DEMOCRACIA

Mineiro mira Câmara Federal criticando filhotismo da bancada potiguar

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Dos oito deputados federais da bancada potiguar na Câmara dos Deputados, todos têm ou já tiveram algum familiar ocupando cargo eletivo no parlamento nacional. Os nomes até que mudam de vez em quando, mas os sobrenomes seguem plantados como raiz. Alves, Maia, Faria, Marinho, Jácome, Motta e Rosado são representantes de um fenômeno batizado de filhotismo pela literatura política. A expressão é usada para mostrar a força dos caciques regionais em se manter no poder.

No lançamento da pré-candidatura a deputado federal, Fernando Mineiro destacou essa curiosa característica da política potiguar que, vez por outra, é motivo de chacota na imprensa nacional. O jornalista Xico Sá, por exemplo, chegou a declarar nas redes sociais durante a votação do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff que o Rio Grande do Norte é o Estado mais oligárquico do país em razão do revezamento de sobrenomes nas oito cadeiras que cabem no latifúndio potiguar do Congresso Nacional.

Deputado estadual no quatro mandato consecutivo, Mineiro estima que, para eleger um deputado, o PT precisará de, no mínimo, 200 mil votos. Ao confirmar que vai disputar uma vaga à federal em 2018, o petista criticou a bancada potiguar:

– É um caminho para ver se a gente rompe a prática quase majoritária constante do filhotismo na política potiguar. Com raríssimas exceções a gente muda o nome, mas o sobrenome é o mesmo nas representações nacionais. Minha pré-candidatura é uma tentativa de, primeiro, reconquistar uma cadeira que foi tão bem ocupada pela então deputada federal Fátima Bezerra, e uma tentativa de somar a esse trabalho nacional. É preciso ficar claro que a prioridade é nacional para mudarmos essa correlação de força no Congresso.

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Atualmente, metade da bancada do Rio Grande do Norte na Câmara responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeita de corrupção. O campeão de denúncias é o deputado tucano Rogério Marinho (PSDB), relator da reforma trabalhista, com cinco inquéritos. Para Mineiro, além das investigações na esfera criminal, também pesa contra a bancada federal a indiferença com os problemas do Estado.

– A bancada é muito ruim, uma lástima. Para além dos processos que eles já pagam ou deveriam prestar conta à Justiça ainda têm a mediocridade da bancada, que age de maneira tradicional, indiferente para com os problemas do Estado. Aliás a maioria da bancada é totalmente indiferente aos problemas do Estado. Acho que o PT pode fazer uma campanha coletiva, articulada para reconquistar isso aí.

O lançamento da pré-candidatura de Mineiro contou com a participação da militância petista de várias correntes e tendências do PT. A senadora Fátima Bezerra também prestigiou o colega. Por mais de uma vez, o pré-candidato a deputado federal destacou que a campanha em 2018 terá a função também de fazer com que a sociedade se “reapaixone” pela política.

– Eu brinco dizendo que o ato mais revolucionário que a gente pode ter é se manter de pé, não se deixar abater, entender que tudo isso é um movimento, um processo da história que estamos vivendo agora. É preciso enfrentar a criminalização da política. Existe hoje uma carga muito negativa na atividade política, que não é de agora, mas foi frustrando as pessoas. Então é preciso se reapaixonar pela política. Se não colocarmos a política como necessidade de uma relação civilizada para ter uma sociedade menos doente, mais cidadã, estaremos fadados ao fascismo, à intolerância. Então, se reapaixonar pela política é isso. É colocar o ouvido no chão para ouvir o que a sociedade está falando.

 

Caravanas da democracia

Durante o discurso, Fernando Mineiro anunciou que o PT vai organizar uma caravana pelo Rio Grande do Norte para fortalecer a luta em defesa da democracia e da candidatura de Lula à presidência da República. A ideia é reunir outros partidos, além do PT, para esclarecer a população sobre as consequências para o país de uma eleição sem a presença de Lula, líder em todas as pesquisas de opinião até o momento.

Pré-candidato declarado à reassumir o Palácio do Planalto, que ocupou entre 2003 e 2009, Lula terá um recurso julgado dia 24 de janeiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Rio Grande do Sul, no controverso processo do caso Tríplex do Guarujá em que foi condenado pelo juiz Sérgio Moro.

A caravana em defesa da democracia deve ocorrer no Estado dias 13 e 14 de janeiro. O percurso prevê visita a vários municípios da região do Seridó, além do médio e alto Oeste. Currais Novos, Caicó e Mossoró são destinos certo.

– A ideia da democracia não é ser um movimento só do PT, mas ter uma articulação política com outras forças sociais e entender que o nome do Lula representa neste momento a luta democrática. Vamos explicar que eles querem afastar o Lula para amanhã afastar outras pessoas. Porque não é apenas no PT. Eu lembro daquele poema… primeiro afastaram o Lula, mas como não sou petista, não vou falar nada… e um dia vão me afastar. Precisamos entender a centralidade democrática. Querem tirar o Lula de qualquer maneira, mas eleição sem o Lula é uma fraude, então não podemos aceitar isso. Eles querem derrotar o Lula ? Então derrotem na urna, no voto.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"