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“Meio Dia”: livro de poemas de Thiago Medeiros reúne amor, espiritualidade e cidade

O rosto do ator e escritor Thiago Medeiros se avermelha embaixo do sol alto. Mas não é a pele que arde. Antes, queima o desejo de compartilhar memórias de 30 anos, toda a sua vida até aqui, em “poemas de amor, resistência, cidade e seus atravessamentos”. Para isso está aberta a campanha de financiamento coletivo do seu novo livro, “Meio Dia”. Acesse aqui.

Os interessados podem contribuir com o projeto até o dia 15 de outubro.  As recompensas vão de poemas estampados em tecido, passando por bebidas, patuás, volumes autografados e sarau particular realizado pelo grupo Insurgências Poética, coletivo artístico do qual Thiago participa e que, com o livro de poemas, lança também selo literário, já tendo publicado dois fanzines.

Cada apoiador, contribuindo de R$ 10 a R$ 2 mil, terá o nome nos agradecimentos do livro, nas redes sociais e será mencionado durante o lançamento da obra, previsto para novembro deste ano.

“Meio Dia” pretende ser ainda projeto artístico experimentando diálogo entre palavra, música e audiovisual, em parceria com os artistas Clara Pinheiro e Sihan Felix.

O livro também vai contar com 10 poemas de alguns convidados. Estão confirmados Lucas Alves, Pablo Vinicius, Gilberto Júnior e Priscilla Rosa. A direção de arte ficou por conta de Rita Machado; a capa é de Creaty; o prefácio, de Carmen Vasconcelos, e fotografia, de Diogo Ferreira.

Os outros 100 textos poéticos, de Thiago, têm como cenário uma viagem ao Seridó, terra da família de seu pai, e os bairros Alecrim, onde sempre morou, e o Centro Histórico de Natal.

“O Centro Histórico é um mundo. Muito importante para a minha transformação enquanto ser humano. A tarde e a noite no Centro Histórico são descobertas de vida. Descoberta de amores, amigos, poetas, crushes, espaços de acolhida. É o lugar que acolhe meu trabalho, as minhas dores de cotovelo, minhas decepções amorosas”, conta, antecipando que esse lado da cidade aparece nos versos por meio de quartos baratos de hotéis, ruas e becos.

“As horas abertas são fortes lembranças para mim. Minha pele, meu corpo, minhas preces tudo isso é forte no meio dia.”, diz Thiago Medeiros, ao justificar o título do livro.

O meio dia é uma hora considerada aberta para a espiritualidade. Isso quer dizer que nesse momento as energias fluem mais facilmente. De acordo com o escritor, há muita religiosidade popular no livro. “As curandeiras até hoje fazem parte da minha vida”, conta o autor, que chegou a passar cinco anos estudando em convento para ser frade.

“Aos 14 anos eu comecei a me achegar à espiritualidade franciscana e até hoje tenho muita simpatia por ela. É uma parte importante de minha vida que tento ressignificar dentro de mim”, conta, lembrando que uma das maiores influências foi sua avó paterna, bastante ligada à Igreja.

Como se poderia esperar de um poeta que escreve sobre paixões, Thiago desistiu da vida religiosa porque se apaixonou. Não seria leal com os votos continuar com o celibato. “Preferi acreditar no amor. Deu certo”.

Sobre o autor

Thiago Medeiros nasceu em Natal, no bairro do Alecrim. Ator, poeta e produtor cultural, tem duas publicações em livro: Para Eu Parar de Me Doer, Caravela Editora 2016 e o zine O Dom do Silêncio é o grito, selo Insurgências Poéticas 2018. Escreveu as peças teatrais Para Eu Parar de Me Doer, 2010; Memórias do Alecrim, 2015, e João Só queria Ver os Pássaros, 2016, junto com Maria Rabelo e Michelle Ferret, para o seu grupo de teatro Para Eu Parar de Me Doer.

Mantém junto com outros artistas, o projeto Insurgências Poéticas, desde 2016. Com teatro, trabalhou em mais de 17 produções entre atuação, dramaturgia, produção e direção. Em 2018, Thiago celebra 12 anos de trabalho com arte e convida o público pra participar dessa celebração.

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais