TRANSPARÊNCIA

Médicos do RN ignoram recomendações da OMS e deputado sugere distribuir cloroquina pelo SUS

A Organização Mundial da Saúde retirou a cloroquina da lista de drogas que seriam testadas para tratamento da Covid-19 no programa internacional Solidarity. Na segunda (25), a OMS anunciou a suspensão dos testes com hidroxicloroquina para avaliar a segurança do tratamento com o medicamento.

O uso das duas drogas é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A posição intransigente dele foi um dos fatores para as demissões dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos médicos e que discordavam da liberação dos remédios. Dia 20 de maio, porém, o Ministério da Saúde, já sob o comando do general Ramos, alterou o protocolo e ampliou o uso do medicamento para pacientes com sintomas leves. Até então, a permissão era apenas para pacientes graves do vírus.

No Rio Grande do Norte, mesmo sem qualquer comprovação da eficácia da cloroquina, médicos têm defendido o uso do medicamento para tratamento de pacientes do coronavírus. No mesmo dia em que o OMS excluiu a cloroquina da lista de medicamentos para tratamento da Covid-19, a Unimed Natal começou a distribuir o remédio para os pacientes do plano, condicionada à prescrição médica.

O Estado potiguar já contabiliza 242 mortos pela Covid-19 e 5.630 pacientes diagnosticados com a doença.

O deputado estadual Albert Dickson (PROS) apresentou semana passada dois projetos de Lei que pedem a disponibilização para pacientes do SUS de Hidroxicloroquina, Ivermectina e Azitromicina no Estado. Um dos projetos prevê a distribuição gratuita dos medicamentos pelo Sistema Único de Saúde e o outro pede que as medicações sejam distribuídas pelas operadoras de planos de saúde, também gratuitamente e apenas com recomendação médica por receita.

O deputado, que também é médico com especialização em oftalmologia, alegou que já atendeu pacientes infectados pelo novo Coronavírus e disse que no tratamento de seus pacientes com a hidroxicloroquina não houver quaisquer complicações.

São tratamentos muito gratificantes, pela minha experiência, já dei alta a pacientes que usaram a hidroxicloroquina. A função do medicamento é primordial no início do tratamento, pois ele impede a replicação viral, evitando a evolução da doença”, afirmou o parlamentar.

Para ele, os projetos são de extrema importância, pois não é possível encontrar os referidos medicamentos em farmácias no RN. “A liberação do remédio para todos, na prática, auxiliaria no tratamento já que se tem conhecimento de que alguns pacientes já tiveram acesso à hidroxicloroquina por meio de médicos particulares“, disse Albert.

Albert Dickson é médico oftalmologista e autor de projetos que preveem distribuição gratuita de cloroquina pelo SUS (foto: Eduardo Maia)

Um estudo publicado pela revista médica inglesa Lancet  indicou que as duas drogas – hidroxicloroquina e cloroquina – estavam relacionadas ao maior índice de mortalidade. O levantamento reúne dados de 96 mil pacientes infectados pelo coronavírus, de 671 hospitais dos seis continentes.

Albert Dickson não é o único médico que defende o tratamento com a hidroxicloroquina no Estado. O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte se posicionou a favor do tratamento precoce com o medicamento, como forma de evitar agravamento, e busca de leitos de UTI. Ao mesmo tempo, a entidade também alegou ser contrária a um possível Lockdown no estado.

Para Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed, o uso da Hidroxicloroquina é seguro. “É uma droga absolutamente segura, com uso de anos no Brasil para tratamento de malária e lúpus. Ela tem sido desprezada. Está na hora do governo estadual e municipal começar a explorar. Isso poderia diminuir a busca por leitos de hospital e de UTI”, explicou o médico em entrevista ao Jornal na Hora, da 95 FM.

Paralelo a essa realidade local, os governos da França, Bélgica e Itália deixaram de usar a hidroxicloroquina no tratamento de pacientes de Covid-19 depois que a OMS anunciou a suspensão de seus testes com a droga para avaliar a segurança de seu uso em casos de infecção por coronavírus.

Na França, a decisão foi tomada depois que duas entidades responsáveis pela saúde pública no país se declararam contrários à utilização da substância. Na Itália e na Bélgica, as agências de Medicina dos países suspenderam e alertaram contra a continuação do uso do remédio para tratar o vírus.

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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