ENTREVISTA

Me Representa: Rodrigo Bico vai além da classe artística e propõe mandato participativo

Professor, ator e gestor cultural, Rodrigo Bico (PT) apresenta “espírito de coletividade, de resistência, de luta e arte” na candidatura com o número 13.013 para vereador de Natal. Ele avisa que seu mandato é pensado coletivamente e sua atuação vai muito além da cultura e da classe artística.

A ideia do candidato é, cada vez mais, tornar a Câmara Muncipal um espaço de participação popular. Por isso, Bico é o entrevistado desta quarta-feira (21), na série “Me Representa”.

A série de entrevistas da Agência Saiba Mais para as Eleições 2020 propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias.

Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal no Youtube da Agência Saiba Mais. Para receber tudo em primeira mão, inscreva-se em nosso canal!

Confira a entrevista:

Agência Saiba Mais: Quem você representa?

Rodrigo Bico: Eu sou filho da classe trabalhadora, sou professor, ator e gestor cultural no Grupo de Teatro Facetas. Com a minha atuação no trabalho, na arte e na militância, eu poderia representar cada uma dessas categorias profissionais, mas nossa campanha é muito maior do que isso. Nossas propostas são pensadas por muitas cabeças, escritas a muitas mãos, sempre de maneira coletiva. Somos mulheres, negros, gente LGBTQIA+, pessoas com deficiência. É muita gente. Pensamos cada uma das nossas propostas com muito cuidado e afeto, buscando compreender a pluralidade dos cidadãos natalenses, com muito diálogo para entender e atender as necessidades de cada um e de cada grupo. E esse é um ponto importante: vamos construir uma cidade melhor porque sabemos e queremos ouvir e debater com a população.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos subrepresentados?

O debate precisa chegar mais perto da população. Não basta aparecer na televisão ou postar uma foto no Instagram. Só pode entender os problemas da cidade e dos cidadãos quem pisa na rua, quem vê e ouve de perto a voz da população. Nosso gabinete não vai ficar trancado dentro da câmara, vamos rodar essa cidade, visitar cada um dos bairros e ouvir, ouvir e ouvir. Cada um tem uma história para contar e a arte também pode ajudar a entender as mudanças necessárias nas leis com a ideia do Teatro Legislativo – um método para entender a realidade e ajudar a criar leis mais justas. Também queremos que a população participe diretamente do nosso mandato. A ideia é ter um conselho com a participação da população para dizer como estamos indo e para onde devemos ir.

Como deve ser conduzida a discussão sobre Plano Diretor de Natal? Quais os principais pontos?

Esse debate é tão importante que eu faço questão de participar desde 2007, quando ainda era estudante da UFRN e atuei para fiscalizar o trabalho dos vereadores e, junto com vários movimentos, denunciamos a corrupção na Câmara que resultou na Operação Impacto, que condenou vários vereadores e empresários. As mudanças no Plano Diretor afetam a vida de todo mundo e precisam ser discutidas de forma ampla, e não só por um grupo de privilegiados amigos do prefeito. Nós defendemos a manutenção das Zonas de Proteção Ambiental e das Áreas Especiais de Interesse Social, pois é preciso respeitar as comunidades que moram e trabalham nas faixas do litoral de Ponta Negra, Areia Preta e da Praia do Forte. Também é preciso ouvir a comunidade científica para propor, com base em conhecimento, as melhorias para a nossa cidade e que tragam benefícios para a população e não apenas para os empresários que cobiçam tantas áreas da nossa cidade.

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?

Defendemos uma profunda reforma viária na cidade, que crie espaço para ciclistas, pedestres, para o transporte individual e, principalmente, o transporte coletivo. Precisamos investir para melhorar a estrutura de quem usa a bicicleta para se locomover. Natal ficou pra trás nesse assunto. Também precisamos reorganizar o transporte dessa cidade. As linhas de transporte tem que resolver a vida das pessoas e não somente o lucro dos empresários do transporte. Também lutaremos para ampliar o investimento na integração dos ônibus municipais, com o transporte metropolitano e o sistema de trens urbanos, além de garantir o transporte 24h para quem precisa trabalhar de noite, ou sair para se divertir. Temos que padronizar as paradas de ônibus da cidade para proteger a população do sol e da chuva e não só para instalar painel de propaganda. E, por último, o mais importante, vamos defender a tarifa zero no transporte público para que todos e todas tenhamos o direito de ir e vir de qualquer lugar para qualquer lugar dessa cidade.

Que Natal você quer construir?

Minha história foi construída em comunidade, através da arte e consciência de classe. É com esse espírito de coletividade, de resistência, de luta e arte que quero uma Natal mais justa, igual para todos e todas, contra todas as formas de intolerância, que respeite as diversidades sexuais e de gênero, religiosa e geracional, uma sociedade antimachista, antirracista e antifascista. Uma cidade das pessoas com deficiência, de negros e negras, mulheres, LGBTQIA+, jovens, idosos, artistas e professores. De um povo que se olhe, olho no olho, e se identifique como um povo que luta, se respeita, convive em harmonia e acredita que arte e educação são instrumentos mais eficientes para construirmos um território de paz, igualdade e resistência.

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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