ENTREVISTA

Me Representa: Victor Varela (PSOL) e mais 55 pessoas em chapa coletiva para lutar por diversidade

O pedagogo da UFRN, produtor cultural e militante LGBT, Victor Varela, é apenas uma das 56 cabeças pensantes da chapa Pra Natal Ser Da Gente (PSOL), que concorre a uma vaga na Câmara Municipal de Natal pelo número 50.222 nas eleições de 2020. A proposta do grupo é não ter vergonha de gritar contra as injustiças, lutar por uma empresa pública de transporte, mecanismos mais democráticos de participação coletiva e fazer da capital uma cidade mais diversa.

Confira a entrevista desta quinta (22) da série Me Representa com alguns membros da chapa!

A série de entrevistas da Agência Saiba Mais para as Eleições 2020 propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias.

Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal no Youtube da Agência Saiba Mais. Para receber tudo em primeira mão, inscreva-se em nosso canal!

Confira a entrevista!

Agência Saiba Mais – Quem você representa?

Pra Natal Ser Da GenteNossa candidatura coletiva representa a diversidade da classe trabalhadora que faz Natal funcionar. É a jovem e o jovem que quer estudar, não têm a vergonha de ser feliz e não se cala diante das injustiças. É a pessoa LGBT+ que você vê no espelho ou ao seu lado. São as trabalhadoras e os trabalhadores da educação que educam dentro e fora da sala de aula. É gente que trabalha com cultura com amor, mas não só por amor. Uma balbúrdia de mulheres, homens e pessoas não-binárias, negras e negros, brancos, de povos e comunidades tradicionais, com e sem deficiência. É gente que vive do trabalho, mesmo desempregada, e que luta, dentro e fora do PSOL, em movimentos sociais, entidades estudantis, coletivos e sindicatos.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos minoritários?

A construção coletiva e participativa é princípio político de todas as lutas da gente, não apenas da candidatura. Para isso, a gente tem organizado escritas coletivas do nosso programa, enquetes, plenárias, transmissões ao vivo, consultas e votações virtuais. Nos nossos materiais sempre são apresentados os rostos e vozes de quem está construindo nossa candidatura coletiva, buscando fortalecer a participação de um conjunto de lutadoras e lutadores, em especial mulheres, pessoas negras e LGBT+. Em um mandato, a gente pretende ampliar os mecanismos de participação e democracia direta no planejamento, nas ações e na prestação das contas parlamentares, bem como na construção de outros quadros políticas e figuras públicas.

Como deve ser conduzida a discussão sobre Plano Diretor de Natal? Quais os principais pontos?

O Plano Diretor é um instrumento fundamental para as lutas pelo direito à cidade. Por isso, ele precisa contar com a participação da classe trabalhadora natalense, incluindo sua juventude, as populações mais excluídas e vulnerabilizadas. Nesse sentido, a Prefeitura precisa viabilizar condições objetivas de participação popular, depois de garantida a segurança sanitária. É impensável quererem conduzir esse processo, que impacta na vida de tanta gente, contando apenas com uma minoria de grandes empresários, especuladores financeiros e de parte dos políticos. O plano diretor de Natal precisa assumir que a vida humana e não-humana, o direito de morar e de ir e vir estão acima do lucro e da especulação imobiliária.

Foto: Cedida

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?

O transporte público e a mobilidade urbana são dois dos principais problemas de Natal. A gente tem uma das frotas mais velhas e precárias do país, com uma tarifa cara e desproporcional. Não é à toa que Natal foi palco da Revolta do Busão. Para piorar a situação, em plena pandemia, as empresas de ônibus receberam mais desoneração fiscal enquanto demitiam trabalhadores, cortavam plano de saúde, vale alimentação e reduzem linhas. Enfrentaram, por isso, uma greve legítima de seus trabalhadores. Empresas de ônibus estão ainda na lista dos maiores devedores na dívida ativa de Natal. Por isso, nossa candidatura se propõe a lutar:

– Pelo Passe Livre no transporte público;

– Pela abertura das contas o SETURN e pela transparência de sua receita, considerando os sucessivos aumentos abusivos do preço da passagem;

– Pela Criação da Empresa Municipal de Transporte Público;

– Pela ampliação das linhas de transporte público, garantindo itinerário interbairros, transporte durante as madrugadas e congelamento do preço das passagens; e

– Pelo desenvolvimento de aplicativos por parte da Prefeitura que promovam serviços de entrega, transporte e comercialização de produtos com foco em iniciativas de cooperativas, associações e trabalhadores por conta própria.

Qual Natal você quer construir?

Pra Natal ser da gente, é preciso lutar junto por educação, cultura, trabalho, emprego e por nossas vidas. Ao mesmo tempo, é preciso incorporar transversalmente as lutas antirracistas, antimachistas, anticapacitistas, pelo direito à cidade e por um horizonte ecossocialista. Pra Natal ser da gente, é preciso enfrentar as oligarquias e a direita, sobretudo a extrema-direita bolsonarista com sua agenda de miséria, do ódio e da morte. Pra Natal ser da gente, é urgente participarmos mais das decisões políticas, ocupando conselhos, coletivos, movimentos sociais, sindicatos e partidos. Só assim, organizando coletivamente nossa indignação, a gente tem chance de vencer e construir os caminhos pra Natal ser da gente, de todas, todos e todes.

Confira o vídeo da entrevista com os co-candidatos a vereadores pela chapa PraNatalSerDaGente:

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