DEMOCRACIA

Militar da reserva e professor aposentado da UFRN homenageia SUS e profissionais de saúde ao tomar primeira dose da vacina

O militar da reserva e professor aposentado da UFRN Carlos Wanderley não se deu por satisfeito apenas em tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19. Aos 68 anos de idade, ele fez questão de expressar um agradecimento duplo: ao Sistema Único de Saúde (SUS) e também aos profissionais de saúde. Pela óbvia consequência, também não faltou um #ForaBolsonaro.

Com o  braço esquerdo erguido e o punho cerrado, gritou no momento em que um servidor da saúde aplicava a primeira dose da Coronavac, vacina produzida em parceria com o Instituto Butantã:

– Salve o SUS, os profissionais de saúde e fora Bolsonaro !”, disse.

O vídeo da manifestação política correu por grupos de whats app neste sábado (2). Procurado pela agência Saiba Mais, Wanderley disse que sempre que pode faz questão de se manifestar politicamente, o que nos dias de hoje considera fundamental:

– Fiquei à vontade e abri o berreiro. E, olhe, o berreiro só não foi maior porque eu estava com máscara ! Algumas pessoas aplaudiram e ouvi duas vaias tímidas, uma minoria absoluta. Atingi meu objetivo. Estou super satisfeito porque fiz. Sempre que posso manifestar minha consciência de classe, eu faço. E hoje é preciso”, afirmou.

“Salve o SUS, os profissionais de saúde e fora Bolsonaro !”

Carlos Wanderley, militar da reserva e professor aposentado da UFRN

Se fosse pelo conforto, Wanderley teria aguardado a hora de tomar a vacina dentro do carro, com o ar-condicionado ligado. Porém, preferiu a fila dos pedestres, no drive instalado pela prefeitura de Natal no shopping Via Direta. Chegou por volta das 9h30 e ficou cerca de 2 horas na fila:

“Preferi pegar na fila de pedestre, porque tem gente na sala, com mais plateia. E quando estava na fila, observando, ninguém se manifestava no horário em que eu estive lá. Mas já fui com isso pronto porque não queria somente tomar vacina, mas fazer um ato político mesmo. Eu já faço uma espécie de micropolítica, um trabalho de formiguinha publicando minhas coisas no facebook, no zap. E queria fazer homenagem ao SUS e aos profissionais de saúde”, contou.

Carlos Wanderley se aposentou em 2018 como professor do curso de Ciências Contábeis da UFRN. Ele atuava no CERES, em Caicó. Mas não quis parar. Atualmente, cursa o 5º período do curso de Educação Física em uma universidade privada de Natal. Aos 68 anos, se reinventa e trabalha hoje como estagiário na Sociedade dos Amigos dos Deficientes Físicos (Sadefe) ajudando pessoas com deficiência e idosos. Se reconhece como desportista amador e boêmio.

“O muro é do diabo, é preciso descer do muro e ir para o lado certo”, diz

Para ele, não é hora de titubear nem de ficar em cima do muro. E lembra de uma lenda que reforça a posição política que fez questão de divulgar na hora da vacina:

Temos que verbalizar, colocar para fora o lugar onde estamos, a posição política que tomamos. O muro é do diabo. Tem uma lenda que diz que, no mundo antigo, havia um muro onde de um lado tinha o diabo e do outro um anjo de Deus que convocava as pessoas que estavam cima do muro a ir para lá. Alguém virou para o diabo e falou: “o anjo do Senhor tá fazendo o maior discurso e você não vai fazer nada ?” O Diabo olhou e disse: “é que o muro já é meu”. Então é preciso descer do muro e ir para o lado certo”, conta.

 

 

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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