Ministério do Meio Ambiente classifica fusão como preocupante e temerária
Natal, RN 23 de abr 2024

Ministério do Meio Ambiente classifica fusão como preocupante e temerária

31 de outubro de 2018
Ministério do Meio Ambiente classifica fusão como preocupante e temerária

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O Ministério do Meio Ambiente emitiu nota nesta quarta-feira (31) sobre o anúncio de fusão com o Ministério da Agricultura no governo do presidente eleito Bolsonaro (PSL). A pasta existe desde 1985, quando foi criada pelo governo José Sarney com o nome de Ministério do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente. A medida é vista com preocupação e temor.

De acordo com a nota assinada pelo ministro Edson Duarte, as ações do Ministério do Meio Ambiente abrangem temas que não têm qualquer relação com a atividade agropecuária e que a nova pasta “teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas”.

Ele também ressalta que ambos os ministérios são de “imensa relevância nacional e internacional.

Leia a nota:

O Ministério do Meio Ambiente preparou um detalhado e volumoso trabalho para dar plena ciência de tudo o que tem sido feito na pasta e daquilo que é de nossa responsabilidade à equipe de transição, com a qual pretendemos estabelecer um diálogo transparente e qualificado. Por isso, recebemos com surpresa e preocupação o anúncio da fusão com o Ministério da Agricultura.

Os dois órgãos são de imensa relevância nacional e internacional e têm agendas próprias, que se sobrepõem apenas em uma pequena fração de suas competências. Exemplo claro disso é o fato de que dos 2.782 processos de licenciamento tramitando atualmente no Ibama, apenas 29 têm relação com a agricultura.

O Brasil é o país mais megadiverso do mundo, tem a maior floresta tropical e 12% da água doce do planeta, e tem toda a condição de estar à frente da guinada global, mais sólida a cada dia, rumo a uma economia sustentável. Protegemos nossas riquezas naturais, como os biomas, a água e a biodiversidade, contra a exploração criminosa e predatória, de forma a que possam continuar cumprindo seu papel essencial para o desenvolvimento socioeconômico.

Nossa carteira de ações abrange temas tão diferentes como combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, energias renováveis, substâncias perigosas, licenciamento de setores que não têm implicação com a atividade agropecuária, como o petrolífero, homologação de modelos de veículos automotores e poluição do ar. O Ministério do Meio Ambiente tem, portanto, interface com todas as demais agendas públicas, mas suas ações extrapolam cada uma delas, necessitando, por isso, de estrutura própria e fortalecida.

O novo ministério que surgiria com a fusão do MMA e do MAPA teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas. A economia nacional sofreria, especialmente o agronegócio, diante de uma possível retaliação comercial por parte dos países importadores.

Além disso, corre-se o risco de perdas no que tange a interlocução internacional, que muitas vezes demanda participação no nível ministerial. A sobrecarga do ministro com tantas e tão variadas agendas ameaçaria o protagonismo da representação brasileira nos fóruns decisórios globais.

Temos uma grande responsabilidade com o futuro da humanidade. Fragilizar a autoridade representada pelo Ministério do Meio Ambiente, no momento em que a preocupação com a crise climática se intensifica, seria temerário. O mundo, mais do que nunca, espera que o Brasil mantenha sua liderança ambiental.

Edson Duarte
Ministro do Meio Ambiente

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