TRANSPARÊNCIA

Menos da metade dos alunos das escolas privadas são a favor do retorno das aulas presenciais no RN

O sindicato das Escolas Particulares do Rio Grande do Norte informou ao comitê científico do Estado que cerca de 30% dos alunos das escolas privadas são a favor do retorno às aulas presenciais. Os dados são base para incentivar o poder Executivo a incluir as atividades desse setor no plano de retomada comercial no Estado. As aulas estão suspensas até 18 de setembro, definido em novo decreto divulgado no Diário Oficial na sexta-feira (14).

Os dados foram levantados pelo sindicato após buscas dos pais e responsáveis dos alunos à organização sindical para posicionamento. No entanto, o comitê científico recomendou ao governo do estado a suspensão por mais 30 dias devido considerar os índices não favoráveis para a retomada. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, aproximadamente 1/3 da população do estado ficará exposto aos riscos da infecção por coronavírus. Isso porque há mais de 1 milhão de estudantes, entre escolas privadas e públicas, no estado potiguar.

As instituições privadas de ensino afirmam que possuem condições sanitárias para que haja o retorno das atividades letivas. De acordo com o presidente do Sindicato das Escolas Particulares Alexandre Marinho, as medidas de higienização devem acontecer de forma mais rápida do que na pública por não depender de abertura de licitação para liberação de verba.

Além disso, ele afirmou que será possível garantir o distanciamento social aplicando o sistema de ensino híbrido, ou seja, será ofertado o ensino presencial aos alunos que demonstrarem interesse (30%) e, simultaneamente, as aulas serão transmitidas online para os demais (70%).

“A maior parte dos estudantes que desejam o retorno das aulas são os que vão realizar o ENEM e sentem a necessidade de frequentar as dependências da escola para o estudo. Além desses, há as crianças em que os pais precisam voltar ao trabalho e não tem onde deixar seus filhos. É uma parte pequena e que há como cumprir o distanciamento social, bem como cumprir os protocolos de segurança sanitária. Os demais alunos acompanham a aula ao vivo nas plataformas de vídeo”, afirmou o presidente do sindicato.

Marinho afirmou que a medida é necessária devido à educação dos alunos, como também à questão financeira das instituições. O secretário de Estado de Educação Getúlio Marques afirmou, durante coletiva de imprensa, que mesmo que as escolas apresentem o cumprimento dos protocolos de biossegurança, há o fator externo que poderá causar aumento nos índices de casos.

“Continuamos acompanhando e discutindo condições de segurança na escola e nos deslocamentos da comunidade escolar. O cuidado não deve ser só dentro do prédio, mas também com o deslocamento das pessoas. Os meios de transporte são um dos locais onde alunos e professores podem se contaminar, estendendo a contaminação às escolas, mesmo àquelas que tomaram todas as medidas protetivas.  Hoje no Brasil só a cidade de Manaus retornou às aulas presenciais”, explicou o secretário.

Aulas suspensas

A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou ter considerado as recomendações da equipe científica, como todas as demais decisões que o poder Executivo tomou. Além disso, reforçou que novos diálogos entre a a pasta de educação e o comitê deverão acontecer:

“O adiamento desse reinício atende recomendações do comitê científico de assessoramento ao Governo. Mesmo registrando quadro de melhora na pandemia, com redução de mortes e casos confirmados, os especialistas entendem que as condições sanitárias existentes não são favoráveis ao retorno de aulas presenciais”, afirmou a governadora.

Secretaria Estadual de Educação afirmou que mais da metade dos alunos são contra o retorno às aulas presenciais
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Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.

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