+ Notícias

México concede asilo político para Evo Morales após golpe de Estado na Bolívia

Após renunciar ao mandato depois que as Forças Armadas ameaçou o governo, o ex-presidente Evo Morales partiu para o México, onde receberá asilo político. Morales desembarcou na madrugada desta terça-feira (12) no México, após viajar a bordo de um avião da Força Aérea mexicana.

De acordo com o governo mexicano, o ex-presidente da Bolívia poderá solicitar à Coordenadoria-Geral da Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados (Comar) um pedido formal de asilo político, que poderá ser emitido a partir de uma resolução em até 45 dias. A Secretaria do Interior informou que já adiantou à Secretaria das Relações Exteriores a concessão do asilo político a Evo Morales. “A política de refúgio do governo do México é invariável e apegada aos princípios constitucionais e por razões humanitárias”, informou, em nota.

Em uma rede social, Marcelo Ebrard, ministro das Relações Exteriores do México informou que Evo Morales, “de acordo com as convenções internacionais atuais, está sob a proteção do México. Sua vida e integridade são seguras”, ressaltou o ministro mexicano.

Segundo o próprio ex-presidente, a decisão de seguir para o México não foi pessoal, mas sim uma tentativa de proteger a vida e diminuir a tensão no seu país de origem, que vive um golpe de Estado intensificado nas ruas pela oposição contrária aos governistas do MAS, partido base do antigo governo. Evo se despediu do povo boloviano e afirmou que voltará com mais “força e energia”.

Na segunda (11), o líder extremista Luis Fernando Camacho, opositor evangélico, confirmou a ordem de prisão a Evo, mas o comando da polícia negou que ele seja procurado. Já o coronel José Antonio Barrenechea, comandante da polícia de La Paz, defendeu ao chefe das Forças Armadas, Williams Kaliman, que coloque a tropa nas ruas para “evitar um banho de sangue”. O pedido de intervenção militar foi feito durante uma transmissão ao vivo na televisão nacional.

“Irmãs e irmãos, sigo para o México, grato pela generosidade do governo desse povo irmão que nos concedeu asilo para cuidar de nossas vidas. Dói sair do país por razões políticas, mas sempre estarei à espreita. Em breve voltarei com mais força e energia”, disse o ex-presidente, em tradução.

SUCESSÃO

Depois que o ex-presidente e o vice renunciaram, surgiu uma incógnita em relação a quem governará a Bolívia em meio ao golpe de Estado que se instalou pelas ruas. Desde domingo, dezenas de funcionários de alto escalão, ministros de Estado e líderes do Congresso também pediram demissão ou renunciaram aos cargos que mantinham com medo do rechaço das ameaças feitas pelos opositores. A presidência está nas mãos, agora, da segunda-vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, que também é da oposição governista.

Áñez prometeu assumir o cargo interinamente e convocar novas eleições até 22 de janeiro – conforme regulamenta a Constituição. Assim que chegou em La Paz, Jeanine foi colocada sob proteção do Exército e da polícia.

Artigo anteriorPróximo artigo
Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *