TRANSPARÊNCIA

Mesmo depois de decretos, RN mantém média móvel de mais de 20 mortes diárias por covid-19

O Rio Grande do Norte começou a semana com 55 pacientes na fila de espera por um leito crítico (semi-intensivo e UTI), mas apenas 30 vagas disponíveis para internação. Os dados do sistema de Regulação apontam, ainda, que a maior preocupação é no interior do estado: enquanto na região metropolitana de Natal há 29 pacientes aguardando leito e 29 vagas disponíveis, na região Oeste, são 26 pacientes da fila e somente um leito em aberto.

Até esta segunda (3), o estado registra um total de 225.609 casos e 5.525 óbitos por covid-19, sendo cinco nas últimas 24 horas, nas cidades de São Paulo do Potengi (01), Goianinha (01), Upanema (01), Parelhas (01) e São José do Mipibu (01). A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) ainda investiga outros 52.719 casos e 1.113 mortes suspeitas de covid-19.

Imagens: Regulação Lais/ UFRN

As muitas disputas entre os decretos mais rígidos do Governo do Estado e outros mais flexíveis de alguns municípios, principalmente de Natal, também não ajudaram muito no controle da pandemia e o estado segue com uma média diária de mais de 20 mortes resultantes da covid-19. O decreto estadual de nº 30.419, válido até 19 de março, foi o único assinado em consenso pela governadora Fátima Bezerra (PT) e pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB). Nos demais, o prefeito da capital optou por contrariar as medidas mais rígidas previstas nos decretos estaduais.  A divergência chegou ao Supremo Tribunal Federal e, nesse último sábado (1), o ministro Alexandre de Morais determinou que apenas o Decreto Estadual Nº 30.516 de 2021 seria válido, suspendendo um outro decreto com flexibilizações publicado por Álvaro Dias e legitimado pelo desembargador Cláudio Santos. O decreto estadual, válido até 12 de maio, restringe o funcionamento de atividades essenciais das 22h às 5h, de segunda a sábado; e integral durante domingos e feriados, abrindo exceção para restaurantes, que podem abrir das 11h às 15h.

Pelo modelo Mosaic, da UFRN, utilizado pelo Comitê Científico do Nordeste para projetar os casos da covid-19 nos diferentes estados da região, o Rio Grande do Norte segue numa crescente no número de óbitos, que pode passar dos seis mil antes mesmo do final do mês de maio.

“A situação epidêmica mostra que o RN subiu a para 2ª onda e que essa evolução segue acontecendo até hoje, não baixou. A partir do momento que temos uma constância nesse platô, a situação é completamente instável. Podemos ter uma descida, se houver medidas que desacelerem a velocidade de contágios, ou podemos ter uma explosão. No início de abril fizemos uma projeção de o mês seria mais letal do que março, assim como a passagem da marca dos cinco mil óbitos, o que foi confirmado, infelizmente. Isso chama atenção para a precisão do modelo e para o fato do Rio Grande do Norte seguir por um caminho de aberturas, que é o contrário ao que deveria ser, quando temos um sistema que não está fora de risco”, adverte José Dias do Nascimento Júnior, professor do Departamento de Física Teórica e Experimental (DFTE/UFRN) responsável pelo desenvolvimento do modelo físico-matemático em parceria com Wladimir Lyra, astrônomo da Universidade do Estado do Novo México, EUA.

Mesmo com as subnotificações, o Mosaic-UFRN ainda aponta para um agravamento da pandemia do novo coronavírus no estado ainda no mês de maio.

A situação é complicada, temos aumento ainda rápido de óbitos acumulados. Se tivéssemos um maior controle da pandemia, teríamos uma reta horizontal perfeita, com desaceleração da doença e do agravamento. Mas, ao contrário, o que temos é uma reta apontando para o alto, que mudou muito pouco desde março. Saber onde essa reta vai baixar é o mais importante, principalmente, para o setor produtivo. É preciso entender que, do jeito que está, o Rio Grande do Norte vai seguir matando muitas pessoas todos os meses. A previsão é que, em maio, nós ultrapassemos a barreira dos seis mil óbitos antes do final do mês”, projeta Dias.

Dos 26 hospitais com leitos críticos para pacientes com covid-19 no Rio Grande do Norte, 17 estão com 100% de ocupação nesta segunda e outros quatro apresentam 90% ou mais de seus leitos ocupados. De maneira geral, a ocupação de leitos críticos no RN está em 92%, chega a 99% na região Oeste, a 91% na região metropolitana de Natal e está em 80% no Seridó. Ao todo, 737 pessoas morreram na fila de espera por um leito de UTI no RN.

Modelo Mosaic-UFRN
Modelo Mosaic-UFRN

 

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