e da participação popular. Numa cidade onde a maioria da população é formada por mulheres e a representação feminina ocupa apenas 5 das 29 vagas na Câmara Municipal, a gente quer contribuir para corrigir uma injusta e desigual relação nos espaços de poder negados historicamente às mulheres. Natal parou no tempo e virou referência, nas últimas décadas, de uma cidade atrasada, sem memória, injusta e extremamente desigual. Uma cidade que exclui e invisibiliza quem mora nela. Construída por várias mãos e de forma coletiva, a nossa candidatura propõe outro modelo de cidade, uma Natal inclusiva que olhe para os natalenses como alternativa e solução, e não parte do problema.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos minoritários?

Tendo em vista os números que atestam a incipiente e ínfima representatividade de mulheres, afrodescendentes, homossexuais, deficientes físicos, entre outros grupos, nos espaços de poder e da política, algumas medidas precisam ser tomadas no sentido de alterar essa realidade. A criação e o fortalecimento de canais informais de participação podem fazer com que as necessidades desses grupos minoritários sejam escutadas e atendidas pelas autoridades políticas municipais ou estaduais. É preciso aprimorar os mecanismos de exercício de soberania popular e garantir a participação direta dos cidadãos nos rumos da gestão municipal e dos processos regulatórios locais. Nosso compromisso é de atuar em um mandato transparente e participativo mantendo um canal de diálogo permanente com a comunidade a fim de promover a representatividade e multiplicidade das vozes da cidade de Natal.

Como deve ser conduzida a discussão sobre Plano Diretor de Natal? Quais os principais pontos?

É imprescindível que o Plano Diretor seja debatido pela população, porque é uma lei que deve refletir os anseios da sociedade. Ela define o uso do solo urbano, as áreas prioritárias para determinadas funções, os instrumentos utilizados para cumprir a função social das propriedades, como as questões ambientais serão preservadas, entre outras funções. Os comércios e serviços também são regulamentados por ela. É o caso do bairro do Alecrim, que passa por uma grande conflito de interesses entre ambulantes que ocupam o bairro historicamente e grandes empresas comerciais nacionais que desejam empreender no local. O Plano Diretor estabelece também as chamadas áreas especiais de interesse social. Em Natal temos muitas áreas delimitadas, mas poucas são regulamentadas. Há um grande interesse do mercado imobiliário para que nessas zonas possam ser construídos grandes prédios. As mudanças que a prefeitura quer fazer transformarão bruscamente a paisagem da cidade e encarecerão as áreas que são habitadas por pessoas de menor poder aquisitivo.

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?

Em cenário de pós-pandemia a questão do transporte coletivo será um dos gargalos para se resolver nas cidades, e em Natal não é diferente. É preciso fazer uma avaliação dos seus contratos, do número de usuários, do impacto da pandemia em sua economia, do afastamento social e do valor da tarifa. Natal tem a maior tarifa de ônibus do Nordeste, apesar de uma frota velha, com uma média 8 a 9 anos de uso. O sistema da cidade nunca passou por uma licitação. Desde 2010, pelo menos, existe a recomendação judicial, mas nunca foi feita. Uma cidade acessível a todas e todos está diretamente relacionada à qualidade do transporte público. As linhas de ônibus precisam ser adaptadas à realidade e à diversidade dos bairros, acompanhando o fluxo de deslocamento dos moradores. Hoje, infelizmente, é o cidadão que se adapta ao planejamento dos empresários. No que diz respeito à política tarifária, pensar na formação de um fundo para assegurar o direito à mobilidade, através de subsídios e tributos.

Que Natal você quer construir?
Eu quero ajudar a construir uma cidade que respeite quem mora nela. Tornar a cidade acessível também às periferias, estimulando a diversidade característica de cada região da cidade e conectando o natalense a uma cidade menos injusta e excludente, sem distinção de classe social, cor, credo, raça e gênero. Uma cidade com mais participação da mulher na política, com mais oportunidade pra juventude, com uma rede de atenção primária à saúde mais forte, com mais igualdade racial, com mais respeito à diversidade, com mais iniciativas independentes na comunicação, com mais rádios comunitárias, com mais incentivo à cultura, com mais acessibilidade, com mais respeito à pluralidade religiosa, com mais trabalhadores e servidores públicos valorizados, com mais creches, com mais crianças e jovens nas escolas, com mais espaços de acolhimento às mulheres vítimas de violência doméstica. Com mais amor, com mais liberdade, com mais esperança.

 

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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