DEMOCRACIA

Mídia argentina usa Bolsonaro para amedrontar eleitores  

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De cada 10 matérias e reportagens sobre as eleições da Argentina na mídia tradicional do país, 9 são críticas aos candidatos da Frente de Todos Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, que lideram a corrida presidencial. Nos últimos dias, até o presidente do Brasil Jair Bolsonaro (PSL) foi usado para amedrontar os eleitores que vão às urnas no próximo domingo (27).

O tradicional Clarín publicou na página 9 a matéria “Bolsonaro habló de apartar a la Argentina del Mercosur” , na qual destaca uma declaração recente do brasileiro, em viagem ao Japão, ameaçando retirar a Argentina do Mercosul caso vença a chapa Fernandez/Cristina, numa clara tentativa de interferir no pleito vizinho.

O jornal reproduz a agressividade de Bolsonaro:

– Bolsonaro voltou a vincular o kirchnerismo com a extrema-esquerda do continente e disse que seu governo não facilitará que essas correntes ideológicas formem “uma grande pátria bolivariana como queriam os governantes dessa época”, destacou o Clarín.

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O jornal também ressaltou o que Bolsonaro falou ao primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, sobre novos parceiros comerciais.

– Nós queremos que a Argentina continue no bloco comercial, caso a oposição vença, da mesma forma que (o presidente Maurício) Macri. Caso contrário, podemos nos reunir com Uruguai e Paraguai”, frisou.

Mídia ligada a Maurício Macri traz Jair Bolsonaro para a campanha presidencial, mas estratégia pode ser tiro no pé

A estratégia de usar a imagem de Bolsonaro para ajudar a alavancar votos para Macri pode ser um tiro no pé da imprensa e do próprio presidente argentino. Mesmo entre eleitores de Macri, a imagem de Bolsonaro é muito ruim em razão da posição agressiva e violenta do presidente do Brasil. Já provocaram repulsa nos argentinos declarações de Jair Bolsonaro sobre a comunidade LGBT e a defesa que o Chefe de Estado brasileiro faz de ditaduras e de ditadores. O período de exceção na Argentina deixou muitas marcas no país. As entidades civis e movimentos sociais contabilizam aproximadamente 30 mil pessoas entre mortes e desaparecidos durante 1966 e 1973, na Argentina.

Em entrevista recente, o antropólogo Alejandro Grimson destacou que, mesmo na divergência, o povo argentino têm consenso quanto aos males da ditadura militar para o país:

“Em uma sociedade com muito poucos consensos como é a argentina, até hoje é consenso a catástrofe econômica, social e humana que foi a ditadura”, disse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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