ENTREVISTA

Me Representa: “Mais do que representativa, a democracia tem que ser participativa”, defende Brisa (PT)

Não se enganem com a aparência frágil! Apesar de jovem, Brisa é ativista política de longa data. É feminista da Marcha Mundial das Mulheres, faz parte do Enegrecer (Coletivo Nacional de Juventude Negra), foi Coordenadora Geral do DCE UFRN, diretora de Mulheres da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), além de ser estudante do curso de História na UFRN e técnica em Controle Ambiental pelo IFRN. Ah, ela também disputa uma das vagas à Câmara Municipal de Natal com o número 13113, pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Brisa (PT)  é nossa convidada de hoje (27) do quadro “Me Representa”, a série de entrevistas da Agência Saiba Mais para as Eleições 2020 que propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias.

Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal da Agência Saiba Mais no Youtube. Para receber tudo em primeira mão, já sabe, é só se inscrever no nosso canal! Vamos à entrevista!!

Agência Saiba Mais – Quem você representa?
Brisa – Acho que antes de dizer quem eu represento, é importante dizer quem a Câmara Municipal de Natal representa atualmente. Esse espaço hoje é composto de 72% homens, 69% brancos e mais de 40% tem mais de 50 anos. Ou seja, de fato, não representam a cara da nossa cidade. Eu sou fruto de uma geração que cresceu com o peito cheio de sonhos e que podia sonhar. Hoje coloco a minha voz, minha cara e a minha disposição para representar um projeto coletivo que quer fazer outra Natal acontecer, que reafirma que outra Natal é possível levando essas vozes excluídas desses espaços de poder pro centro da política e para a Câmara Municipal de Natal.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos minoritários?
Primeiro é importante afirmar que nós não somos minoria. Podemos até ser nos espaços de poder, mas as mulheres, os negros e as negras são maioria da nossa sociedade, por exemplo. Para ampliar a participação política dessas vozes, desse grupos e de tantas outras a gente quer construir práticas que tem sido cotidianas na nossa pré-campanha e na construção dessa candidatura. A gente construiu diversas plenárias de Mulheres, de LGBTs, seminários que a gente chama de “Oficina de Sonhos”, encontros virtuais, varandas virtuais e presenciais pra construir a partir dessas vozes e nossas propostas. Para a participação política ser efetiva e cotidiana, esses grupos precisam estar no centro do debate, das definições, do que é prioritário, de qual projeto de lei deve ser apresentado, de onde o orçamento deve ser definido. É assim que se constrói uma democracia não somente representativa, mas – de fato – participativa.

Como deve ser conduzida a discussão sobre plano diretor de Natal? Quais os principais pontos?
Esse é um processo que eu acompanho desde 2019. Esse ano tive a honra de ser a delegada mulher mais votada do segmento dos Movimentos Sociais, representando a Marcha Mundial das Mulheres, para seguir construindo esse processo bem conturbado da revisão do Plano Diretor de Natal. Acho que tem duas palavras que sintetizam e são centrais nesse processo: participação social e sustentabilidade. Álvaro atropelou diversos momentos e não considerou diversas opiniões durante esse período. Inclusive o próprio Ministério Público teve que intervir no processo. Hoje, para mim, os principais ataques postos pela prefeitura são:
• Aumentar a construção de prédios de 30 pra 46 andares em quase toda cidade, inclusive no entorno do Parque das Dunas; e
• Liberar a construção de espigões na margem da Avenida Roberto Freire.
Por isso que hoje participo do coletivo Salve Natal, que surgiu em defesa de um Plano que respeite nossa cidade e é com ele diversos outros projetos e movimentos sociais que acredito que vamos construir um projeto à altura do que nossa cidade precisa.

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?
Essa pergunta é muito importante, ainda mais por termos a tarifa mais cara do Nordeste e digo porque sinto no bolso, uso ônibus todo dia para ir para universidade, trabalho…
Nas nossas propostas apresentamos a luta pelo passe livre e também a criação de uma empresa pública de transporte. Junto do Senador Jean, nosso candidato a prefeito de Natal endossamos a necessidade do ônibus elétrico na cidade para reduzir poluentes. E uma proposta que temos muito carinho, que apelidamos de “Da Bike pro Busão” – fruto da nossa relação com o movimento cicloativista – é que exista um sistema de integração onde as pessoas consigam fazer seu deslocamento um trecho de bicicleta e, se quiserem, depois voltarem para casa de ônibus, a colocando numa estrutura apropriada. Assim une a mobilidade urbana à mobilidade ativa.

Qual natal você quer construir?
A Natal que eu quero construir é a Natal com a juventude empregada, com a juventude negra viva, com artistas valorizados por seu trabalho tanto no reconhecimento quanto na remuneração. Uma cidade que valorize e fortaleça estratégias de autonomia financeira para mulheres romperem dos ciclos de violência através da economia solidária, agricultura familiar e urbana. Quero uma Natal com saúde valorizada e fuja do populismo de remédios sem eficácia comprovada pela ciência. Uma Natal com passe livre também com mobilidade ativa. Uma Natal que fortaleça a ciência, o Parque Científico e Tecnológico para as pessoas. Uma outra Natal é possível e eu conto contigo para fazê-la acontecer.

 

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