CIDADANIA

Com leitos esgotados e sem ação dos Ministérios Públicos, prefeito de Natal insiste em recomendar ivermectina

Com leitos esgotados e sem nenhuma ação pública correndo no Ministério Público do Rio Grande do Norte ou no âmbito federal, o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), segue recomendando ivermectina para tratamento “precoce” da covid-19. O apelo mais recente para que a população tome a medicação, que não tem eficácia comprovada contra a covid-19, foi nesta segunda (22), durante entrevista, ao vivo, no RNTV 1.

O motivo da coletiva da Prefeitura de Natal era, justamente, a superlotação dos hospitais da Região Metropolitana de Natal, que na tarde desta segunda estava com 91,7% de ocupação dos leitos críticos, aqueles semi-intensivos e de UTI para pacientes com covid-19 que precisam de internação. O Hospital de Campanha para Covid-19 de Natal, que chegou a receber pacientes do Amazonas, se encontra agora lotado. A Região Metropolitana já tem mais pacientes na fila de espera (44) do que leitos críticos disponíveis (22). Ao todo, o Rio Grande do Norte está com dez hospitais com 100% de taxa de ocupação, outros dois com 90% ou mais e mais cinco, com 91,7% ou mais de leitos críticos ocupados. No total, o estado segue com 87% de leitos críticos ocupados por pacientes.

Esse não foi o primeiro apelo público do prefeito de Natal para que a população use medicação sem comprovação científica para tratamento “precoce” contra a covid. Em outra entrevista, também a uma emissora local, ele chegou a afirmar que:

“Eu estou protegido porque eu tomo a ivermectina. Aproveito aqui a oportunidade para aconselhar toda a população: quem não tiver acesso à vacina, continue tomando a ivermectina de 15 e 15 dias, na dosagem recomendada, que estará devidamente protegido contra o coronavírus”.

Por causa da recomendação que gestores públicos vêm fazendo à população, de uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada, os Ministérios Públicos sejam eles estaduais ou federais, vêm atuando em alguns estados de forma mais vigilante. Em Bragança Paulista (SP), o MP pediu explicações à prefeitura local sobre um protocolo que recomenda ivermectina. Já o Ministério Público do Paraná investiga um gasto de R$ 3 milhões, com dispensa de licitação, pela Prefeitura de Paranaguá, também para aquisição de ivermectina. No Tocantins, o Ministério Público Estadual e Federal, investigam a distribuição do medicamento, que não tem eficácia científica comprovada, pela prefeitura de Tocantinópolis.

No entanto, em terras potiguares, os gastos da Prefeitura de Natal com a compra de 1 milhão de comprimidos de ivermectina para distribuição “em massa” à população, ainda é um mistério. O valor não foi divulgado até hoje. No dia 11 de fevereiro, a ministra do Supremo Tribunal federal(STF), Rosa Weber, enviou uma notícia crime à Procuradoria Geral da República apresentada pelo PDT contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pelas frequentes recomendações de uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. A denúncia também aponta a fabricação de 3,2 milhões de comprimidos das duas medicações pelo governo federal sem licitação.

Aqui, no Rio Grande do Norte, o Ministério Público chegou a abrir procedimento para apurar se o prefeito e então candidato à reeleição, Álvaro Dias, tinha feito propaganda eleitoral antecipada ao distribuir comprimidos de ivermectina. Até o momento, não há registro de qualquer processo público aberto contra o prefeito de Natal no Ministério Público do Rio Grande do Norte por recomendar uso de medicação sem comprovação científica como forma de “tratamento precoce” à covid-19, apesar do senador Jean Paul Prates (PT), em janeiro deste ano, ter encaminhado uma representação ao MPRN contra Álvaro Dias, por recomendar uso da ivermectina para tratamento de covid-19, o que não tem respaldo científico.

É importante ressaltar que não há registro de processo público aberto contra o prefeito da capital, no caso de processos sigilosos, não há como fazer essa verificação.

Imagens: reprodução Regulação Lais/ UFRN
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